Uma flecha na aljava do Altíssimo
Talvez um dos santos mais populares, São Sebastião mártir é padroeiro de incontáveis paróquias e igrejas, santo patrono dos soldados e é frequentemente invocado pelos fiéis para afastar epidemias, doenças e pragas, além de proteger plantações e rebanhos.

Fotos: Wikipedia
Redação (13/07/2026 15:05, Gaudium Press) General do Império Romano, chefe da guarda pretoriana, São 
Logo que se recuperou, São Sebastião apresentou-se ao imperador para censurá-lo pela perseguição movida contra os cristãos. Aterrorizado e cheio de ódio pela aparição daquele que julgava morto, Diocleciano ordenou que São Sebastião fosse imediatamente espancado com varas até a morte. Assim, consumou o seu martírio o intrépido soldado de Cristo, no ano 288.
Ora, a iconografia muitas vezes apresenta aos fiéis uma figura equivocada, tanto do homem quanto do santo que foi este mártir. Comentando um quadro de autoria de Botticelli, que pretende retratar São Sebastião, Dr. Plinio descreve a impressão causada pela obra:
“Trata-se de um moço bem feito de rosto e de corpo, muito seguro de sua boa aparência, encantado
“Dir-se-ia que este moço, enfastiado por se achar só, está esperando que o venham buscar, a fim de volver aos afazeres da vida quotidiana. Em última análise, trata-se de uma figura moralmente medíocre, preocupada exclusivamente consigo e com o mundo… na medida em que este lhe diz respeito. Pertence à família moral das almas banais”.[1]
Como admitir que esse seja o tão cultuado São Sebastião? Tal personagem “não daria nunca um chefe de coorte imperial, não daria nunca um legionário romano. É um bobinho imberbe, fraco, com um arzinho de dodói, com ar de quem vai ser morto sem saber por quê, incapaz de qualquer resolução firme de vontade, incapaz de qualquer ato sapiencial de inteligência e que se deixa estraçalhar um pouco por preguiça de sair correndo. É o São Sebastião da iconografia corrente.”[2]
Nada mais equivocado a respeito do guerreiro, do mártir e do santo. O verdadeiro personagem do qual tratamos não é encarnação antecipada e “cristã” do ideal renascentista antropocêntrico, mas o vir catholicus, “Defensor da Igreja”, como foi chamado pelo Papa São Caio, seu contemporâneo.
Militar por ofício, São Sebastião soube vencer-se a si mesmo, sabendo que o “Reino dos Céus é dos violentos” (cf. Mt 11,12). General romano, tinha, porém, sua maior glória em ser soldado de Cristo. Nele brilhavam as virtudes guerreiras: coragem, fortaleza, lealdade. Em meio a uma corte pagã de costumes dissolutos, São Sebastião resplandecia pela fé e pela pureza de vida. Ardoroso no combate, era manso no trato. Para os cristãos encarcerados que vacilavam na fé, ele era fortaleza e consolação; mas soube increpar o tirano perseguidor.
Com seu corpo crivado de flechas, São Sebastião mereceu dar o supremo testemunho, alcançar o heroísmo da Fé e tornou-se como uma “flecha escondida na aljava do Altíssimo” (cf. Sl 126,4.5).
Que o Santo Mártir, guerreiro do Deus dos Exércitos, interceda pela Igreja de Cristo que aqui na terra milita.
“Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor. Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos. Aguçadas são as vossas flechas; a vós se submetem os povos; os inimigos do rei perdem o ânimo” (Sl 44,4-6).
Por Luís Filipe Defanti
[1] Plinio Corrêa de Oliveira. Varonilidade pagã e falsa paciência cristã. In: Catolicismo, n. 73 – Janeiro de 1957.
[2] Plinio Corrêa de Oliveira. Conferência, 19 janeiro 1967.





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