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China: duas ordenações episcopais na Mongólia Interior

Leão XIV nomeou mais dois bispos chineses no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China.

Foto: chinacatholic.cn

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Redação (30/07/2026 08:13, Gaudium Press) A Igreja Católica na China vive um momento de dinamismo nas nomeações episcopais. Em 22 de julho, Dom José Chang Yanfeng, de 42 anos, foi ordenado bispo da diocese de Chifeng, na Região Autônoma da Mongólia Interior. Apenas uma semana depois, em 29 de julho, outra ordenação ocorreu na mesma região: Dom Francisco Xavier Duan Yongkun, de 45 anos, como bispo coadjutor de Bameng (Bayannur). Esses eventos consecutivos destacam a continuidade da questionada cooperação entre Pequim e a Santa Sé no âmbito do Acordo Provisório sobre nomeações episcopais.

A ordenação em Chifeng

A diocese de Chifeng estava vacante havia cerca de 20 anos, desde a morte de Dom André Zhu Wenyu em 2006. Dom Chang Yanfeng, nomeado pelo Papa Leão XIV em 15 de junho passado, com aprovação no quadro do acordo, foi ordenado na igreja católica do distrito de Hongshan. Cerca de 400 fiéis, sacerdotes e religiosas participaram da celebração, presidida por Dom Paulo Meng Qinglu, bispo de Hohhot e vice-presidente da Associação Patriótica Católica Chinesa, com co-consagrantes Dom José Pei Junmin e Dom Antônio Yao Shun.

Nascido em 4 de abril de 1984, com formação no Seminário de Shenyang e mestrado em Teologia Bíblica na Coreia do Sul, Dom Chang atuava como administrador diocesano desde 2021 e diretor local da Associação Patriótica. A Igreja nessa região conta com cerca de 50 mil fiéis, 30 sacerdotes e 20 religiosas.

Segunda ordenação em Bameng

Apenas sete dias depois, Dom Francisco Xavier Duan Yongkun foi ordenado Bispo Coadjutor de Bameng – região autônoma da Mongólia Interior –, na Igreja de São Domingos, em Shanba (Bayannur). Aproximadamente 350 pessoas, incluindo sacerdotes, religiosas e leigos, acompanharam a liturgia, novamente presidida por Dom Paulo Meng Qinglu. Entre os co-consagrantes estavam Dom José Yang Xiaoting, Dom Matias Du Jiang, Dom Antônio Yao Shun e o recém-ordenado Dom José Chang Yanfeng.

Nascido em 6 de dezembro de 1980 em Hangjin Houqi, na Mongólia Interior, Dom Duan estudou no Seminário Teológico de Hebei (2000-2007), continuou formação na Universidade de Pequim e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. Foi ordenado sacerdote em 1º de janeiro de 2011. Entre 2013 e 2016, estudou na Universidade Católica Fu Jen, em Taiwan. Atuou como diretor do centro de formação diocesano, vigário-geral e pároco da catedral, colaborando estreitamente com Dom Matias Du Jiang.

Com cerca de 40 mil católicos, 30 sacerdotes e 20 religiosas da Congregação da Santa Mãe, a diocese de Bameng mantém vida pastoral ativa: catequese, retiros, obras de caridade, grupos de jovens e vocações, estudo bíblico e um conselho pastoral que organiza, desde 2010, um concerto anual de música sacra.

Histórico do Acordo Vaticano-China

Ambas as nomeações foram aprovadas pelo Papa Leão XIV dentro do Acordo Provisório, assinado em setembro de 2018, durante o pontificado de Francisco. Renovado em 2020, 2022 e estendido por mais quatro anos em outubro de 2024, o texto do acordo nunca foi divulgado publicamente. Dom Duan é o 16º bispo chinês ordenado em plena comunhão com o Papa sob esse mecanismo.

Defensores do acordo argumentam que ele preserva o diálogo, ajuda a superar a divisão histórica entre Igreja oficial e subterrânea e favorece a unidade dos católicos chineses. Críticos, porém, questionam a falta de transparência e os possíveis impactos sobre as comunidades que permaneceram fiéis a Roma mesmo sob décadas de pressão e perseguição. As ordenações consecutivas na Mongólia Interior evidenciam essa cooperação contínua, mas sempre delicada.

Contexto regional

Devido à imigração maciça de colonos chineses Han nas últimas décadas, os mongóis étnicos representam agora menos de 20% dos 25 milhões de habitantes da Mongólia Interior. As dioceses de Chifeng e Bameng inserem-se em um momento particular. A Lei de Promoção do Progresso da Unidade Nacional Étnica, em vigor desde 1º de julho de 2026, reforça a sinicização das religiões, prioriza o mandarim na educação e promove a “consciência de comunidade da nação chinesa”. Antes da ordenação, Dom Chang Yanfeng participou de reuniões que enfatizaram a adesão a essas diretrizes estatais, insistindo na necessidade de seguir fielmente as instruções vindas de Pequim.

As raízes católicas na área remontam aos missionários franceses (MEP) a partir de 1835 e, especialmente, aos Padres de Scheut,[1] Congregação do Imaculado Coração de Maria (CICM), que evangelizaram as populações mongóis. Após as dificuldades do século XX e da Revolução Cultural, as comunidades renasceram nos anos 1980 e hoje buscam preservar a fé em meio às exigências do partido comunista.

É possível o Catolicismo viver em uma China que busca alinhar identidade religiosa à unidade nacional comunista?


[1] A congregação foi fundada em 1862 pelo sacerdote belga Théophile Verbist, em Scheut, um subúrbio de Bruxelas, na Bélgica, destacando-se por forte atuação missionária internacional.

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