Família Ibarra: doze filhos e oito escolheram se consagrar a Deus
Sonia Ibarra teve 12 filhos, e oito deles acabaram dedicando sua vida à Igreja: seis são sacerdotes e duas são religiosas.

Foto: Facebook
Redação (26/08/2026 09:37, Gaudium Press) Há famílias em que a vocação sacerdotal ou religiosa surge de forma inesperada, transformando completamente a história de todos. É o caso de Sonia Llauró de Ibarra e seu marido Diego Ibarra, um casal argentino cuja vida familiar se tornou um testemunho vivo de confiança em Deus. Ao longo de 20 anos, Sonia deu à luz 12 filhos. Hoje, seis deles são sacerdotes e duas de suas filhas são religiosas. Três se casaram e uma filha faleceu ainda criança. Os consagrados vivem e trabalham em diferentes cantos do mundo: Roma, Estados Unidos, Bolívia, Polônia, Filipinas e Itália.
Para Sonia, porém, essa abundância de vocações não é resultado de uma “fórmula” educativa ou de um método calculado para “produzir” padres e freiras. Tudo começou, segundo ela, com a simples decisão de confiar em Deus e de criar em casa um ambiente no qual os filhos pudessem se aproximar da fé e descobrir, livremente, o próprio caminho. “Eu não vou conseguir explicar a vocês o que nós recebemos por termos confiado no chamado que Deus fez aos nossos filhos”, afirma.
Uma conversão que mudou o casamento e a maternidade
Sonia nasceu em Buenos Aires, em uma família católica, mas pouco praticante. Casou-se com Diego aos 18 anos. Com o tempo, uma experiência espiritual profunda mudaria radicalmente sua visão do matrimônio, da maternidade e da educação dos filhos: ela participou dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Aqueles dias de oração e silêncio a marcaram tanto que decidiu repeti-los todos os anos. Para ela, os Exercícios se tornaram uma verdadeira preparação para a vida familiar. “Era uma forma de me encher de Deus para depois poder encher as crianças de Deus. Se a gente não se enche de Deus, não tem o que dar”, explica.
A partir daí, a fé passou a fazer parte do cotidiano da família Ibarra. O terço era rezado em família. As crianças participavam de momentos de adoração diante do Santíssimo Sacramento. Não era fácil. Com tantos filhos pequenos, manter o silêncio e a atenção durante a oração exigia paciência e persistência. Ainda assim, Sonia insistia: era importante que, desde cedo, eles aprendessem a permanecer diante de Deus, mesmo quando ainda não compreendiam plenamente o significado daqueles momentos.
“Não tenha medo de deixar a chama acender”
A experiência de Sonia a leva a falar especialmente aos pais que descobrem em algum filho uma inquietação pelo sacerdócio ou pela vida religiosa. Seu conselho é direto: não tenham medo. “Se Deus os chama para se consagrarem a Ele como sacerdotes ou religiosas, é para que sejam felizes e cheguem a ser grandes santos; Ele não os chama para fazê-los infelizes”, destaca.
Ela usa a imagem de uma pequena chama. Quando um menino ou menina começa a manifestar interesse pela vida consagrada, muitos pais, por medo ou por planos próprios, tentam apagar aquela chama imediatamente. Sonia pede o contrário: não rejeitem de imediato. Ofereçam condições para o discernimento. Se o filho expressa desejo de conhecer o seminário ou a vida religiosa, o melhor caminho é acompanhá-lo com serenidade, sem pressão e sem bloqueio.
Ela também desfaz um mito comum: a ideia de que só crianças “perfeitas”, disciplinadas e exemplares podem ser chamadas. “Deus não espera crianças perfeitas para chamá-las. Se fosse assim, nenhum dos nossos filhos teria sido chamado”, afirma com humor e realismo. O seminário e o noviciado existem precisamente para o discernimento e a formação. A vocação não exige que a criança já tenha todas as respostas. É um processo gradual de descoberta da vontade de Deus.
Rezando juntos pela santidade dos padres
Inspirada no conhecido exemplo de Lu Monferrato, um pequeno povoado italiano famoso por ter gerado dezenas de vocações sacerdotais e religiosas ao longo do século XX, Sonia e outras mães começaram uma iniciativa de adoração eucarística. Há anos elas participam, mensalmente, de 40 horas de adoração nos dias 14, 15 e 16. A intenção é clara: rezar pela santificação dos sacerdotes, por sua perseverança e pelo surgimento de novas vocações.
A iniciativa se espalhou e reflete uma convicção profunda de Sonia: as vocações não dependem apenas do esforço de uma família isolada. Elas florescem quando existe uma comunidade que reza e acompanha. Família e paróquia precisam trabalhar juntas para recuperar o que ela chama de “clima vocacional” — um ambiente no qual o chamado de Deus é visto como algo possível, belo e desejável.
Educar olhando para a santidade
Uma das chaves apontadas por Sonia é aproximar as crianças, desde cedo, das histórias concretas de homens e mulheres que viveram a fé de forma radical. As vidas dos santos, para ela, podem despertar perguntas e alimentar as primeiras inquietações espirituais. Não se trata de impor um caminho, mas de abrir horizontes. De permitir que os filhos conheçam outras possibilidades de vida e se perguntem, com liberdade: “O que eu quero fazer da minha existência?”
Nesse processo, a oração ocupa lugar central. Sonia recomenda colocar Nossa Senhora em posição privilegiada na vida familiar e confiar-lhe os filhos. Depois de ver oito dos seus 12 filhos optarem pela vida consagrada, sua experiência se resume em uma oração simples e profunda, que ela e Diego pronunciaram diante de cada chamado: “Eu Te entrego para que o faças santo”.
Não é perda, é doação
Mais do que tentar explicar o “porquê” de tantos filhos consagrados, Sonia convida outros pais a olhar a vocação de outra maneira. Não como a perda de um filho para a família, mas como um caminho que, se for realmente o chamado de Deus, pode conduzi-lo à felicidade plena e à entrega generosa aos outros.
Em um tempo em que a vida religiosa e sacerdotal muitas vezes é vista com estranheza ou até com resistência, a história da família Ibarra aparece como um sinal luminoso: quando os pais confiam, rezam e criam um ambiente de fé autêntica, Deus continua chamando — e chama com generosidade.
A experiência de Sonia e Diego mostra que a vocação não nasce de uma pressão ou de um projeto educativo rígido. Nasce, antes de tudo, de um lar onde Deus tem espaço, onde a oração tem um espaço, onde os santos são amigos e onde os pais sabem dizer, com liberdade e amor: “Senhor, este filho é Teu. Faz dele o que quiseres; que ele seja santo”.
Com informações Religión en Libertad





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