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A Semente Divina

A Palavra de Deus muitas vezes encontra obstáculos para germinar em nossas almas. Estejamos atentos ao receber essa semente, sobretudo na Eucaristia.

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Redação (11/07/2026 19:47, Gaudium Press) “O semeador saiu para semear…” (Mt 13,3). Com divina didática, Nosso Senhor Jesus Cristo falava às multidões utilizando imagens acessíveis à sociedade de então. Mas será que, na era da máquina, em que a figura de um homem lançando sementes com as mãos parece um conto antigo, a parábola ainda teria algo a ver com a vida das pessoas?

Sim, porque se “a palavra de Deus permanece para sempre”, sua fertilidade é eterna. Resta apenas saber, se também é fértil a terra do nosso coração.

Três perigos

Podemos distinguir, no Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum, três perigos que nos afastam do Reino de Deus: a dureza de coração, a superficialidade e o apego.

As sementes que caíram à beira do caminho simbolizam os corações impenetráveis. A terra que margeia a estrada ainda é bastante compacta e rígida. São as almas dissipadas — várias das quais até passaram pela catequese —, mas que se esqueceram das verdades da Fé e já não rezam mais. Por que? Porque seus corações endureceram.

Como o grão exposto ao relento, essas pessoas são vulneráveis às solicitações das paixões desordenadas e do demônio, correndo o risco de serem pisoteadas ou deglutidas a qualquer momento. Trazendo a metáfora para nossos dias, quantas ocasiões há em que a preciosa semente da graça de Deus se vê rodeada por inumeráveis aves de rapina? Antigamente, bastava pôr o pé na rua para ser uma possível vítima, porém, hoje, muitas vezes o perigo está na palma da mão…

Já aquelas que caíram entre pedregulhos representam as almas superficiais. Elas podem receber a palavra de Deus com prazer e alegria, mas, por não possuírem verdadeira vida interior nem firmeza nos propósitos, a graça não encontra terra suficiente para germinar. São pessoas distraídas, mais presas às banalidades do que à vida sobrenatural, e que não tem profundo horror ao pecado.

E os espinhos? Assim como eles impedem a entrada do ar e da luz, do mesmo modo, a preocupação exagerada com os bens do mundo, com o dinheiro e com tudo que é efêmero e supérfluo podem sufocar as mais insignes graças. Basta lembrar que não foram mais de trinta o número de moedas que levaram Judas a sufocar a própria vocação e trair o Salvador.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?” Os corações cercados de espinhos estão constantemente voltados para o que é meramente concreto e material, em algum relacionamento prestigioso, vantajoso, romântico ou interesseiro.

Qual o remédio? Em todos os casos: vigilância, oração e confissão. Mas, para cada erro, haveria ainda uma solução particular.

Se me encontro à beira do caminho e quero que a semente penetre no meu coração, devo não só ouvir, mas procurar compreender o que a palavra semeada significa e aplicá-la à minha vida concreta.

Se o terreno é pedregoso, não basta acolher a palavra com alegria; é preciso traduzi-la em atos, adequando aquilo que em nós não está de acordo com ela.

Se os espinheiros sufocam a semente divina, lembremo-nos então das palavras do Senhor: “Buscai o Reino de Deus e a sua justiça, e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33). É preciso concentrar os esforços na nossa santificação, pois a alma é imortal e o resto passa.

A semente da Eucaristia

Enquanto a semente significa a palavra de Deus que pode vir até nós através da palavra humana e do exemplo, através do apostolado e da pregação, devemos nos lembrar que Nosso Senhor Jesus Cristo é “a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N’Ele o Pai disse tudo, e não haverá outra palavra senão esta” (CCE 65).

Com efeito, todos os dias o Agricultor Divino sai a semear e está à procura de terra boa que acolha a sua Semente Divina. Essa semente é a Palavra Divina que se faz presente na Sagrada Eucaristia, todos os dias e em todos os altares do mundo. O Senhor do Universo quis ser, por amor a nós, o Divino Prisioneiro em todos os sacrários.

Que faço eu quando vem a mim essa semente de valor incalculável? Como deve entristecer o Coração de Jesus aqueles que contam os segundos para acabar aquele convívio celestial que é a Santa Missa! Quantos não chegam tarde e quantos outros não saem antes, sem agradecer devidamente a Presença Real?

Infelizmente, a semente divina muitas vezes encontra corações duros à beira do caminho, ainda almas distraídas e superficiais, e – hélas! – espinheiros que preferem o dinheiro, o prazer e o pecado à graça do Deus Eterno.

Peçamos a intercessão da Senhora do Santíssimo Sacramento – Aquela que foi o primeiro sacrário de Deus quando lá Ele se escondeu por nove meses –, para que nos dê a graça de receber o seu Divino Filho dignamente como se cada Eucaristia fosse a primeira, a única e última Comunhão.

Por Marcus Yip

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