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Leão XIV no Ângelus: Cristo sacia nossa fome de verdade e de vida

Leão XIV comentou a leitura do Evangelho do dia, de São Mateus (14,13-21), refletindo sobre os sinais realizados por Jesus, que “não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos”.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (02/08/2026 12:23, Gaudium Press) Neste domingo, 2 de agosto, o Papa Leão XIV retomou a oração do Ângelus na Praça de São Pedro, após algumas semanas de descanso em Castel Gandolfo. Diante de milhares de fiéis reunidos sob as janelas dos aposentos pontifícios, o Pontífice comentou o Evangelho de São Mateus (Mt 14,13-21), que narra a multiplicação dos cinco pães e dois peixes, com os quais Jesus saciou uma grande multidão.

Em sua meditação, o Papa destacou que os gestos de Jesus são sinais de sua dedicação e da salvação que Ele traz ao mundo. “Quando ouvimos o Evangelho, frequentemente escutamos falar dos sinais realizados por Jesus: são gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo”, afirmou.

Leão XIV explicou que, ao devolver a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo não realiza apenas milagres espetaculares, mas anuncia que o Reino de Deus está próximo. O mesmo acontece na multiplicação dos pães: “Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos. […] Da mesma forma, Jesus dá aos que têm fome o alimento para comer: o episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva. No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida”.

O Papa sublinhou a superabundância do dom de Deus: “Com Ele, o essencial é abundante: ‘Todos comeram e ficaram saciados’; e, com o que sobrou, ‘encheram doze cestos’ (v. 20). Este número realça que a dádiva do Senhor é universal e que a sua providência para conosco nunca falha”.

Cristo sacia a fome de verdade e de vida

“Caríssimos, Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”, declarou o Santo Padre. Ao mesmo tempo, o gesto de partilha ensina que nada se desperdiça quando é compartilhado.

Em contraste com essa generosidade divina, Leão XIV alertou para os perigos da ganância humana: “A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância. Esta doença da alma faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.

O milagre da caridade e o convite à partilha

O Papa convidou os fiéis a contemplar os gestos de Jesus no contexto atual: “No deserto da guerra e da arrogância, observemos com que benevolência o Senhor ‘ergueu os olhos ao céu’, ‘pronunciou a bênção’, ‘partiu os pães e deu-os’ aos seus discípulos, para que os distribuíssem à multidão (cf. v. 19). Neste milagre da caridade, reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice. Com efeito, nessa ocasião o Filho de Deus entrega-nos a sua própria vida, como nosso irmão na humanidade”.

Leão XIV incentivou os cristãos a testemunhar a beleza da Eucaristia nos gestos cotidianos: “Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos quotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos. Na companhia de Jesus, também as férias podem tornar-se um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade”.

Por fim, o Papa pediu à Virgem Maria que ajude a Igreja a crescer na caridade, “para que a ninguém falte o pão de cada dia”.

Após o Angelus, Leão XIV expressou preocupação com a situação em Ceuta, pediu orações pela paz no mundo e lembrou a celebração do “Perdão de Assis”, no oitavo centenário da morte de São Francisco.

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