A família como prioridade: o apelo do Arcebispo de Arequipa ao novo governo de Keiko Fujimori no Peru
Diante da posse da primeira mulher eleita presidente do Peru, Dom Del Río Alba lamenta que ninguém fale sobre o fortalecimento da família e denuncia o “direito de refazer minha vida”, o aborto — “assassinar uma criança indefesa” — e a mentalidade que considera os idosos e os doentes um fardo.

Mons. Javier del Río y Alba
Redação (06/07/2026 10:38, Gaudium Press) A recente proclamação de Keiko Fujimori como presidente eleita do Peru, realizada pelo Jurado Nacional de Elecciones (JNE) em 3 de julho, marca o início de um novo ciclo político no país. Fujimori, que assumirá o cargo em 28 de julho para o período 2026-2031, enfrenta uma série de desafios urgentes, como saúde, educação, segurança pública e recuperação econômica. No entanto, uma voz importante da Igreja Católica peruana chama a atenção para um tema que, segundo ele, deveria estar no centro das políticas governamentais: o fortalecimento da família.
Mons. Javier Del Río Alba, Arcebispo de Arequipa, publicou um artigo intitulado “Prioridade para o novo governo”, no qual defende que a família deve ser a principal prioridade do novo executivo. Ele observa que, embora muitos debates se concentrem em problemas imediatos, poucos mencionam o papel fundamental da célula básica da sociedade.
Por que a família deve ser prioridade?
“Sempre foi dito que a família é a célula básica da sociedade. É lógico, portanto, que se a família entra em crise, a sociedade também, pois perde seu fundamento principal”, afirma o arcebispo. Essa visão ecoa ensinamentos clássicos da Doutrina Social da Igreja e de pensadores sociais que veem na família estável o alicerce para a coesão social, a transmissão de valores e o desenvolvimento humano integral.
No Peru, como em muitos países da América Latina, a família enfrenta pressões crescentes. Dados de organismos como o Instituto Nacional de Estatística e Informática (INEI) e relatórios de organizações internacionais indicam aumentos nas taxas de separações, lares monoparentais e desafios relacionados à criação dos filhos em contextos de violência urbana e migração. Esses fatores não afetam apenas o núcleo familiar, mas repercutem em maior demanda por serviços sociais, problemas de saúde mental e até criminalidade juvenil.
Desafios e “frutos envenenados” das ideologias
Mons. Del Río Alba lamenta a introdução de ideologias que ameaçam diretamente a estrutura familiar tradicional e a destroem, “com consequências trágicas para os cônjuges e especialmente para os filhos, o que afeta necessariamente toda a sociedade.”. Entre os pontos citados estão:
– A cultura do “direito a recomeçar a vida”, que muitas vezes resulta no abandono de cônjuges e filhos;
– A normalização das relações sexuais fora do casamento, associada ao uso generalizado de métodos contraceptivos;
– A defesa do aborto, que “nada mais é do que assassinar uma criança indefesa no ventre de sua mãe”;
– Tentativas de equiparar o matrimônio a outras formas de união, incluindo entre pessoas do mesmo sexo;
– A mentalidade que vê idosos e doentes como “peso”, abrindo caminho para a eutanásia ou suicídio assistido;
– A menor participação dos pais na educação dos filhos, delegada excessivamente a escolas ou telas.
Esses temas são controversos e geram intensos debates públicos. Defensores de visões mais progressistas argumentam por maior autonomia individual e direitos reprodutivos, enquanto setores conservadores e religiosos enfatizam a proteção da vida desde a concepção e o modelo de família constituído por homem, mulher e filhos.
A visão cristã da família
O arcebispo recorda o Catecismo da Igreja Católica, que apresenta a família como instituição divina, surgida desde a criação do ser humano. O chamado a “ser uma só carne” (Gn 2,24) inclui não apenas a união conjugal, mas também a responsabilidade de gerar, educar e transmitir a fé aos filhos.
Crianças e jovens precisam crescer em ambientes onde experimentem amor incondicional, valores éticos e o exercício prático do bem comum. “Famílias unidas poderão forjar um bom futuro para a sociedade. E para manter a união familiar, nada melhor que colocar Deus no centro”, destaca o prelado.
Essa perspectiva ganha reforço simbólico com a aprovação, em meados de junho de 2026, da Lei nº 32671, que declara o mês de junho como o “Mês da Vida e da Família” em todo o Peru. Promovida pela congressista Milagros Jáuregui de Aguayo e publicada no Diário Oficial El Peruano, a norma incentiva atividades educativas, culturais e comunitárias para valorizar a vida humana e o papel da família. O novo governo de Fujimori terá, portanto, um marco legal favorável para iniciativas nessa área.
O apelo de Mons. Javier Del Río Alba não se limita a uma crítica. Ele representa um convite para que políticas públicas integrem o apoio concreto às famílias.
Em um país marcado por desigualdades sociais e polarização política, priorizar a família pode ser um ponto de unidade. Independentemente de crenças religiosas, o consenso sobre a importância de ambientes familiares saudáveis para o desenvolvimento infantil e a estabilidade social é amplo entre especialistas em psicologia, sociologia e economia.





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