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“O sacerdote não é um funcionário do sagrado”, adverte Prefeito do Dicastério para o Clero

Durante o Retiro do Clero Paraguaio, o Cardeal Lazzaro You pediu atenção contra as armadilhas da eficiência pastoral e da mediocridade espiritual, convidando os sacerdotes a serem “pastores santos, fiéis e alegres”.

O sacerdote nao e um funcionario do sagrado adverte Prefeito do Dicasterio para o Clero

Assunção – Paraguai (16/07/2026 15:05, Gaudium Press) Entre os dias 13 a 16 de julho, sacerdotes de todas as Dioceses do Paraguai participaram de um retiro organizado pelo Escritório Pastoral Presbiteral Nacional da Conferência Episcopal Paraguaia no Seminário Maior Nossa Senhora da Assunção. Este encontro de formação contínua faz parte do percurso pastoral do triênio dedicado ao ‘Bem Comum 2026-2028’ e propõe como tema central a questão ‘Identidade do sacerdote e perfil do ministério no contexto atual’.

Durante o encontro, o Prefeito do Dicastério para o Clero, Cardeal Lazzaro You Heung-sik, dirigiu uma mensagem aos sacerdotes paraguaios, através da qual transmitiu a proximidade do Papa Leão XIV e do órgão do Vaticano encarregado de acompanhar a vida e o ministério dos sacerdotes. “A fidelidade ao sacerdócio e, portanto, o serviço ao bem comum do povo emanam da mesma fonte, o Coração de Cristo, o Coração do Bom Pastor”, afirmou o purpurado em seu discurso.

O sacerdote não é um funcionário do sagrado

O Cardeal exortou aos sacerdotes para que retornem continuamente à essência de sua vocação em um contexto marcado pela secularização, pela cultura digital e pelas transformações sociais e culturais. “O sacerdote não é um funcionário do sagrado, nem um simples delegado ou representante da comunidade. Pelo contrário, ele é chamado a ser um homem verdadeiramente configurado a Cristo, cuja missão consiste em tornar presente o Bom Pastor por meio de uma vida dedicada ao serviço do Povo de Deus”, garantiu.

Ele também enfatizou que o ministério sacerdotal “nunca é considerado um privilégio, mas sempre um serviço” e alertou contra o risco de se entender o sacerdócio como uma carreira ou uma busca por reconhecimento. Em seguida, abordou algumas das tentações que podem enfraquecer a vida sacerdotal: a eficiência, que mede o valor do sacerdote unicamente pelos resultados pastorais; o quietismo, que leva ao desânimo diante das dificuldades da evangelização; e a mediocridade espiritual e moral.

As armadilhas da eficiência e da mediocridade moral

Diante desse panorama, o purpurado recomendou aos sacerdotes que permaneçam muito atentos, especialmente em seu próprio ambiente. “Com que frequência nossa maneira de falar revela uma mentalidade segundo a qual o valor de um padre é medido pelo número de fiéis! E com que frequência, por outro lado, assustados pela velocidade do mundo, nos sentimos derrotados e desistimos!”, lamentou, ressaltando que essas atitudes são uma expressão da perda de entusiasmo e beleza na missão evangelizadora.

“Eficiência e quietismo são duas faces da mesma moeda; são as mentalidades equivocadas daqueles que perderam o entusiasmo e a beleza da evangelização. A isso se soma uma ameaça talvez mais sutil: a mediocridade moral e espiritual, essa conformidade a uma vida morna que não escandaliza nem dá testemunho”, advertiu. Ele também recordou que “aqueles que vivenciam o sacerdócio como uma ascensão social já perderam de vista o rosto Daquele que, como Mestre, se humilhou para lavar os pés de seus discípulos”, destacou.

Vida espiritual e o testemunho que atrai vocações

Apresentando a vida espiritual como fonte indispensável de todo ministério autêntico, o Cardeal exortou aos sacerdotes a não negligenciarem a celebração da Eucaristia, a Liturgia das Horas, a Adoração Eucarística, a meditação na Palavra de Deus e o acompanhamento espiritual. Ressaltando que “nenhum pastor existe sozinho”, frisou que a relação com o Bispo, a proximidade entre os sacerdotes e os fiéis fazem parte da identidade do ministério sacerdotal, sendo condição essencial para uma Igreja verdadeiramente missionária.

O Prefeito do Dicastério para o Clero recordou que o testemunho inspira vocações. “O primeiro ministério vocacional é o testemunho de um sacerdote feliz” e que “um jovem que vê o pároco de sua Paróquia orar profundamente, administrar os sacramentos com alegria, proclamar a Palavra com paixão, viver a fraternidade com entusiasmo e testemunhar a caridade no dia a dia, ouvirá mais facilmente a voz do Mestre que nunca deixa de chamar para a bela vida do sacerdócio ministerial”, assegurou.

Gratidão pelo serviço pastoral e proteção mariana

Após agradecer aos sacerdotes paraguaios por seu serviço diário “nas Paróquias, na região do Chaco e nas periferias urbanas, nas capelas e santuários rurais, junto aos doentes, aos pobres e aos jovens”, o Cardeal You confiou os sacerdotes, Bispos e seminaristas do país à proteção de Nossa Senhora de Caacupé, São Roque González de Santa Cruz e da Beata Maria Felicia de Jesús Sacramentado, desejando-lhes a graça de serem “pastores santos, fiéis e alegres”, guardiões daquela fidelidade a Cristo que continua a moldar o futuro da Igreja”. (EPC)

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