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Associação Internacional de Exorcistas alerta sobre as Constelações Familiares

Segundo a teoria das “constelações familiares”, os problemas, dificuldades e doenças das pessoas são associados a eventos existenciais e destinos de membros anteriores da família ou de seu grupo étnico.

Foto: GR Stocks / Unsplash

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Redação (22/07/2026 16:50, Gaudium Press) A Associação Internacional de Exorcistas (AIE) emitiu um alerta, em 15 de julho passado, sobre os riscos morais e espirituais da técnica conhecida como Constelações Familiares, criada pelo alemão Bert Hellinger (1925-2019). Segundo o documento, essa prática não possui embasamento científico e carrega elementos diretamente ligados ao espiritismo e ao pensamento New Age, o que a torna incompatível com a fé católica.

O texto da AIE baseia-se em grande parte na análise do bispo brasileiro Dom Rubens Miraglia Zani, exorcista e apresentador no XIV Congresso Internacional da entidade, realizado em Roma em setembro de 2023. Ele destaca que, embora seja vendida como uma ferramenta terapêutica, as constelações envolvem dinâmicas de sugestão, persuasão e indução que misturam pseudopsicoterapia com crenças pseudomísticas.

De sacerdote católico a criador de uma pseudoterapia

Bert Hellinger foi um sacerdote católico e missionário na África do Sul, onde viveu entre as tribos zulus. Lá, absorveu suas crenças, costumes e rituais, em particular elementos do culto aos antepassados. Com o tempo, vivências ecumênicas e interculturais o levaram a tentar conciliar essas crenças nativas com o cristianismo. Ele também se aproximou da teosofia, corrente esotérica sincrética com influências maçônicas que busca uma “fraternidade universal” baseada em uma religião comum.

Posteriormente, Hellinger foi reduzido ao estado laical, afastou-se da fé cristã e mergulhou no estudo da psicanálise. Inspirou-se especialmente no trabalho da americana Virginia Satir e em suas “esculturas familiares” — um método de terapia de grupo em que participantes representam posições e relações familiares por meio de posturas corporais.

Uma técnica com dinâmica espírita

Segundo a teoria das “constelações familiares”, os problemas, dificuldades e doenças das pessoas estão ligados aos eventos existenciais e aos destinos de membros anteriores de sua família ou grupo étnico. Hellinger lembrou-se da crença religiosa Zulu nos ancestrais, com o papel dos xamãs, que adotavam práticas espiritualistas. Baseando-se em todas essas informações e experiências, Hellinger criou o “método” das “constelações familiares”.

O documento descreve detalhadamente o funcionamento das sessões. O paciente apresenta seu tema e o terapeuta solicita informações sobre sua história familiar, incluindo mortes prematuras, suicídios, doenças graves ou casamentos anteriores. Em seguida, o paciente escolhe, entre os membros do grupo terapêutico — de preferência desconhecidos —, aqueles que “representarão” seus familiares. Esses “atores” afirmam experimentar os mesmos sintomas e sentimentos da pessoa representada, mesmo que ela tenha falecido e eles nunca a tenham conhecido.

A AIE destaca que o perigo dessa dramatização, inspirada também no psicodrama de Jacob Levi Moreno, reside em sua analogia com práticas próprias do espiritismo. Hellinger atribuía a eficácia do método a uma “comunhão de almas” entre o ator e o representado, por meio da qual a “energia” pode “fluir” entre ambos. A associação ressalta que esse conceito recorrente de energia remete diretamente ao universo New Age e às suas implicações mágico-esotéricas, havendo uma perigosa semelhança com práticas espíritas de incorporação e mediunidade.

A nota destaca que a premissa fundamental das constelações familiares é que os problemas, dificuldades e doenças das pessoas estariam ligados às vicissitudes e aos destinos de membros anteriores de sua família ou grupo étnico, como se cada ser humano carregasse em si dados e condicionamentos herdados de vidas passadas. A AIE classifica essas afirmações como “absurdas no plano científico e discutíveis no plano moral”.

Incompatibilidade com a fé cristã

Dom Rubens Miraglia Zani alerta que as técnicas de persuasão, sugestão mental e indução constituem “uma estranha mistura de psicoterapia alternativa e doutrinas animistas e pseudomísticas”. Ele enfatiza que as constelações promovem uma visão de mundo New Age, onde a reencarnação, o karma familiar, a transmissão de culpas e sofrimentos ao longo da “árvore genealógica” numa linha de continuidade entre gerações passadas, presentes e futuras, inserem a técnica de constelação numa perspectiva iniciática, o que pode levar a situações de grande perigo moral e espiritual, substituindo a visão cristã da vida. Isso pode abrir portas para influências espirituais negativas, configurando um risco real de envolvimento com práticas ocultas.

O bispo lembra que a Igreja Católica oferece caminhos autênticos: a direção espiritual, os sacramentos, a oração e terapias científicas aprovadas por conselhos profissionais de psicologia e medicina. Recorrer a essas práticas alternativas pode expor a pessoa à ação extraordinária do mal, como alertam os exorcistas. “Corremos o risco de nos vermos envolvidos em práticas espíritas, dando assim uma oportunidade para a ação extraordinária do diabo”.

A doutrina cristã afirma a plena redenção e liberdade em Cristo (Rm 8,1; Gl 5,1; 2Cor 5,17). A Comunhão dos Santos, na qual os fiéis são unidos em Cristo, nada tem a ver com as “almas familiares” ou energias ancestrais propostas por Hellinger. As constelações seriam, portanto, um “pálido e equivocado substituto” dessa realidade sobrenatural.

Um testemunho que ilustra os riscos

O documento da AIE relata o testemunho de uma mulher que participou de sessões junto com a mãe e a tia, esta última com um tumor. As sessões começavam com invocações de uma “luz benéfica” e técnicas de meditação para, em seguida, realizar atividades nas quais os participantes representavam familiares, antepassados e até mesmo pessoas falecidas.

Quando atuou como “figura” no centro do círculo terapêutico, a participante descreveu uma força estranha que a impelia a fazer o que lhe era pedido. Após as sessões, os participantes eram instruídos a não discutir o assunto com ninguém por trinta dias.

Em vez de melhorar, sua situação familiar piorou. Naquela época, ela não participava dos sacramentos; a fé na família era um costume, e ela sentia que aquela situação não fazia sentido, a ponto de discutir com sua mãe para dissuadi-la daquela e de outras práticas, como o Reiki, para o qual ela havia feito um curso. Ela havia se interessado por essas práticas após uma série de lutos na família.

“Depois, graças a Deus, por meio da minha conversão e do retorno aos sacramentos, libertei-me de tudo isso”.

Com informações AIE

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