Gaudium news > Mosaicos de Marko Rupnik em Lourdes permanecerão cobertos após visita do Papa Leão XIV

Mosaicos de Marko Rupnik em Lourdes permanecerão cobertos após visita do Papa Leão XIV

A cronologia revela um caminho bem definido: fim da iluminação em julho de 2024; cobertura dos mosaicos das portas em março de 2025; cobertura integral em setembro de 2026, com manutenção posterior à partida de Leão XIV.

Santuário de Lourdes Foto: Ir Cristina Miranda

Santuário de Lourdes Foto: Ir Cristina Miranda

Redação (21/08/2026 09:27, Gaudium Press) A decisão de cobrir os mosaicos de Rupnik,  anunciada nesta quinta-feira, 20 de agosto, pelo bispo de Tarbes e Lourdes, Dom Jean-Marc Micas, marca um novo capítulo no delicado debate sobre a presença das obras do artista esloveno Marko Rupnik no santuário mariano de Lourdes, França. Segundo informações do jornal La Dépêche du Midi, a cobertura integral dos mosaicos que adornam a fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, prevista para a visita do Papa Leão XIV, não será temporário. Após a partida do pontífice, as obras permanecerão ocultas aos olhos dos peregrinos.

Não se trata, portanto, de um simples arranjo destinado à passagem papal. Uma vez que Leão XIV deixar Lourdes, os mosaicos não voltarão a ser visíveis.

O histórico das acusações

Marko Rupnik, antigo jesuíta esloveno e mosaísta de renome internacional, é acusado por diversas mulheres — em sua maioria antigas religiosas — de abusos sexuais, espirituais e psicológicos. Uma investigação canônica segue em curso em Roma. As obras dele estão presentes em diversos santuários católicos ao redor do mundo, incluindo Lourdes, onde foram instaladas em 2008, por ocasião do 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora a Bernadette Soubirous. Elas representam os Mistérios Luminosos do Rosário.

Em Lourdes, as acusações levantaram uma questão particularmente sensível: manter expostas, na fachada de uma das principais basílicas do santuário, as criações de um homem alvo de denúncias tão graves, enquanto vítimas de abusos também fazem peregrinação a Massabielle?

Dom Micas optou por uma abordagem progressiva. Em 2 de julho de 2024, após constituir uma comissão de reflexão, anunciou que os mosaicos deixariam de ser valorizados pela iluminação noturna durante as procissões. Na ocasião, expressou a convicção pessoal de que, a longo prazo, o ideal seria removê-las, embora reconhecesse a divisão de opiniões.

Em 31 de março de 2025, o santuário cobriu os mosaicos presentes nas portas da basílica. O bispo justificou a medida como forma de permitir que pessoas que já não conseguiam atravessar o limiar — por causa da presença das obras — pudessem voltar a entrar. O objetivo era trabalhar “a longo prazo, pelas vítimas, pela Igreja, por Lourdes e por sua mensagem para todos”.

A iminente visita de Leão XIV acelerou o processo. Já estava previsto que o conjunto dos mosaicos seria tapado durante a passagem do Papa. Restava a dúvida se a cobertura seria retirada depois. A resposta de Dom Micas é clara: não.

O que muda com a visita papal

Segundo as informações divulgadas, os mosaicos serão cobertos para a visita e assim permanecerão. A cobertura poderá receber uma decoração relacionada à viagem apostólica, mas o fim da presença do pontífice não significará o retorno das obras de Rupnik ao santuário.

Isso não implica, necessariamente, a destruição ou a remoção imediata das peças. Uma reflexão sobre o futuro da fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário continua. A comissão que acompanha o bispo deverá ser ampliada, incluindo artistas e teólogos.

Em outras palavras: a questão da visibilidade está, neste momento, decidida; a do destino material definitivo das obras permanece em aberto.

A visita de Leão XIV

A decisão ganha contornos especiais a poucas semanas da chegada do papa. Leão XIV deve chegar a Lourdes no sábado, 26 de setembro, à noite. No dia seguinte, 27, encontra-se com os bispos da França, celebra a missa na pradaria (Prairie), recebe doentes e hospitalários e participa da procissão das velas. Na manhã de segunda-feira, 28, parte para Metz.

Lourdes não é um santuário qualquer para se tomar uma medida como essa. Milhões de peregrinos chegam anualmente carregando doenças, feridas e sofrimentos. Desde o início da controvérsia, Dom Micas tem insistido na necessidade de ouvir também aqueles para quem a presença das obras de Rupnik se tornou fonte de dor.

Enquanto o processo canônico segue seu curso em Roma, o santuário opta por proteger o acesso de todos — especialmente daqueles que chegam buscando cura — ao encontro com Nossa Senhora de Lourdes.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas