Gaudium news > Assunção de Nossa Senhora: a vitória da humildade

Assunção de Nossa Senhora: a vitória da humildade

A humildade é verdadeira fonte de grandeza, e nada atrai mais a Deus do que uma alma humilde.  

"Assunção de Nossa Senhora" - Afresco da Abadia Beneditina de Subiaco (Itália) - Foto: Timothy Ring

“Assunção de Nossa Senhora” – Afresco da Abadia Beneditina de Subiaco (Itália) – Foto: Timothy Ring

Redação (16/08/2026 11:03, Gaudium Press) Hoje festejamos a solenidade da Assunção de Nossa Senhora aos céus. O Evangelho escolhido para esta comemoração demonstra como uma alma humilde atrai sobre si o olhar do Altíssimo e se torna uma verdadeira fonte de maravilhas operadas por Ele.

Aqueles que marcam a história

É curioso observar que as pessoas que verdadeiramente marcam a história e são lembradas pelas gerações posteriores são aquelas que, durante sua vida, procuraram ser agradáveis a Deus, desejando sempre a maior glória do Criador, sem se preocupar com a consideração que os demais pudessem ter de sua pessoa. Em sentindo contrário, por mais que alguém tenha adquirido fama e reconhecimento junto aos seus contemporâneos, com o passar das décadas vai sendo esquecido.

Quantas pessoas hoje em dia conhecem o nome de Santa Teresinha? É raro encontrar quem não tenha ouvido falar da Santa de Lisieux. Agora, quantos já ouviram falar do renomado escritor francês Victor Hugo? Acredito que o número seja bem menor e continue a decrescer com o passar dos anos…

Porque olhou para a humildade de sua serva

Diz Nossa Senhora no Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações Me chamarão Bem-Aventurada” (Lc 1, 46-48). Foi precisamente em razão da humildade da Santíssima Virgem que o Altíssimo deitou Seu olhar sobre Ela e fez com que, daquele momento em diante, todos A proclamassem Bem-Aventurada.

Percebemos, assim, que a humildade é verdadeira fonte de grandeza, e nada atrai mais a Deus do que uma alma humilde. Ainda que alguém pratique todas as virtudes, se estas não estiverem fundamentadas sobre o alicerce da humildade, serão como uma casa edificada sobre a areia que, à primeira tormenta, todo o edifício se desfaz. Afirma São Bernardo que, se Nossa Senhora não fosse humilde, o Espírito Santo não repousaria sobre Ela e, consequentemente, Ela não teria dado à luz o Messias.[1] Ora, entre todas as prerrogativas de Maria Santíssima, a maior é a de ser Mãe de Deus, pois as demais decorrem desta.

Podemos, portanto, concluir que, se Nossa Senhora recebeu a honra de ser assunta aos céus, foi especialmente porque era humilde. Diz São Tomás que quanto mais uma pessoa é humilde, tanto maior se torna diante de Deus.[2] De tal modo Ela foi eminente na prática dessa virtude que Deus quis levá-la aos céus de corpo e alma, sendo o primeiro membro do Corpo Místico de Cristo a experimentar as alegrias do corpo em estado de glória.

A certeza de nossa ressureição

“Embora a Igreja não tenha definido se Maria morreu ou não, é dogma de Fé que Ela transpôs os umbrais da eternidade em corpo e alma, realizando o plano de Deus. Sua Assunção oferece-nos um penhor de esperança que, em certo sentido, pode ser considerado ainda maior que o da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta ousada afirmação fundamenta-se no fato de que Ela, enquanto pura criatura, é a Filha Primogênita da Igreja e o membro de máxima elevação do Corpo Místico de Cristo, encontra-se, por isso, mais próxima de nossa contingência humana que que seu Divino Filho, que é Homem, mas também é Deus. Assim, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora deve encher-nos de confiança, pois nEla contemplamos a realização daquilo que acontecerá àqueles que forem fiéis a Deus, conforme afirma São Paulo na primeira leitura ‘Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão’ (I Cor 15, 21-22)”.[3]

Peçamos à Virgem Santíssima, nessa solenidade de sua entrada nos céus em corpo e alma, que nos conceda a graça de vivermos sempre em função de Deus, certos de que, quanto mais exímios formos na prática da humildade, mais O agradaremos em todos os nossos atos.

Por Kaio Calixto


[1] Cf. BERNARDO DE CLARAVAL, Santo. Em louvor da Virgem Mãe. Homilia I, n.5.

[2] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica, II-II, q.161, a.2, ad 2.

[3] CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos. Città del Vaticano: LEV; São Paulo: Lumen Sapientiæ, 2013, v.VII, p.192.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas