Iraque: Primeiro-ministro convida os cristãos no exterior a retornarem ao país
O primeiro-ministro fez um convite oficial aos empresários e investidores cristãos que vivem no exterior, exortando-os a retornar à pátria e a participar ativamente dos projetos de desenvolvimento nacional, reconstrução da infraestrutura e diversificação econômica.

Foto: screenshot/ Instagram
Redação (15/07/2026 09:56, Gaudium Press) O primeiro-ministro iraquiano Ali Falih al Zaidi fez um apelo direto aos cristãos iraquianos que vivem no exterior para que voltem ao seu país natal. Ele declarou, no último sábado, 11 de julho, que facilitar o retorno definitivo dos cristãos iraquianos deslocados constitui uma prioridade fundamental do país e do governo. Ele classificou esse retorno como essencial para fortalecer o tecido social do Iraque e impulsionar o desenvolvimento futuro da nação.
Durante um encontro com líderes cristãos em Bagdá, o premiê detalhou medidas concretas para incentivar o regresso de famílias cristãs. Uma das principais propostas é a inclusão dessas famílias no programa governamental de distribuição de um milhão de lotes residenciais. A medida visa facilitar a reintegração e oferecer condições básicas para um novo começo no país. O primeiro-ministro observou que, conforme o governo consolida com sucesso a segurança regional e a paz civil interna, a integração das famílias cristãs que retornam à iniciativa nacional de habitação servirá como uma garantia sensível de sua inclusão cívica.

Foto: screenshot/ Instagram
Al Zaidi destacou que a força do Iraque reside em sua rica diversidade étnica, religiosa e cultural. “Os cristãos são um componente ativo e essencial da sociedade iraquiana, parceiros fundamentais na construção do Estado e na moldagem da história e do futuro do país”, afirmou o primeiro-ministro. Ele ressaltou as contribuições históricas e contemporâneas dessa comunidade, que remonta aos primórdios do cristianismo na região da Mesopotâmia.
Convite a investidores e empreendedores cristãos
Além do retorno de famílias, o governo estende o convite a empresários, investidores e líderes cristãos da diáspora. O foco está na participação ativa na reconstrução econômica do Iraque, especialmente nos setores prioritários de saúde e educação. O premiê garantiu que o governo manterá estabilidade e oferecerá mecanismos de apoio para o sucesso dos projetos de investimento, gerando empregos e contribuindo para a recuperação nacional.
O Patriarca Caldeu Paulo III Nona recebeu positivamente a iniciativa. Ele considerou o gesto um sinal forte de compromisso do governo com a comunidade cristã, capaz de restaurar a confiança dos iraquianos no exterior e incentivar maior envolvimento no desenvolvimento do país. Para o patriarca, a medida pode ajudar na reconstrução de comunidades e no fortalecimento da economia nacional.
O arcebispo siríaco-ortodoxo Nicodemus Matti Sharaf, da Arquidiocese de Kirkuk e do Curdistão, também reconheceu a importância do apelo. Ele o descreveu como um “reconhecimento oficial do lugar legítimo da comunidade cristã na terra de seus antepassados”. No entanto, o arcebispo foi cauteloso e enfatizou que gestos simbólicos não bastam para reverter décadas de emigração.
Desafios e necessidade de reformas
Líderes eclesiásticos concordam que é fundamental enfrentar as causas da emigração para que o retorno seja sustentável. A população cristã no Iraque sofreu uma drástica redução nas últimas décadas. Antes da invasão de 2003, estimava-se entre 1 e 1,5 milhão de cristãos (cerca de 5-6% da população). Hoje, os números variam entre 150 mil e 400 mil, com muitas fontes apontando menos de 300 mil. Fatores como perseguição por extremistas (principalmente após a ascensão do ISIS em 2014), instabilidade, sequestros, atentados a igrejas e êxodo forçado para o Curdistão, Jordânia, Europa e América explicam boa parte dessa diminuição.
O arcebispo Sharaf mencionou problemas como marginalização, representação política insuficiente (incluindo a necessidade de mecanismos para eleger representantes próprios no Parlamento), corrupção endêmica, infraestrutura precária, acesso limitado a saúde e educação de qualidade e poucas oportunidades de emprego. Muitos cristãos que construíram vida no exterior comparam as condições de seus países de acolhida com a realidade iraquiana, o que desestimula o retorno.
“Este é um país flutuando em um lago de corrupção”, alertou o arcebispo, destacando que o combate efetivo à corrupção é essencial para reconstruir a confiança de todos os cidadãos, independentemente da religião. Ele defendeu que melhorias concretas em governança, serviços públicos e inclusão política são indispensáveis para o sucesso da iniciativa.
Contexto histórico e perspectivas
Os cristãos iraquianos, em grande parte caldeus, assírios e siríacos, representam uma das comunidades mais antigas do cristianismo, com raízes que remontam ao século I d.C. Eles contribuíram significativamente para a cultura, educação e economia do país ao longo da história. No entanto, conflitos sucessivos — da guerra Irã-Iraque, passando pela invasão de 2003 e o período do Estado Islâmico — aceleraram o êxodo.
O governo atual busca reverter esse cenário promovendo inclusão e oportunidades. A distribuição de terras pode ser um atrativo inicial, especialmente para famílias jovens, mas o êxito dependerá da capacidade de oferecer segurança, estabilidade econômica e valorizar a religião cristã.
Com informações EWTN News





Deixe seu comentário