Cardeal Pizzaballa visita Taybeh e exorta cristãos a permanecerem firmes na fé e na esperança
Cardeal Pizzaballa visita Taybeh e reforça solidariedade à última aldeia cristã da Cisjordânia. Há temor de que as famílias sejam forçadas a abandonar suas terras.

Foto: The Latin Patriarchate of Jerusalem
Redação (17/08/2026 10:37, Gaudium Press) No último sábado, 15 de agosto, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, visitou Taybeh, a última aldeia inteiramente cristã na Cisjordânia, por ocasião da Festa da Assunção de Nossa Senhora. A visita ocorreu em um momento de crescentes restrições e tensões, trazendo uma mensagem de solidariedade, fé e perseverança a uma comunidade que enfrenta desafios profundos.
Durante a Missa celebrada na Igreja Latina de Cristo Redentor, o Patriarca destacou a importância de preservar a presença cristã na Terra Santa, mesmo em circunstâncias adversas. Acompanhado pelo pároco local, Padre Bashar Fawadleh, e pelo Padre Davide Meli, ele se dirigiu aos fiéis com palavras de encorajamento.
“Eu posso não ter respostas no nível humano ou mundano, mas creio em Deus. E tenho certeza de que, n’Ele, podemos continuar a dar vida, mesmo aqui em Taybeh”, afirmou o cardeal.
No início da liturgia, o Pe. Bashar acolheu o Patriarca como alguém que chega “entre o seu povo e em sua casa”. Segundo o Patriarcado Latino de Jerusalém, o pároco descreveu a presença do cardeal como a de um pai ao lado dos filhos em tempos difíceis, lembrando que a comunidade não está isolada e que a Igreja continua comprometida em apoiar seu povo, carregando “a cruz e a esperança desta terra”.
Uma festa que aponta para a esperança
Refletindo sobre a Festa da Assunção, o Cardeal Pizzaballa a descreveu como “um fruto da Ressurreição”. Ele afirmou que Maria oferece aos cristãos um modelo para olhar a realidade com os olhos divinos, e não apenas com cálculos humanos. Essa mensagem foi ligada diretamente à situação atual de Taybeh: mesmo quando o futuro parece incerto, a comunidade é chamada a permanecer firme na esperança.
Um tema central da homilia foi a necessidade de proteger o bem-estar espiritual diante da adversidade. O Patriarca alertou contra o domínio do medo, do desespero ou das circunstâncias difíceis nos corações dos fiéis. A preservação da presença cristã, segundo ele, depende não só da resistência física, mas também da resiliência espiritual.
“Queremos continuar sendo uma comunidade que gera vida, sem renunciar aos nossos direitos, ao nosso direito à vida. Portanto, sejam corajosos. Não tenham medo”, declarou.
Ele também mencionou que acompanha de perto os acontecimentos em Taybeh por meio de mensagens regulares do Pe. Bashar, reforçando seu compromisso pessoal com a aldeia.
Contexto de restrições e pressão crescente
A visita aconteceu no contexto de uma ordem militar israelense emitida em julho que declarou a área de “Taybeh e Rimon” zona militar fechada. A medida proíbe a entrada e permanência de israelenses e estrangeiros, abrangendo parte da área construída da aldeia, terras agrícolas, espaços religiosos e locais de importância histórica. Isso levantou dúvidas sobre o acesso de peregrinos, visitantes, jornalistas, voluntários e outros estrangeiros.
Taybeh, localizada cerca de 12 a 15 km a nordeste de Ramallah e a aproximadamente 30 km de Jerusalém, é tradicionalmente identificada como a antiga cidade bíblica de Efraim. Segundo o Evangelho de João (11,54), foi para lá que Jesus se retirou com os discípulos após a ressurreição de Lázaro, antes de seguir para Jerusalém. A aldeia possui ruínas da Igreja de São Jorge, do século V, um dos mais antigos locais cristãos da Terra Santa. Seu nome atual, que significa “boa” ou “gentil” em árabe, teria sido dado por Saladino no século XII, impressionado com a hospitalidade dos habitantes.
Com cerca de 1.200 habitantes — todos cristãos de tradições latina, melquita e ortodoxa grega —, a população diminuiu significativamente nas últimas décadas devido a dificuldades econômicas, restrições de movimento e, mais recentemente, ao aumento da violência de colonos israelenses. Relatos locais e de organizações internacionais apontam ataques repetidos, incluindo incêndios em terras agrícolas e oliveiras, invasões de propriedades, destruição de equipamentos e intimidações. Novos postos avançados de colonos cercam a aldeia, intensificando a pressão sobre terras e o senso de isolamento.
A ordem de zona militar fechada foi apresentada pelas autoridades israelenses como resposta a ataques de israelenses na região, visando proteger os residentes. No entanto, líderes locais, incluindo o Pe. Bashar e o prefeito, expressaram ceticismo quanto à sua eficácia prática, temendo que ela possa limitar a presença de observadores internacionais e aprofundar o isolamento, sem necessariamente impedir a continuidade das agressões.
Um testemunho para além das fronteiras
O Cardeal Pizzaballa reafirmou a determinação da Igreja em apoiar as comunidades cristãs em toda a região: “Continuaremos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para preservar a presença da Igreja aqui, em todos os níveis, em toda a Terra Santa.”
Ele ressaltou que a experiência de Taybeh tem importância que ultrapassa seus limites. À medida que a situação da comunidade ganha mais visibilidade, o Patriarca conclamou os residentes a reconhecer o valor do seu testemunho: “Seu exemplo é importante para que possamos continuar a ser uma voz cristã no meio desta situação tão complexa.”
A mensagem combinou encorajamento pastoral com um chamado à firmeza. Taybeh é apresentada como presença cristã viva na Terra Santa, convidada a permanecer enraizada na fé, na esperança e na coragem, mesmo diante dos desafios.
Em um contexto de crescente tensão na Cisjordânia, a visita do Patriarca Latino de Jerusalém serve como sinal concreto de proximidade e solidariedade. Para a pequena comunidade de Taybeh, ela reforça a convicção de que não estão sozinhos e de que a fé continua a ser fonte de vida e perseverança.





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