Chama atenção o catolicismo do técnico e de um jogador da seleção espanhola
Na Europa onde a prática religiosa diminui em muitos lugares, o exemplo de Luis de la Fuente e de jogadores como Ferrán Torres mostra que a fé pode ser vivida com naturalidade também no esporte.

Foto: screenshot/ youtube
Redação (20/07/2026 10:32, Gaudium Press) A conquista da Copa do Mundo de 2026 pela seleção espanhola não ficou marcada apenas pelos gols, pela tática ou pela garra dos jogadores. Uma das imagens mais fortes foi o catolicismo assumido e natural do técnico Luis de la Fuente. Em um país cada vez mais secularizado como a Espanha, o treinador não escondeu sua fé e, com isso, acabou chamando a atenção de veículos de comunicação do mundo inteiro.
De la Fuente, nascido em Haro (La Rioja), foi criado em uma família católica, mas redescobriu a prática da fé na vida adulta — um caminho comum a muitos europeus e norte-americanos que voltam aos sacramentos ou se batizam como adultos. Ele reza diariamente, agradece a Deus todas as manhãs e tem uma devoção especial à Virgem Maria, especialmente Nossa Senhora da Vega, padroeira de sua cidade natal, além do Cristo da Expiração. Para ele, fazer o sinal da cruz antes dos jogos não é superstição, mas uma expressão espontânea de confiança em Deus. “Lo mío no es superstición, es fe”, já repetiu várias vezes. “Rezo todos os dias, mas não porque estou numa Copa do Mundo ou porque estou tentando obter um resultado”, destacou o técnico.
Após a vitória no Mundial, o treinador se mostrou surpreso com o burburinho causado por sua postura. Em declarações públicas, ele disse não entender por que as pessoas o paravam na rua para agradecer seu testemunho, já que nunca escondeu suas crenças. Meios católicos internacionais repercutiram bastante o caso. O Crux destacou que a participação da Espanha foi “impulsionada pela fé do treinador”. O Church POP elogiou o fato de ele dar glória a Deus abertamente. Já o National Catholic Reporter o chamou de “mago do futebol que ama a Cristo”, unindo sua competência tática (habilidades táticas mágicas) à vida de fé.
Essa vivência religiosa moldou profundamente seu estilo de liderança. Valores como serviço, humildade, trabalho em equipe e respeito profundo por cada jogador de seu time são centrais para ele. Em um esporte cada vez mais profissionalizado e repleto de egos, De la Fuente lembra que o futebol também pode ser um espaço de encontro e de testemunho.
A “Copa dos católicos”
Um aspecto interessante comentado pela Crisis Magazine é o histórico das seleções campeãs do mundo. Dos oito países que já levantaram a taça, seis têm maioria católica: Brasil (5 títulos), Itália (4), Argentina (3), Uruguai (2), França (2) e Espanha (2). Do lado protestante histórico, apenas Alemanha (4) e Inglaterra (1) conquistaram o troféu. Embora seja apenas uma curiosidade estatística, o dado alimenta reflexões sobre cultura, valores e identidade em diferentes sociedades.
Ferrán Torres: o atacante que também fala de Deus e oração
A seleção espanhola reúne jogadores de diferentes convicções, mas alguns deles também expressam publicamente sua fé católica. O destaque vai para Ferrán Torres, autor do gol decisivo na final contra a Argentina. O atacante já falou várias vezes sobre a importância de Deus em sua vida. Ele carrega sempre uma cruz e uma imagem da Virgem Maria, e sua devoção mariana foi destacada por portais católicos como Catholics for Mary e Aleteia. A EWTN chegou a chamá-lo de “o atacante católico que ganhou o Mundial para a Espanha”.
Sua fé é descrita como simples e sem grandes explicações: ele agradece, reza e joga com naturalidade. Em uma Espanha onde a secularização avançou bastante nas últimas décadas, ver atletas e o próprio treinador falando de oração e de Deus sem constrangimento gera surpresa e, para muitos católicos, esperança.
No final das contas, a vitória da Espanha em 2026 deixou mais do que uma taça — deixou uma mensagem de que é possível ser competitivo no esporte sem abrir mão das próprias convicções religiosas.





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