Humildade, a fonte da grandeza
Se é verdade que o humilde considera as coisas como elas são, por que então os santos se consideram grandes pecadores?

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Redação (05/07/2026 15:05, Gaudium Press) O antagonismo apresentado pela liturgia deste 14º Domingo do Tempo Comum levanta um problema: como conciliar a grandeza com a pequenez?
Já na primeira leitura, o profeta Zacarias abre a discussão ao anunciar que o rei vindouro será humilde e não virá montado num prestigioso corcel, mas num simples jumento. No Evangelho, Nosso Senhor dá graças ao Pai por não ter revelado os seus arcanos aos sábios, mas aos pequeninos. Qual a razão da predileção de Deus pela humildade? Em que consiste esta virtude?
A raiz do orgulho
Antes de tudo, deve-se ter presente que todos nós temos um vulcão ativo em constante ameaça de erupção em nossas almas, chamado orgulho. No paraíso, a natureza do homem estava em seu perfeito equilíbrio e Adão não sentia em si as turbulências das paixões desordenadas. Após o pecado, tudo mudou. O dinamismo do orgulho pôs em marcha os sete vícios capitais e irrompeu dentro das almas como um tirano pronto para escravizar a humanidade.
Os seus atrativos ilusórios toldam as mentes e têm um sabor quase irresistível. O orgulhoso quer sobressair e ser mais que os outros; ébrio de aplausos, ele não perde oportunidade de fazer prevalecer a própria vontade.
Ai daquele que entra na contramão do soberbo! Será alvo de iras, invejas e calúnias.
Não é preciso dizer que, quanto mais profundas as raízes do orgulho, tanto mais difícil se torna o convívio com essas pessoas.
Humildade, verdade e justiça
Ao contrário, a serenidade e o trato ameno são características do humilde. Sempre procurando fazer o seu melhor, ele nunca se compara com os outros. Quando constata uma superioridade em alguém, não se entristece, mas se alegra. Ao ver um inferior, não se jacta, mas dispõe-se a ajudar. Ele sabe admirar e não deixa passar uma ocasião em que possa elogiar o que há de bom nos demais.
O humilde é aquele que dobra a própria vontade e está sempre disposto a se adaptar ao próximo. Vendo com clareza as próprias debilidades, sabe perdoar.
Assim, a humildade é a virtude que refreia a consideração desordenada de si mesmo, dando uma noção real da vida. Há um jogo infantil que consiste em encaixar formas geométricas diferentes em espaços adequados dentro de uma placa. O orgulhoso seria, então, como um triângulo que tenta entrar no espaço do círculo. Cego e insano, prejudica a si mesmo ao procurar uma posição que não lhe convém.
É por isso que a humildade anda de mãos dadas com a verdade e com a justiça. Com a verdade, pelo fato de reconhecer a realidade como ela é, pondo-se no seu lugar. Com a justiça, porque, como clama o salmo de hoje “que […] vossos santos com louvores, vos bendigam” (Sl 144,10), o humilde sabe que tudo o que tem de bom não vem dele, mas foi-lhe dado gratuitamente por Deus; desse modo, retribui ao Criador o que lhe é de direito.
Se é verdade que o humilde considera as coisas como elas são, por que então os santos se consideram grandes pecadores? Se há gente muito pior do que o menor dos santos, não seria isso hipocrisia?
Os santos se reconhecem grandes pecadores porque o seu ponto de referência não reside nos outros, mas no elevadíssimo grau de perfeição a que Deus convida todos os homens.
A grandeza da humildade
Haveria maior dignidade no mundo do que ser a Mãe de Deus? Entretanto, Aquela predestinada à Maternidade Divina foi a mesma que, reconhecendo o seu nada, recebeu Aquele que é Tudo. Eis o prêmio da humildade: quem se esvazia a si mesmo torna-se cheio de Deus.
Por Rodrigo Siqueira





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