Inauguração do Mosaico de Nossa Senhora de Gietrzwałd no Jardim do Vaticano
O mosaico é muito mais do que uma obra de arte. “É um sinal de presença. É um testemunho da fé de uma nação”, destacou o Arcebispo Tadeusz Wojda.

Foto: Pe. Marcin Sawicki/ArchWarmiaMedia/ Arquidiocese de Warmia
Redação (13/07/2026 10:19, Gaudium Press) Em uma cerimônia realizada no dia 30 de junho passado, nos Jardins do Vaticano, foi inaugurado e abençoado um belo mosaico de Nossa Senhora de Gietrzwałd, uma das devoções marianas da Polônia. O evento, que contou com a presença de autoridades eclesiásticas e civis polonesas, marca um momento significativo de aproximação entre a Igreja da Polônia e a Santa Sé, especialmente às vésperas do 150º aniversário das aparições, que serão celebradas em 2027.
O mosaico, instalado em uma parede dos Jardins Vaticanos ao lado de imagens de outros grandes santuários marianos do mundo, traz a inscrição “Polônia” e foi criado em um ateliê em Castel Gandolfo, próximo a Roma. A bênção foi presidida pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano. Entre os presentes estavam o Arcebispo Tadeusz Wojda SAC, Presidente da Conferência dos Bispos da Polônia, o Arcebispo Józef Górzyński, metropolitano de Warmia (diocese onde fica o santuário), o embaixador da Polônia junto à Santa Sé, Adam Kwiatkowski, e outras autoridades.
Uma mensagem em polonês em tempos difíceis
Durante o evento, o Arcebispo Tadeusz Wojda destacou a importância espiritual e histórica do santuário de Gietrzwałd. As aparições ocorreram em 1877, em um período conturbado para a Polônia, que estava dividida entre impérios estrangeiros e sofria forte opressão cultural. Sob o Kulturkampf[1] prussiano, que buscava germanizar a população e reprimir o catolicismo e a língua polonesa, Nossa Senhora apareceu para duas meninas simples: Justyna Szafryńska (13 anos) e Barbara Samulowska (12 anos).
A Virgem Maria falou em polonês, o que foi interpretado como um forte sinal de consolo e afirmação da identidade nacional. Ela exortou à oração, à conversão, ao recitação do Rosário e à confiança em Deus. As aparições foram reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica. O santuário em Gietrzwałd, na região de Warmia, tornou-se um importante centro de peregrinação, simbolizando resistência espiritual e fé do povo polonês.
“Daqui em diante, aquela que veio há 150 anos a pessoas simples na terra de Warmia permanecerá permanentemente presente neste lugar, lembrando ao mundo o que mais importa: a oração, a conversão e a confiança em Deus”, afirmou o Arcebispo Wojda.
Um sinal de presença e unidade
O presidente da Conferência Episcopal Polonesa ressaltou que o mosaico vai além de uma obra de arte: trata-se de um sinal de presença e de testemunho da fé de uma nação que, por gerações, repete a consagração: “Maria, Rainha da Polônia, estou ao vosso lado, eu me lembro, eu vigio”.
Ele lembrou que, em momentos de prova histórica, Deus não abandona seus filhos. “Foi um sinal de que Deus não esquece os seus filhos e que Maria permanece próxima de seus filhos e filhas mesmo quando a história os coloca diante de difíceis provações”, disse.
Wojda também enfatizou a riqueza da Igreja universal, que “respira com a riqueza das nações, das línguas e das tradições”, formando uma única família de filhos de Deus.
Convite ao Papa Leão XIV
Uma das mensagens centrais do discurso foi o convite caloroso ao Papa Leão XIV para visitar a Polônia. “Ao inaugurar este mosaico, acreditamos que ele contribuirá para um relacionamento ainda mais profundo entre a Polônia e a Santa Sé. Que ele também sirva como um convite caloroso e sincero ao Santo Padre, o Papa Leão XIV, para que visite nossa terra em um futuro próximo e conheça uma nação que, há séculos, nutre um amor especial pelo Sucessor de São Pedro,” ressaltou o arcebispo.
“Hoje Gietrzwałd chega ao Vaticano, e a Polônia traz ao coração da Igreja uma parte de sua história, de sua fé e de sua espiritualidade”, completou.
O arcebispo concluiu orando para que Nossa Senhora de Gietrzwałd proteja toda a Igreja, o Santo Padre, a Polônia e todos os peregrinos que visitem este lugar, e agradeceu a todos que contribuíram para a criação do mosaico e a organização da cerimônia.
Karol Nawrocki, presidente da República da Polônia, dirigiu uma carta aos presentes na cerimônia, que foi lida pelo ministro Zbigniew Bogucki, chefe da Secretaria da Presidência da República da Polônia.
“Confio que as comemorações do 150º aniversário das aparições de Gietrzwałd, no próximo ano, serão uma oportunidade para que essa mensagem extraordinária e seu contexto histórico se tornem mais amplamente conhecidos em todos os continentes – entre as comunidades católicas e as pessoas de boa vontade, entre aqueles que constroem um mundo em que a liberdade interior contra o mal seja acompanhada pela liberdade exterior, ligada ao respeito aos direitos humanos”, escreveu o Presidente da República da Polônia”.
Com informações Conferência Episcopal da Polônia/ Arquidiocese de Warmia
[1] O Kulturkampf (“luta cultural”) foi um conflito político e social ocorrido entre 1871 e 1878, liderado pelo chanceler prussiano Otto von Bismarck contra a Igreja Católica. Seu objetivo era submeter a Igreja ao controle estatal, combater a influência católica e germanizar regiões com minorias polonesas.




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