Nicarágua: Bispos da América Central exigem atendimento médico para bispo detido pelo governo
Os bispos da América Central exigem atendimento médico para Dom Abelardo Mata, bispo emérito de Estelí, detido pelo regime de Daniel Ortega. O Secretariado Episcopal da América Central divulgou um comunicado nesse sentido.

Dom Mata – Foto: Arquivo La Prensa
Redação (14/07/2026 16:57, Gaudium Press) Os bispos do Secretariado Episcopal da América Central (SEDAC) manifestaram preocupação com a saúde e o paradeiro do Monsenhor Juan Abelardo Mata Guevara, bispo emérito da Diocese de Estelí, na Nicarágua. Em comunicado divulgado em 10 de julho, os prelados pediram ao governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo que permita a visita de médicos e equipe de assistência ao religioso de 80 anos, que sofre de diabetes, usa marcapasso e apresenta problemas de visão.
Dom Abelardo Mata foi detido pela polícia nicaraguense no dia 29 de junho, depois que ele rezou pela Igreja perseguida da Nicarágua e pelo bispo exilado Rolando Álvarez, no último domingo, 28 de junho, durante uma missa na Igreja Cruz del Calvario. Segundo o regime sandinista, ele teria sido liberado no mesmo dia. No entanto, fontes confiáveis afirmam que seu paradeiro permanece desconhecido desde então. Sua residência em Tisma, no departamento de Masaya, estaria ocupada por agentes policiais, que recebem três refeições diárias, mas ninguém viu o bispo ou obteve informações sobre sua localização real.
“Seguimos com grande atenção a situação do nosso estimado irmão Monsenhor Juan Abelardo Mata”, afirmaram os bispos do SEDAC. “Expressamos nossa preocupação pela saúde de Monsenhor Juan Abelardo e respeitosamente solicitamos ao Governo da República a permissão para a visita de seu médico e do pessoal que o assiste diariamente, devido à sua delicada condição de saúde.”
Quem é Dom Juan Abelardo Mata Guevara?
Nascido em Managua, em 23 de junho de 1946, Juan Abelardo Mata Guevara ingressou na Sociedade Salesiana de São João Bosco (SDB). Fez a profissão religiosa em 8 de dezembro de 1966 e foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1976. Sua formação incluiu estudos em El Salvador, Guatemala, Costa Rica, Panamá, Roma (onde estudou Ciências Bíblicas) e até Jerusalém.
Em 1988, o Papa São João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Managua. Posteriormente, em 1990, assumiu a Diocese de Estelí, onde atuou por mais de 30 anos até sua renúncia por idade em julho de 2021.
Durante décadas, Dom Mata se destacou por sua defesa dos direitos humanos e por posições críticas ao autoritarismo, o que lhe rendeu o apelido de “homem duro da Igreja” em alguns meios nicaraguenses. Ele foi visto como uma voz incômoda para o regime sandinista, especialmente por sua proximidade com as comunidades e por pregar com franqueza.
Contexto de repressão contra a Igreja na Nicarágua
O caso de Dom Abelardo Mata se insere em um longo padrão de perseguição à Igreja Católica na Nicarágua sob o governo Ortega-Murillo. Desde 2018, com as manifestações sociais reprimidas com violência, o regime intensificou ações contra bispos, sacerdotes, seminaristas e leigos. Vários prelados foram exilados, como Dom Rolando Álvarez (condenado e depois banido), igrejas foram invadidas, procissões proibidas, e instituições católicas de educação e caridade fechadas ou confiscadas.
A detenção de um bispo emérito idoso e doente gerou repercussão internacional. Organizações de direitos humanos e veículos de imprensa católica acompanham o caso com atenção, destacando a fragilidade da saúde do religioso e o risco que representa sua situação de desaparecimento forçado.
Com informações Aciprensa





Deixe seu comentário