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Alemanha: três teólogas afirmam que o exemplo de Maria Goretti é perigoso

Santa Maria Goretti: a mártir da pureza que incomoda os ventos progressistas na Igreja alemã.

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Redação (07/07/2026 11:11, Gaudium Press) A Igreja Católica celebrou ontem, dia 6 de julho, Santa Maria Goretti, a menina italiana de apenas 11 anos assassinada em 1902 por resistir a uma tentativa de estupro. Agonizante, ela não só perdoou seu agressor, Alessandro Serenelli, como rezou por ele até o fim. Sua história é de uma simplicidade e força que não exigem grandes interpretações: uma criança pobre, virtuosa e corajosa que preferiu morrer a ofender a Deus, valorizando a pureza —a “virtude angélica”, como é ensinada pela fé— acima da própria vida.

Nascida em 16 de outubro de 1890, em Corinaldo (Itália), Maria Goretti era filha de uma família camponesa humilde. Após a morte do pai por malária, ajudava a mãe nos afazeres domésticos enquanto a família dividia a casa com os Serenelli. No dia 5 de julho de 1902, Alessandro, então com 20 anos, tentou violentá-la. Diante da recusa firme de Maria Goretti —que repetia que aquilo era pecado e que ele iria para o inferno—, ele a esfaqueou 14 vezes. Ela morreu no dia seguinte, no hospital, após perdoá-lo explicitamente. Alessandro foi condenado, cumpriu pena e, anos depois, converteu-se. Teve uma visão de Maria Goretti, pediu perdão à mãe dela (Assunta), tornou-se irmão leigo capuchinho e morreu em 1970.

Beatificada por Pio XII em 1947, Maria Goretti foi canonizada em 24 de junho de 1950 pelo mesmo Papa, em uma cerimônia histórica com mais de 250 mil fiéis, incluindo sua própria mãe —algo inédito até então. Ela é padroeira da pureza, da juventude, das vítimas de estupro e do perdão. Sua vida simples e seu testemunho heroico inspiram milhões.

O “repensar” progressista na Alemanha

Essa história, porém, incomoda certos setores da Igreja contemporânea, especialmente na Alemanha, onde os ventos progressistas sopram com força de furacão. O portal oficial da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, publicou um artigo de três professoras da Universidade de Regensburg: Ute Leimgruber (cátedra de Teologia Pastoral), Philippa Haase (sua colaboradora) e Judith König (cátedra de Exegese do Novo Testamento). O título já diz tudo: Maria Goretti als Märtyrerin der Reinheit? Zeit für eine Intervention, ou seja, é hora de “repensar” a categoria de “mártir da pureza” aplicada a Santa Maria Goretti.

Vale ressaltar que não se trata de ativistas anônimas nas redes sociais, nem de teólogas marginais um tanto excêntricas — daquelas que não faltam em todas as partes do mundo —, mas de teólogas com cargo oficial em faculdades católicas alemãs, publicando no veículo oficial dos bispos daquele país. Elas se dizem católicas. Atuam como católicas. Recebem remuneração de instituições católicas. E, a partir dessa posição, assinam isso.

As teólogas argumentam que apresentar uma menina que preferiu morrer a ser violada como um ideal seria “perigoso”. Ou seja, elas criticam “o apelo oculto: resista, defenda a pureza, perdoe, morra se for preciso”. Segundo elas, isso transferiria a responsabilidade da violência do agressor para a vítima, geraria culpa nas sobreviventes de abuso que não resistiram da mesma forma e reforçaria estereótipos: a mulher como “guardiã” de sua própria integridade sexual, enquanto a sexualidade masculina seria vista como força incontrolável, quase sem verdadeira responsabilidade. Além disso, sustentam que o modelo de Maria Goretti (é melhor morrer do que pecar) criaria comparações dolorosas, provocando sentimentos de culpa e vergonha em vítimas que não agiram como ela.

O raciocínio, levado às últimas consequências, não distingue entre admirar o heroísmo de uma vítima e culpar aqueles que não o alcançaram — que é exatamente o que a Igreja faz com qualquer santo. A Igreja sempre propõe os santos como ideais de heroísmo e santidade, não como vara de medir culpa. Seguindo essa lógica, seria preciso retirar do calendário todos os mártires da fé, para não “culpabilizar” quem fraquejou sob tortura.

Mais revelador ainda é o argumento final: a veneração a Goretti alimentaria “mitos da violação”, nos quais o corpo feminino (mesmo o de uma criança de 11 anos) seria visto como tentação, legitimando implicitamente a agressão como reação “natural”.

Aqui, as autoras comentem um grave erro: acusam a tradição católica de justificar o agressor invocando a “tentação”, quando o relato constante da Igreja — desde Pio XII até hoje, e que, aliás, é de senso comum — sempre apontou Alessandro Serenelli como o único responsável por seu crime, e elogiou Maria Goretti justamente porque ela não cedeu, e não porque ela representasse um perigo.

Casos semelhantes e o verdadeiro alvo

Não é um caso isolado. Em 1992, na Espanha, a jovem Marta Obregón (22 anos) foi assassinada com o mesmo número de facadas ao resistir a uma tentativa de estupro. Sua causa de beatificação avança como mártir da castidade. As professoras alemãs também a “repensariam”? Será que ela também se enquadra na “categoria insustentável”? Seria interessante que as três professoras respondessem a essa pergunta com a mesma naturalidade com que descartam uma santa canonizada por um papa.

No fundo, o alvo não é apenas Maria Goretti. É a própria pureza como valor cristão. Essa virtude incomoda porque exige uma escolha clara: admirar, buscar e, se necessário, defender —ou abandoná-la em nome de uma visão mais “flexível” da sexualidade.

Em um mundo que muitas vezes relativiza o bem e o mal, a história de Santa Maria Goretti continua sendo um farol de luz: uma menina que, com sua fé simples e corajosa, mostrou que há valores pelos quais vale a pena defender — e até morrer. (CCM)

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