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São Pedro Poveda Castroverde: sacerdote, educador e mártir

São Pedro Poveda Castroverde, fundador da Instituição Teresiana, foi assassinado por ódio à fé durante a guerra civil espanhola.

Foto: Colégio Teresiano

Foto: Colégio Teresiano

Redação (27/07/2026 14:57, Gaudium Press) No dia 28 de julho, a Igreja Católica celebra a memória de São Pedro Poveda Castroverde, sacerdote espanhol fundador da Instituição Teresiana. Ele foi assassinado por ódio à fé durante os primeiros dias da Guerra Civil Espanhola, tornando-se um dos milhares de mártires daquele período turbulento.

Infância e vocação sacerdotal

Pedro José Luis Francisco Javier Poveda Castroverde nasceu em 3 de dezembro de 1874, em Linares, na província de Jaén (Andaluzia), como o primogênito de uma família numerosa e profundamente cristã. Seus pais, José Poveda Montes e María Linarejos Castroverde Moreno, transmitiram-lhe valores de fé e serviço desde cedo. Aos 14 anos, ele ingressou no Seminário de Jaén, demonstrando clara vocação sacerdotal.

Por dificuldades econômicas, transferiu-se para o Seminário de Guadix (Granada), graças a uma bolsa oferecida pelo bispo local. Lá conciliou estudos eclesiásticos com formação civil, sendo ordenado sacerdote em 17 de abril de 1897, aos 23 anos. Pouco depois, obteve a licenciatura em Teologia em Sevilha.

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Trabalho com os mais pobres em Guadix

Logo após a ordenação, Poveda destacou-se por sua dedicação pastoral. Ensinou no seminário (cadeiras como Física, Química, Patrologia e Hebraico), foi diretor espiritual de seminaristas e envolveu-se intensamente na evangelização. Seu trabalho mais marcante foi com os “cueveros” — famílias pobres, incluindo ciganos e excluídos, que viviam em cavernas nos arredores de Guadix, em condições precárias.

Em 1902, fundou as Escuelas del Sagrado Corazón, oferecendo educação gratuita, catequese, alimento e roupa aos mais necessitados.

Covadonga e o surgimento da visão educativa

Em 1906, foi nomeado cônego da Basílica de Covadonga, em Astúrias, onde permaneceu até 1913. Ali aprofundou reflexões sobre educação e fé, escrevendo sobre a relação entre ciência e religião, e preocupando-se com a formação cristã dos peregrinos. Entendeu que a educação era essencial para combater a pobreza, a ignorância e promover o desenvolvimento humano pleno, especialmente em uma Espanha com altos índices de analfabetismo (cerca de 68% dos homens e 79% das mulheres no final do século XIX).

Fundação da Instituição Teresiana

De volta a Jaén em 1913, conheceu Maria Josefa Segovia Morón, jovem educadora que se tornaria sua principal colaboradora e primeira diretora geral da obra. Em 1911, já havia fundado em Oviedo a primeira Academia Santa Teresa de Ávila, uma residência para estudantes do magistério (inicialmente para mulheres), visando formar educadores cristãos competentes para a escola pública.

Outras academias surgiram em Linares, Jaén e outras cidades. Em 1914, inaugurou em Madrid a primeira residência universitária feminina da Espanha, promovendo o acesso das mulheres ao ensino superior — uma iniciativa audaciosa para a época. Em 1917 obteve aprovação diocesana e civil; em 1924, o Papa Pio XI aprovou a Instituição Teresiana como Pia União de caráter internacional.

A Instituição Teresiana (ou Associação Teresiana) é uma associação internacional de leigos católicos dedicada à educação e cultura, com o lema “Deus dominus scientiarum” (Deus, Senhor das Ciências). Seus membros, homens e mulheres profissionais, atuam em escolas, universidades, centros sociais, editoras e projetos de promoção humana, inspirados no carisma de Santa Teresa de Jesus e na visão de Poveda: cristãos presentes no mundo como “sal e fermento”, unindo fé e competência profissional.

Hoje presente em cerca de 30 países nos cinco continentes, a IT impulsiona projetos educativos, sociais e culturais, como a ONG InteRed, e continua formando educadores para uma sociedade mais justa.

Em Madrid e o martírio

Pedro PovedaEm 1921, Poveda foi nomeado capelão da Casa Real em Madrid, cargo que conciliou com a expansão da Instituição, a criação da Federação de Amigos da Ensino e o apoio a professores católicos. Preocupava-se com a atualização pedagógica, a dignidade profissional e a formação espiritual dos educadores.

Com o início da Guerra Civil Espanhola em julho de 1936, eclodiu uma violenta perseguição religiosa. Apesar dos conselhos para deixar a capital, Poveda decidiu permanecer junto à sua obra. Foi preso depois de ter celebrado a Santa Missa em 27 de julho de 1936. Milicianos invadiram sua casa na rua Alameda, nº 8 (sede também da Instituição). Ele se apresentou dizendo com firmeza: “¡Soy sacerdote de Cristo!”. Foi detido junto com seu irmão Carlos.

Durante o traslado, repetiu sua identidade sacerdotal e perdoou os algozes. Na madrugada de 28 de julho de 1936, foi fuzilado no Cemitério do Leste (hoje Almudena), em Madrid, aos 61 anos. Seu corpo foi encontrado por duas teresianas.

Beatificado por João Paulo II em 10 de outubro de 1993 (junto com a teresiana Victoria Díez), foi canonizado pelo mesmo papa em 4 de maio de 2003, durante uma visita a Madrid, em cerimônia na Plaza de Colón. A UNESCO reconheceu-o como humanista e pedagogo no centenário de seu nascimento (1974).

“Crer firmemente e calar não é possível”, dizia ele. Um lema que viveu até o fim.

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