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Bispo da Diocese de Aberdeen declara excomunhão do fundador dos Redentoristas Transalpinos

A Diocese já concluiu seu processo canônico e proferiu sua sentença: considero o Pe. Michael Mary culpado das acusações que lhe foram imputadas, principalmente a de cisma. Ele é, portanto, declarado excomungado, destituído do cargo eclesiástico e proibido de celebrar a missa ou administrar os demais Sacramentos.

Foto: Transalpine Redemptorists/ X

Foto: Transalpine Redemptorists/ X

Redação (28/07/2026 09:37, Gaudium Press) Em um episódio que marca uma escalada dramática nas tensões entre setores tradicionalistas e a hierarquia católica, o fundador e líder de uma comunidade religiosa sediada na remota ilha de Papa Stronsay, na Escócia, foi declarado excomungado. O bispo Hugh Gilbert, OSB, da Diocese de Aberdeen, anunciou a decisão em 25 de julho passado, após um processo canônico que concluiu pela culpa de cisma do Pe. Michael Mary Sim, F.SS.R.

Detalhes da decisão diocesana

De acordo com o comunicado oficial da Diocese de Aberdeen, o Pe. Michael Mary Sim, reitor-maior da Congregação dos Filhos do Santíssimo Redentor (conhecida como Redentoristas Transalpinos), foi declarado excomungado, destituído de seu cargo eclesiástico e proibido de celebrar Missa ou administrar os sacramentos.

O principal motivo foi a adoção do sedevacantismo pela comunidade — posição que rejeita a legitimidade do Papa Leão XIV e dos bispos em comunhão com ele. O sedevacantismo também questiona a validade das ordenações realizadas segundo os ritos pós-conciliares e estabelece uma oposição entre uma suposta “Igreja antiga” e uma “Igreja nova”. Para o bispo Gilbert, tais posições são incompatíveis com a eclesiologia católica e a unidade da Igreja.

 “Lamentavelmente, considero o Pe. Michael Mary culpado das acusações que lhe foram feitas, principalmente a de cisma”.

A excomunhão é considerada, no Direito Canônico, uma pena medicinal, destinada a incentivar o arrependimento e a reconciliação, e não apenas uma punição. O bispo informou que os dicastérios competentes do Vaticano foram mantidos a par do processo e que as penalidades podem ser suspensas caso haja uma mudança sincera de coração e reparação adequada.

Consagração episcopal ilícita agrava a situação

No mesmo dia 25 de julho, o Pe. Michael Mary foi consagrado bispo em uma cerimônia transmitida ao vivo da ilha, sem autorização papal. O principal consagrante foi o bispo canadense sedevacantista Pierre Roy, acompanhado pelos bispos brasileiros Rodrigo Henrique Ribeiro da Silva e espanhol Fernando Altamira Alaníz. Todos eles estão ligados a círculos sedevacantistas e traçam sua linhagem episcopal ao arcebispo vietnamita Ngô Đình Thục.

O bispo Gilbert classificou a consagração como uma violação grave da lei da Igreja, afirmando que nenhum dos bispos participantes tinha permissão para atuar na diocese e que a cerimônia carecia do mandato papal exigido. “Isso representa uma ruptura clara com a Igreja”, declarou o bispo, alertando para novas penalidades canônicas.

História da comunidade

Os Redentoristas Transalpinos surgiram em 1988, de ambientes tradicionalistas, e se estabeleceram em Papa Stronsay (ilha privada no arquipélago de Orkney) em 1999. Diferente da congregação mundial dos Redentoristas fundada por Santo Afonso de Ligório, o grupo combina a Missa Tradicional Latina com a espiritualidade alfonsiana.

As relações com Roma melhoraram durante o pontificado de Bento XVI, com a ampliação do acesso à Missa em latim. Em 2008, a comunidade foi reconciliada com a Santa Sé, e em 2012 Dom Gilbert erigiu-a formalmente como instituto religioso clerical de direito diocesano.

No entanto, as tensões ressurgiram em outubro de 2025, com uma carta aberta rejeitando documentos importantes do pontificado de Francisco. Em 2 de maio passado, 28 membros da comunidade, incluindo o Pe. Michael Mary, assinaram uma declaração referindo-se aos papas pós-conciliares como “pretendentes papais”.

Resposta da Diocese e apelo à unidade

Diante da iminente consagração, o bispo Gilbert emitiu comunicados alertando para o ato ilícito e pediu que os sacerdotes celebrassem Missas pela unidade da Igreja. Uma carta pastoral foi lida nas paróquias nos dias 18 e 19 de julho. Paralelamente, a diocese ampliou a oferta da Missa Tradicional Latina em Aberdeenshire, agora celebrada por sacerdotes diocesanos que se distanciaram da comunidade.

No comunicado oficial, o bispo reforça: a congregação e seu superior deposto se colocaram fora da comunhão católica, e os fiéis devem evitar contatos. Ao mesmo tempo, a Igreja “convida urgentemente” ao arrependimento e acolhe de braços abertos quem retornar.

Posição do Pe. Michael Mary

Em sermão proferido em 26 de julho, o religioso neozelandês de 72 anos defendeu o caminho escolhido pela comunidade. Ele argumentou que as mudanças na liturgia geraram mudanças na fé (lex orandi, lex credendi), citando exemplos como o uso de guitarras, música folk e comunhão na mão. Criticou ainda a expansão das Missas tradicionais na diocese como medida “política” e chamou a hierarquia diocesana de “falsa hierarquia”, vendo a separação como uma bênção.

“Um grande alívio, uma clareza radiante, uma paz sagrada que o mundo não pode dar, e uma sensação de bem-estar para com todos aqueles que não encontraram o que nós encontramos – mesmo que busquem nos punir por termos encontrado o tesouro escondido no campo”, escreveu o Pe. Michael Mary em seu blog ao tomar conhecimento da excomunhão. “As ‘punições’ dos bem-intencionados não valem nada”, concluiu.

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