Superstição é pecado?
Quem nunca se vestiu de branco na virada do ano ou verificou se algum horóscopo se alinhava? Sabia que isso não é permitido ao católico?

Foto: Josh Rangel/ Unsplash
Redação (07/08/2026 09:55, Gaudium Press) Torna-se cada vez mais comum, nos dias de hoje, a prática de algum tipo de superstição. Essa nova “religião” passou a ser uma das mais praticadas, embora não ofereça nenhuma garantia de realização aos seus seguidores.
O leitor certamente já viu alguém consultar adivinhos para prever o seu futuro, ou utilizar amuletos que supostamente trazem sorte, enfim, quantas outras práticas supersticiosas.
Esse fenômeno não é superficial, mas é um desvio de uma necessidade autêntica e profunda do ser humano.
Superstição: o que é?
Neste mundo em que estamos inseridos, o homem ainda é considerado um ser religioso por natureza. É na religião que ele encontra o sentido de sua existência e dela extrai seus valores éticos e morais.
Contudo, o homem facilmente se desvia. A religião, uma inclinação natural de busca a Deus, pode acabar substituída pela superstição, com a qual o homem procura preencher seu vazio interior com um meio termo entre o material e o transcendental.
Deste modo, a superstição surge como uma válvula de escape, constituindo uma espécie de religião sem fé, ou melhor, uma fé que não exige preceitos nem compromissos sérios com um Deus que premia e castiga.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que a superstição “é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo, quando atribuímos importância, de alguma maneira mágica, a certas práticas, em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que elas exigem, é cair na superstição”.[1]
Algumas práticas supersticiosas
O homem do tão desenvolvido e, ao mesmo tempo, obscuro, século XXI — quiçá no futuro chamaremos este período de verdadeira “idade das trevas” —, tão ansioso e frenético na busca do domínio completo sobre tudo, acaba querendo também dominar os bens sobrenaturais que Deus dispôs para a nossa salvação eterna.
Práticas errôneas que pretendem descobrir o futuro — “a consulta aos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns — escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, juntamente com o desejo de ganhar para si os poderes ocultos”.[2]
Destronar a Deus
Será que a irreligião da superstição não é um péssimo desejo do homem de sentir-se um “outro deus”?
Não apenas comete pecado o católico que recorre à superstição, mas engana-se a si mesmo. Há um só Deus, e a Ele somente pertence o futuro. Deus pode revelar o futuro a seus profetas ou a outros santos. Todavia, a atitude cristã correta consiste em entregar seu porvir nas mãos da Providência com confiança, e em abandonar toda curiosidade doentia a esse respeito.
Por outro lado, “a imprevidência pode ser uma falta de responsabilidade”,[3] e talvez seja essa uma das explicações para o incontrolável aumento das práticas supersticiosas.
O homem está optando por não confiar na Providência Divina. O resultado é evidente: ele se entrega à imprevidência da superstição, na tentativa de obter alguma segurança interior que o auxilie na curta jornada nesta terra.
Cuidado! “Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele prestarás culto” (Lc 4,8).
Por João Lucas Guimarães
[1] CCE 2111. Catecismo da Igreja Católica. CNBB: Brasília, 5. Edição, 2023, p.594.
[2] CCE 2116. Catecismo da Igreja Católica. CNBB: Brasília, 5. Edição, 2023, p.595.
[3] CCE 2115. Catecismo da Igreja Católica. CNBB: Brasília, 5. Edição, 2023, p.595.





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