Colômbia: sacerdote recolhe hóstias consagradas sob escombros de igreja atingida pelo terremoto
Acompanhado pela Irmã Marcela, da Comunidade do Santíssimo Sacramento, o sacerdote entrou no templo danificado pouco depois do abalo.

Foto: Screenshot/ Facebook
Redação (17/08/2026 10:37, Gaudium Press) No dia 10 de agosto, um forte terremoto de magnitude 7,4, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento do Chocó, sacudiu o oeste da Colômbia. O abalo, um dos mais intensos registrados no país neste século, foi sentido em vários departamentos e deixou centenas de mortos e milhares de feridos em escala nacional. No município de Roldanillo, no Valle del Cauca, a cerca de 150 quilômetros de Cali, os danos foram particularmente graves: pelo menos duas pessoas perderam a vida (algumas fontes locais apontam três), mais de cem ficaram feridas, cerca de 1.300 residências foram afetadas — muitas delas destruídas ou em condição de demolição — e o hospital local sofreu danos estruturais em cerca de 60% de sua área.
Fundado em 1576 e detentor de um rico patrimônio colonial, Roldanillo viu várias construções históricas comprometidas. Entre elas, a capela da Virgem do Rosário de Chiquinquirá, da paróquia de São Sebastião e datada do século XVII (com origens por volta de 1602), declarada patrimônio cultural da nação. O movimento sísmico provocou o desabamento do sacrário de madeira da capela. O cibório que guardava as hóstias consagradas na Missa do dia anterior ficou gravemente danificado, e as espécies eucarísticas se espalharam entre os escombros.

Onde não era possível recolher as partículas, derramaram água sobre os escombros. As hóstias misturadas com terra e resíduos foram colocadas em um recipiente com água, conforme a prática da Igreja, para que as espécies eucarísticas deixassem de subsistir. Depois, essa água deve ser depositada em local adequado. O Catecismo da Igreja Católica, no número 1377, lembra que a presença de Cristo na Eucaristia começa na consagração e permanece enquanto subsistirem as espécies.
Clavijo descreveu o momento como profundamente doloroso. “Foi muito triste. A Eucaristia é a vida do sacerdote, essa é a vida da Igreja, é o centro de nós”. Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de agir com serenidade e rapidez, diante do risco de réplicas e novos desabamentos. “Tinha que ser muito forte, porque tinha que dar solução. Não era momento de lamentar-se”.
A igreja paroquial de São Sebastião também ficou interditada, e as Missas passaram a ser celebradas na praça. A restauração da capela, por se tratar de patrimônio nacional, depende de autorização e intervenção das autoridades competentes. Dias depois do sismo, fortes chuvas agravaram ainda mais a situação em Roldanillo, provocando o colapso de telhados já enfraquecidos.
Em mensagem dirigida aos moradores a partir do interior da capela danificada, o Pe. Clavijo expressou solidariedade às famílias que perderam casas e, especialmente, às que perderam entes queridos. Recorreu à passagem evangélica de Pedro caminhando sobre as águas: “Às vezes caminhamos sobre ventos fortes, ondas turbulentas, nossa barca parece afundar, mas Deus nos estende a mão. Como Pedro, gritamos todos: Senhor, salvai-nos”. Ele transmitiu uma mensagem de esperança enquanto a comunidade inicia o longo processo de reconstrução de residências, serviços públicos e do patrimônio religioso.
Com informações Aciprensa





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