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Reino Unido impede entrada de parlamentar finlandesa condenada por sua fé cristã?

Räsänen tinha a intenção de participar presencialmente da Conferência Missionária Mundial de Bangor, realizada na Irlanda do Norte, mas o Reino Unido havia rejeitado anteriormente sua autorização de viagem (ETA – Electronic Travel Authorisation) .

Foto: Päivi Räsänen/ Facebook

Foto: Päivi Räsänen/ Facebook

Redação (22/08/2026 09:01, Gaudium Press) Em julho, a deputada finlandesa Päivi Räsänen teve sua autorização de viagem para o Reino Unido negada. Na ocasião, Räsänen, que estava voltando dos Estados Unidos para a Finlândia via Londres, não conseguiu obter a autorização do Reino Unido para entrar no Espaço Econômico Europeu (EEE).

Inicialmente, a autorização havia sido concedida, mas, alguns dias antes da partida, foi revogada. Räsänen suspeitou, na época, que o motivo fosse sua condenação pelo Supremo Tribunal da Finlândia, em março deste ano, por um panfleto religioso escrito em 2004.

Isso impediu Räsänen de fazer conexão em Heathrow e, principalmente, de comparecer pessoalmente à conferência de liberdade religiosa em Belfast, Irlanda do Norte, marcada para esta semana, onde ela havia sido convidada a discursar sobre a importância da liberdade de expressão. Ela teve de participar virtualmente e apelou à secretária do Interior britânica, Shabana Mahmood, por uma intervenção de última hora, sem sucesso a tempo do evento. De acordo com as instruções do Ministério do Interior britânico, você pode solicitar um visto para a Grã-Bretanha, mesmo que a permissão de viagem do EEE tenha sido rejeitada

A própria Räsänen apontou a ironia da situação: “Fui convidada a proferir o discurso principal em uma conferência sobre liberdade religiosa em Belfast, onde pretendia discutir a importância da liberdade de expressão. Acho chocante e profundamente irônico que o Reino Unido tenha me banido, uma política eleita democraticamente de um Estado europeu aliado. Fui condenada por expressar pacificamente minhas convicções cristãs. Embora essa condenação injusta esteja sendo objeto de recurso perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, o Reino Unido me pune por exercer meus direitos humanos fundamentais”.

Aprovação do visto

Entretanto, neste sábado, 22 de janeiro, em publicação nas redes sociais, Räsänen informou que recebeu a aprovação do visto um pouco antes do horário previsto para sua intervenção no evento. A boa notícia chegou tarde demais, e ela acabou tendo de proferir o discurso por videoconferência.

“Poucos minutos antes de eu iniciar remotamente meu discurso no evento, na Irlanda do Norte, recebi por e-mail a decisão positiva sobre o visto do governo do Reino Unido. Agradeço. Infelizmente, chegou tarde demais para a conferência da semana passada. Mas agora estou disponível para possíveis compromissos no território do Reino Unido. Fiz meu discurso a partir de minha casa de veraneio”, escreveu Räsänen.

Quem é Päivi Räsänen

Räsänen, cristã evangélica luterana, médica, avó, ex-ministra do Interior e membro de longa data do Parlamento finlandês (pelo Partido Democrata-Cristão), é uma voz conhecida na defesa da visão bíblica sobre o casamento e a sexualidade. Em 2004, ela elaborou o livreto intitulado Homem e mulher Ele os criou, destinado a comunidades cristãs conservadoras. O texto apresenta a doutrina cristã tradicional sobre o casamento como união entre homem e mulher e aborda questões de ética sexual à luz das Escrituras.

Em março deste ano, o Supremo Tribunal finlandês, por apertada maioria de 3 a 2, condenou Räsänen e o bispo luterano Juhana Pohjola (responsável pela publicação) por “discurso de ódio” — especificamente por “ter colocado à disposição do público opiniões que insultam os homossexuais como grupo com base em sua orientação sexual”. A condenação se deu sob um capítulo do código penal finlandês que trata de “crimes de guerra e crimes contra a humanidade”. Ambos foram multados e o tribunal determinou a retirada dos trechos contestados do material online e a destruição de cópias físicas. O próprio tribunal reconheceu, no entanto, que o panfleto “não continha incitação à violência ou promoção do ódio comparável a uma ameaça”. Ironicamente, o mesmo tribunal a absolveu por unanimidade de uma acusação relacionada a um tuíte de 2019 em que ela citava a Bíblia para criticar o apoio de sua igreja a um evento Pride.

Räsänen e seus defensores, incluindo a organização Alliance Defending Freedom (ADF) International, classificam a condenação como um grave atentado à liberdade de expressão e de religião. Ela já recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Em declarações públicas, a deputada afirmou estar “chocada e profundamente decepcionada” com a decisão finlandesa e destacou que continuará defendendo o direito de todos de expressar suas convicções na praça pública.

Para os católicos e todos os cristãos, este caso levanta preocupações sérias. A doutrina da Igreja Católica, reafirmada no Catecismo e em documentos do Magistério, ensina que o casamento é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher, aberta à vida, e que todo ser humano deve ser tratado com respeito e dignidade, sem discriminação injusta, ao mesmo tempo em que se afirma a verdade sobre a natureza humana e a sexualidade. A criminalização de expressões pacíficas dessa visão, mesmo em materiais religiosos antigos, e a extensão de restrições de viagem a um político eleito de um país aliado, representam um precedente perigoso de censura.

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