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China intensifica restrições à Igreja Católica e proíbe funerais em Xangai

Venda de Bíblias banida, peregrinações controladas e funerais negados marcam o avanço do cerco estatal à fé católica na China.

China intensifica restricoes a Igreja Catolica e proibe funerais em Xangai

Foto: By 钉钉 – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=123366560

Xangai – China (24/08/2026 15:25, Gaudium Press) O governo chinês tem intensificado as restrições à Igreja Católica no país. É o que revela um relatório produzido ao longo do último ano por um católico em Xangai. De acordo com o documento, de autoria anônima por questões de segurança, há uma redução progressiva no espaço em que os fiéis chineses podem manifestar e viver a sua Fé.

Bíblias e livros devocionais desapareceram das livrarias

Para se ter uma ideia, no ano passado os livros de teologia que eram vendidos na loja de artigos religiosos afiliada à Catedral de Santo Inácio (Xujiahui) foram retirados das prateleiras. No início deste mês de agosto, todas as prateleiras desapareceram, assim como a possibilidade de comprar Bíblias ou livros devocionais. Ao questionar a caixa sobre esse sumiço, o autor do relatório recebeu a seguinte resposta: “Todos eles se foram”.

“É absurdo pensar que não se pode comprar uma Bíblia dentro da igreja, uma maravilha do mundo”, lamentou indignado o católico anônimo ao refletir sobre este triste episódio de perseguição religiosa por parte do governo ditatorial chinês. Infelizmente este não é um caso isolado em Xangai, pois em junho deste ano, diversos templos católicos em Pequim também deixaram de vender Bíblias.

Catedral proibida de receber visitantes e peregrinações dificultadas

Além das proibições comerciais, a Catedral de Santo Inácio deixou de receber visitantes no início deste ano. A justificativa apresentada era que o templo passaria por obras para renovar seu interior. Segundo o autor do relatório, a decisão de reabri-la não depende exclusivamente da igreja. Destino semelhante sofreram as peregrinações, que estão sendo canceladas por conta de novas regulamentações.

Um sacerdote explicou aos fiéis que as paróquias que desejam organizar peregrinações que cruzam fronteiras regionais devem passar por procedimentos de autorização que são “extremamente difíceis de concluir”. Pior ainda, as igrejas locais são obrigadas a denunciar os paroquianos que viajam sem autorização, o que as transforma em instrumentos de vigilância sobre seus próprios fiéis.

Repressão na internet, vigilância nas igrejas e proibição de funerais católicos

Esta repressão ao catolicismo na China se estende ao mundo digital. As transmissões diárias em chinês do Santo Rosário recitado a partir do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, foram interrompidas de forma abrupta em dezembro de 2025. O aplicativo católico chinês ‘Wan You Zhen Yuan’, que difundia em tempo real essas orações, também foi obrigado a suspender seus vídeos informativos e cursos online de formação espiritual.

Alguns funcionários públicos católicos, com receio de perder o emprego, evitam frequentar a Santa Missa de forma aberta em Shandong, só participando durante viagens e, mesmo assim, quando estão dentro do templo, utilizam máscaras para não serem reconhecidos. Um último dado triste diz respeito ao momento da morte. Desde agosto deste ano, funerárias em Xangai se recusam a realizar funerais católicos. (EPC)

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