Seul 2027: a primeira JMJ de Leão XIV entra na reta decisiva
A ocasião permitirá ao Papa apresentar, de forma ainda mais clara, sua mensagem às novas gerações e indicar as prioridades espirituais e missionárias de seu pontificado.
Redação (30/07/2026 07:59, Gaudium Press) A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou nesta quinta-feira, 30 de julho, novas informações sobre os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027. Exatamente a um ano do encontro, a organização anunciou a passagem da fase de planejamento para a de implementação plena, com avanços concretos nas áreas de cooperação internacional, acolhida dos peregrinos, hospedagem, transporte, segurança, atendimento médico e comunicação.
A edição sul-coreana terá um significado especial: a primeira JMJ internacional do pontificado de Leão XIV. O Papa já manifestou publicamente sua expectativa de encontrar os jovens em Seul e tem apresentado a Jornada como uma continuidade da peregrinação de esperança iniciada no Jubileu. Trata-se da primeira grande oportunidade para o novo Pontífice dialogar diretamente com centenas de milhares de jovens provenientes de todos os continentes.
Seul será, portanto, o primeiro grande encontro mundial de Leão XIV com a juventude católica fora de Roma. A ocasião permitirá ao Papa apresentar, de forma ainda mais clara, sua mensagem às novas gerações e indicar as prioridades espirituais e missionárias de seu pontificado. Não será apenas a continuidade de um evento herdado de Francisco, mas a oportunidade para Leão XIV imprimir sua própria marca pastoral a uma das maiores mobilizações da Igreja contemporânea.
O calendário anunciado para o segundo semestre de 2026 confirma que a preparação já entrou em ritmo acelerado. No próximo dia 3 de agosto, será lançado o hino oficial da JMJ, escolhido entre 434 composições inscritas, das quais 294 foram enviadas de fora da Coreia. A música vencedora, composta pelo coreano Francis Jiyoon Kim, recebeu o título latino Confidite, Ego Vici Mundum (“Tende coragem, Eu venci o mundo”), inspirado no versículo bíblico que é o tema da Jornada.
Na mesma data será lançada a campanha mundial de plantio de árvores Breath of Life, inspirada na Encíclica Laudato Si’. Jovens de diferentes países serão convidados a plantar árvores e compartilhar sua participação nas redes sociais. A iniciativa busca reduzir o impacto ambiental das peregrinações e deixar um legado concreto para além do encontro de 2027.
As inscrições internacionais para peregrinos e voluntários também serão abertas no segundo semestre deste ano. Os pacotes incluirão hospedagem, alimentação, transporte, seguro e o kit oficial do peregrino. Atualmente, 378 voluntários já participam dos preparativos, mas a organização pretende ampliar significativamente esse número por meio de recrutamento dentro e fora da Coreia.
Antes dos atos centrais em Seul, previstos para os dias 3 a 8 de agosto de 2027, os peregrinos internacionais participarão dos tradicionais Dias nas Dioceses. Entre 29 de julho e 2 de agosto, grupos de jovens serão acolhidos em 15 dioceses coreanas, onde poderão conhecer as comunidades locais e vivenciar de perto a fé e a cultura do país.
O arcebispo de Seul e presidente do Comitê Organizador Local, Dom Peter Soon-taick Chung, afirmou que os últimos três anos foram dedicados à construção das bases do evento. Segundo ele, o próximo ano será o momento de concluir os preparativos e acolher jovens de todas as partes do mundo, fazendo da JMJ uma celebração da esperança e um testemunho da hospitalidade e da solidariedade coreanas.
A escolha de Seul possui ainda um evidente significado missionário. Esta será apenas a segunda JMJ realizada na Ásia, depois de Manila, em 1995, e a primeira sediada por um país no qual o Cristianismo é uma fé minoritária. A Igreja universal encontrará uma sociedade marcada pela diversidade religiosa, pelo acelerado desenvolvimento tecnológico e por profundas transformações culturais.
Se Lisboa representou a grande retomada das Jornadas após a pandemia, Seul poderá inaugurar uma nova etapa. Será a primeira JMJ de Leão XIV, a primeira realizada na Coreia do Sul, e uma oportunidade singular para colocar a juventude asiática no centro da atenção da Igreja. Mais do que um encontro multitudinário, a Jornada de 2027 poderá revelar como o novo Papa pretende conduzir o diálogo com uma geração inquieta, hiperconectada e, muitas vezes, distante da fé, mas que continua buscando sentido, esperança e transcendência. Nesse aspecto, Seul poderá marcar não apenas o início de uma nova JMJ, mas também um novo capítulo do pontificado de Leão XIV.
Quando João Paulo II criou as JMJs dizia-se que ele se tornou um “Papa Pop”, porque suas mensagens chegavam ao coração de jovens que não eram católicos. Leão XIV terá agora a chance de ir além deste título e de se tornar um “Papa K-pop”, ao conseguir conectar-se com a juventude coreana (altamente secularizada), levando sua mensagem para além do público católico.
Por Rafael Ribeiro





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