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Cardeal Woelki: apelo a Roma para definir sinodalidade

Cardeal Woelki completa 70 anos e reforça: sinodalidade não é cogestão nem parlamento eclesial.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (19/08/2026 11:15, Gaudium Press) O Cardeal Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colônia, completou 70 anos na última terça-feira. Por ocasião da data, concedeu uma longa entrevista ao semanário católico alemão Die Tagespost, na qual revisou sua trajetória sacerdotal, comentou a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II e a Escola Superior Católica de Colônia (KHKT), e voltou a um dos temas que marcaram seu ministério episcopal nos últimos anos: o rumo do chamado Caminho Sinodal alemão e a urgência de precisar o próprio conceito de sinodalidade.

Um apelo a Roma para definir a sinodalidade

Para o purpurado alemão, um dos grandes desafios atuais da Igreja é estabelecer com clareza o que significa sinodalidade para a Igreja universal — e não apenas para o processo alemão. “Um dos grandes desafios é definir o que significa sinodalidade para a Igreja Universal”, afirmou de forma direta.

Woelki insiste na necessidade de distinguir a sinodalidade entendida como processo espiritual de escuta e discernimento de uma compreensão reduzida à mera participação institucional excessiva. Essa distinção, segundo ele, é especialmente relevante para avaliar o Caminho Sinodal alemão, iniciado em 2019, após a crise dos abusos. O processo reuniu bispos e representantes leigos para tratar de questões como poder, moral sexual, vida sacerdotal e o papel da mulher na Igreja.

O cardeal destacou que o Papa Leão XIV apresentou a sinodalidade e a evangelização como realidades inseparáveis, descrevendo-a como “um caminho espiritual de busca no Espírito Santo e de discernimento dos espíritos”, orientado para a missão. O problema surge, explicou, quando a sinodalidade passa a ser compreendida sobretudo em termos de estruturas de poder e cogoverno. Sobre o Caminho Sinodal alemão, afirmou que este se concentrou principalmente em introduzir formatos de participação e formas de cogestão, o que — alertou — faz perder de vista que a Igreja está “estruturada hierárquica e sacramentalmente”.

“Não é a nossa Igreja, mas a d’Ele”, enfatizou o cardeal, recordando que todos vivem sob Cristo como cabeça e sob a Palavra de Deus. Por isso, insistiu, falar de sinodalidade remete sempre a reconhecer o que o Senhor pede da Igreja, e não a um exercício de deliberação no estilo de sufrágio universal.

Continuidade com alertas anteriores

Essas declarações recentes se inscrevem em uma postura que Woelki mantém de forma consistente desde o início do Caminho Sinodal em seu país. Após a primeira Assembleia Sinodal de Frankfurt, no início de 2020, já havia advertido sobre o risco de o processo se desviar para uma espécie de “parlamento eclesial quase-protestante”. No mesmo ano, alertou para o perigo de uma “Igreja nacional alemã” desligada da Igreja universal. Em janeiro deste ano, afirmou que, para ele, o Caminho Sinodal “já concluiu”, desligando-se por completo daquele processo local.

O cardeal recordou ainda que a proposta de Conferência Sinodal, destinada a dar continuidade ao processo, ainda não começou a funcionar como previsto, pois seus estatutos continuam sob revisão da Santa Sé. Woelki reforçou que cabe somente ao Magistério determinar o que pertence à fé e à doutrina da Igreja e o que é constitutivo de sua apostolicidade e catolicidade.

O arcebispo de Colônia precisou, no entanto, que sua crítica não equivale a uma rejeição da sinodalidade como tal, mas do modelo alemão concreto. A escuta, a consulta e o discernimento, disse, não eliminam a responsabilidade própria do ofício episcopal nem a autoridade do Magistério. A doutrina da Igreja não pode ser redesenhada por critérios de maioria.

Vaticano II e a liturgia

Na mesma entrevista, Woelki afirmou sentir-se plenamente identificado com a tradição e o ensinamento do Concílio Vaticano II, que qualificou a reforma litúrgica como uma das reformas essenciais. O cardeal sustentou que o Novus Ordo Missae possui uma beleza e uma dignidade em nada inferiores às do rito tridentino. Considerou que quem vê no retorno à missa tridentina a resposta aos desafios atuais da Igreja estaria “no caminho equivocado”.

Com essas declarações, o cardeal de Colônia reafirma uma linha de fidelidade ao Concílio e de cautela diante de interpretações da sinodalidade que, a seu ver, correm o risco de enfraquecer a estrutura hierárquica e sacramental da Igreja.

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