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Papa Leão XIV ao embaixador americano junto à Santa Sé: “Amo sinceramente minha pátria”

Em um acontecimento inédito, o Papa Leão XIV comemorou os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos na residência do embaixador Brian Burch.

Foto: Embaixada dos EUA junto à Santa Sé

Foto: Embaixada dos EUA junto à Santa Sé

Redação (08/07/2026 18:30, Gaudium Press) Em um acontecimento inédito na diplomacia vaticana dos últimos cem anos, o Papa Leão XIV — o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos da história — visitou de forma pessoal e privada a residência do embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, Brian Burch, para celebrar o 250º aniversário da Declaração de Independência americana, no dia 4 de julho.

O encontro, marcado por simplicidade, proximidade familiar e toques tipicamente americanos, reforça a relação especial do Sucessor de Pedro com sua pátria de origem, sem comprometer a universalidade de seu ministério. As impressões do evento foram compartilhadas pelo próprio embaixador Burch em conversas com jornalistas, incluindo Giacomo Gambassi, do jornal italiano L’Avvenire.

Um jantar pessoal e típico americano

O convite foi enviado há cerca de dois meses, e a confirmação veio há cerca de um mês. O Pontífice, nascido Robert Francis Prevost em Chicago em 1955 e com forte ligação missionária no Peru (onde também tem nacionalidade), chegou à residência no Monte Janículo (Villa Richardson) acompanhado apenas pela Gendarmaria Vaticana, destacando o caráter pastoral e informal do encontro.

Durante as duas horas e meia de convivência, Leão XIV compartilhou com a família do embaixador — composta pela esposa Sara e seus nove filhos — histórias de suas raízes em Chicago, o chamado vocacional missionário e detalhes do dia a dia no Vaticano. O jantar teve um toque nitidamente norte-americano: tábua de frios americana, salada de melancia, cachorros-quentes no estilo de Chicago, torta de maçã e gelato. A bênção dos alimentos foi feita “à americana”, com todos sentados, seguida pelo canto emocionante de God Bless America com os jovens e a assinatura de bolas de beisebol comemorativas com a data histórica de 4 de julho de 2026.

A família presenteou o Papa com uma camisa da seleção americana de futebol (já que ele torce pelos EUA na Copa do Mundo), uma bola comemorativa “Freedom 250” e uma torta de maçã caseira.

Diálogo sobre o bem comum e esclarecimentos importantes

Os jornalistas questionaram possíveis divergências entre a retórica da administração do presidente Donald Trump e a Doutrina Social da Igreja. O embaixador Burch respondeu com otimismo: “A pergunta não é se eles se tornarão amigos, mas se o que o presidente busca e o que o Papa deseja para o mundo podem convergir. E minha resposta é sim!”.

Pontos de convergência citados incluem a busca pela paz entre Rússia e Ucrânia, a não proliferação nuclear, a estabilização do Oriente Médio e a preocupação com a liberdade religiosa e política em Cuba e Venezuela.

Um tema sensível foi a recente visita do Papa à ilha italiana de Lampedusa. Leão XIV esclareceu ao embaixador que não se tratava de uma crítica velada à política migratória dos EUA, mas de um apelo pastoral global diante do drama das migrações, que interpela especialmente a Europa. O Pontífice reafirma princípios de dignidade humana e acolhimento, mas reconhece que as questões concretas de controle de fronteiras pertencem à prudência política de cada nação soberana.

O afeto de um Papa universal por sua terra natal

Apesar de não haver, por enquanto, uma viagem apostólica aos Estados Unidos na agenda — para evitar interpretações de preferência e priorizar a universalidade de seu ministério em regiões com maiores necessidades pastorais —, o embaixador Burch descreveu com emoção a alma do Papa: “Ele nutre um afeto sincero e um respeito absoluto por sua terra natal… compreende-a de forma natural e ama-a sinceramente”.

Como prova, na mensagem oficial de 4 de julho, Leão XIV destacou os sacrifícios dos soldados americanos na Segunda Guerra Mundial, conflito no qual seu próprio pai combateu em solo europeu. Sua formação agostiniana, experiência missionária no Peru e origem norte-americana o tornam um pontífice com visão única: enraizado na identidade nacional, mas com um coração universal.

Este encontro histórico demonstra que fidelidade às raízes e amor à pátria não contradizem, mas enriquecem a missão de guiar a Igreja Católica com um coração universal.

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