Castelo de Versalhes: sacristias da Capela Real abertas ao público
A decoração das sacristias remonta ao reinado de Luís XIV. Recém-restauradas, essas luxuosas salas da Capela Real de Versalhes agora estão abertas à visitação.

Foto: Amisdeversailles/ Instagram
Redação (19/08/2026 11:15, Gaudium Press) Neste verão de 2026, o Château de Versailles convida o público a descobrir um dos espaços mais secretos e autênticos do antigo regime: as sacristias da Capela Real. Pela primeira vez, a grande sacristia e a sala do lavabo (onde se encontra uma pia de mármore vermelho), recentemente restauradas, integram o circuito de visita livre, permitindo aos visitantes entrar em um espaço esquecido do castelo.
Dedicada a São Luís, rei, a Capela Real lembra a Sainte-Chapelle de Paris, e foi concluída em 1710, no final do reinado de Luís XIV. Ela é a quinta e última capela erguida no palácio. Projetada por Jules Hardouin-Mansart e finalizada por Robert de Cotte, a capela combina elementos góticos com o esplendor barroco. Suas anexas — construídas entre 1708 e 1710 — abrigavam os espaços ligados ao culto e à vida cotidiana dos religiosos que serviam a capela: a grande sacristia, a sala do lavabo, o vestiário dos cantores e músicos necessários para as cerimônias religiosas.
“No Antigo Regime, entre quatorze e vinte e um clérigos, da Ordem dos Lazaristas, celebravam até sete missas por dia. Eles moravam no andar de cima, em apartamentos que hoje foram reformados”, explica o curador Yves Carlier, que mostra, na grande sacristia do térreo, os numerosos armários destinados aos objetos de culto e os chapiers, uma espécie de gavetas enormes para as vestimentas litúrgicas.

Foto: Amisdeversailles/ Instagram
A Sacristia da Capela é um conjunto de salas de grande valor patrimonial localizado na ala norte do Castelo que permaneceram quase intocadas desde o século XVIII. A Grande Sacristia é a sala mais ampla e mais valiosa dos anexos da Capela Real. Embora as portas ricamente esculpidas que dão para a Capela sejam pintadas e douradas, o restante das boiseries (painéis de madeira) do século XVIII dos anexos da Capela são simplesmente enceradas “à la capucine” (no estilo eclesiástico). A parte inferior do corredor, assim como as salas adjacentes, é inteiramente revestida de painéis de madeira, conferindo a esses três espaços uma notável unidade. Essas salas são compostas por painéis de lambris e móveis embutidos com molduras e até mesmo entalhes, com pisos em parquet de Versalhes com frisos e compartimentos. Austeridade e grandiosidade, aliadas à perfeição tanto na qualidade da madeira quanto na execução da marcenaria, caracterizam esses locais atemporais.
Foram necessários extensos trabalhos na sala do lavabo: o piso havia afundado mais de dez centímetros, causando deformações significativas nos painéis. O precioso mármore Languedoc do lavabo e seus canos de chumbo foram restaurados utilizando métodos tradicionais.
A Grande Sacristia continuará a ser utilizada para fins litúrgicos, principalmente graças à restauração das vigas, que apresentavam deformações significativas.
“O culto foi interrompido na capela apenas por alguns anos, durante a Revolução Francesa, e não se sabe ao certo se a capela chegou a ser dessacralizada”, explica o curador. A grande sacristia continua sendo usada até hoje para a missa mensal celebrada pela paróquia vizinha de Notre-Dame de Versalhes.
A restauração, realizada entre 2022 e 2026, foi possível graças ao mecenato da Société des Amis de Versailles e ao apoio da Fondation du Patrimoine, entre outros parceiros. Hoje, a grande sacristia e a peça do lavabo recuperaram todo o seu esplendor. Nesta última, os armários foram discretamente transformados em vitrines para apresentar o “tesouro” da Capela: objetos litúrgicos, paramentos, peças de ourivesaria e o famoso relicário-beneditino da rainha Maria Teresa, que nunca haviam sido expostos ao público de forma permanente.
Desde 7 de julho passado, a nave da Capela Real, a grande sacristia e a sala do lavabo fazem parte do circuito de visita livre. Essa possibilidade se estende até 30 de agosto. A partir de setembro, a nave permanece acessível até 27 de setembro, enquanto as anexas passam a ser acessadas apenas em visitas guiadas, mediante reserva.





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