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Audiência Geral: a Liturgia das Horas santifica o tempo da nossa vida diária

Após um mês de férias de verão, Leão XIV retoma suas audiências gerais no Vaticano. O Papa proferiu sua quinta catequese sobre a Sacrosanctum Concilium, dedicada à dimensão eclesial da Liturgia das Horas.

Foto: Vatican Media

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Redação (05/08/2026 09:28, Gaudium Press) O Papa Leão XIV retomou nesta quarta-feira, 5 de agosto, as suas Audiências Gerais após algumas semanas de férias de verão em Castel Gandolfo. Diante de milhares de fiéis reunidos na Basílica de São Pedro, o Santo Padre deu continuidade à sua reflexão sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, dedicando a catequese à dimensão eclesial da Liturgia das Horas.

“Como sugere o Apóstolo Paulo, é o Espírito Santo que nos ensina a rezar”, afirmou o Papa. Desde o dia de Pentecostes, o Espírito habita a Igreja, inspirando todas as suas atividades e, de modo particular, a oração. A partir de então, a Igreja nunca deixou de se reunir em assembleia para celebrar o Mistério Pascal: lendo as Escrituras, celebrando a Eucaristia e dando graças a Deus em Cristo Jesus, pela virtude do Espírito Santo.

Redescobrir a verdade da oração

No tempo atual, continuou Leão XIV, “em contextos dominados por uma mentalidade eficientista e consumista, a oração pode parecer algo inútil e irrisório. Num mundo em que a ciência e a técnica pretendem oferecer todas as respostas, rezar pode aparecer como uma forma de evasão ou, ainda, ser confundida com uma técnica psicológica voltada apenas para o bem-estar pessoal”. O Papa alertou que a oração, como dimensão fundamental da nossa humanidade, merece ser redescoberta na sua verdade.

A Constituição Sacrosanctum Concilium levou a sério essa exigência. O Papa recordou as palavras de São Paulo VI, que, ao promulgar o documento, afirmou: “Deus, em primeiro lugar; a oração, a nossa primeira obrigação; a Liturgia, fonte primeira da vida divina que nos é comunicada, primeira escola da nossa vida espiritual”.

A liturgia como lugar de encontro com Deus

Na Sacrosanctum Concilium, o termo “oração” designa toda a liturgia. Essa perspectiva é decisiva, pois orientou a reforma litúrgica, colocando no centro a participação ativa dos fiéis. A liturgia é apresentada sobretudo como o lugar do encontro, da iniciativa de Deus que se faz próximo da humanidade no seu Filho.

São Paulo VI desejava ardentemente que a Liturgia das Horas — a oração pública diária da Igreja, inseparável da Eucaristia — permeasse profundamente a vida espiritual do povo de Deus. Ela pode oferecer caminho e escola de oração cristã, especialmente para quem deseja aprender a rezar, inclusive os catecúmenos.

Santificar o cotidiano

Todas as semanas e todos os dias, a Eucaristia e a Liturgia das Horas são o sopro da vida da Igreja, que faz circular o Espírito Santo através do seu Corpo. Nessa oração, Cristo une a si toda a humanidade e a associa ao cântico divino de louvor ao Pai.

Ligada à Eucaristia, cuja luz prolonga, a Liturgia das Horas santifica o tempo da vida cotidiana: de manhã, começa-se o dia com fé e gratidão; ao meio-dia, pede-se a força para permanecer fiel no meio das fadigas; à tarde, as Vésperas acompanham o pôr do sol; à noite, adormece-se confiando-se à paz de Deus. “Cada Hora é um ato de esperança”, afirmou o Papa. “Durante a peregrinação terrena, vigiamos aguardando, com toda a Igreja, o regresso glorioso do Senhor”.

Ao final, o Santo Padre saudou os fiéis de língua portuguesa, em particular um grupo de escoteiros de Setúbal e peregrinos do Rio Grande do Sul, convidando a reavivar nas famílias e nas comunidades paroquiais a oração litúrgica, que une o Povo de Deus a caminho.

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