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Agressões a católicos por judeus radicais e postura do governo prejudicam imagem de Israel

Fatores como extremismo religioso, conflitos políticos, pressões demográficas e um ambiente cada vez mais polarizado ameaçam reduzir os cristãos a uma presença meramente turística em Jerusalém. Muitos cristãos relatam dificuldades ao registrar queixas na polícia, com tentativas de desestimular as denúncias. 

Foto: Wikipedia

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Redação (30/06/2026 08:40, Gaudium Press) Por séculos, a Terra Santa tem sido o berço das grandes tradições religiosas que surgiram em Jerusalém, com o Cristianismo ocupando um lugar central como local de nascimento, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. No entanto, nos últimos anos, líderes cristãos expressam crescente preocupação com o enfraquecimento da presença dessas comunidades. Fatores como extremismo religioso, conflitos políticos, pressões demográficas e um ambiente cada vez mais polarizado ameaçam reduzir os cristãos a uma presença meramente turística, em vez de uma comunidade viva e enraizada.

Dados recentes do Religious Freedom Data Center, organização israelense que monitora esses episódios, revelam um aumento alarmante de incidentes de hostilidade contra cristãos em Israel. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram registrados 88 casos de assédio, sendo 63 apenas entre abril e junho. Em 2025, o total chegou a cerca de 180 ocorrências, contra 107 no ano anterior, indicando uma tendência de agravamento. A maioria envolve vandalismo em cemitérios, cruzes e imagens, além de agressões verbais, cusparadas e intimidações contra sacerdotes, religiosas e fiéis, especialmente na Cidade Velha de Jerusalém.

Casos específicos ganharam repercussão internacional, como o ataque de um homem judeu a uma freira católica no início de 2026 e relatos de sacerdotes, como o Pe. Firas Abedrabbo, que sofreu cusparadas, insultos e zombarias de jovens religiosos judeus. Muitos cristãos relatam dificuldades ao registrar queixas na polícia, com tentativas de desestimular as denúncias. Com efeito, as autoridades israelenses afirmam que se tratam de “incidentes isolados” e “brincadeiras” realizadas por uma pequena minoria, principalmente de jovens menores de idade, contudo, os religiosos cristãos relatam que é “uma ocorrência diária. É necessária persistência para denunciar os incidentes. A cooperação limitada das autoridades estatais e sua tendência a minimizar a gravidade do fenômeno representam um desafio significativo.

Diante disso, comunidades religiosas adotaram medidas preventivas: ordens femininas, por exemplo, restringem o deslocamento solitário de irmãs vestindo hábitos em certas áreas. O abade Nikodemus Schnabel, da Abadia da Dormição, nota que atos antes discretos agora ocorrem à luz do dia, embora ele lembre o contexto histórico do antissemitismo cristão e afirme que injustiças passadas não justificam hostilidades atuais.

Yisca Harani, fundadora do centro de dados, atribui o aumento a traumas sociais pós-ataques do Hamas em outubro de 2023, desconhecimento sobre o cristianismo contemporâneo e influência de grupos nacionalistas extremistas. Ela enfatiza, contudo, que os responsáveis são uma minoria, e muitos judeus israelenses, inclusive rabinos ortodoxos, defendem ativamente as comunidades cristãs. Por outro lado, o Pe. Piotr Zelazko, responsável pelo Vicariato de São Tiago para católicos que falam hebraico, destaca o equilíbrio: cerca de 185 mil cristãos vivem em Israel com liberdades religiosas e proteções legais inexistentes em vários países vizinhos, onde a perseguição é severa. Ele defende condenar todo ódio religioso, mas contextualizá-lo no combate amplo a todas as formas de intolerância.

Tensões nos territórios palestinos ocupados

Além de Israel, a situação é crítica nas áreas palestinas ocupadas. Igrejas e organizações cristãs internacionais alertam que a expansão de assentamentos israelenses ameaça não só as comunidades palestinas, mas também as raízes históricas do cristianismo local. O grupo Peace Now criticou aprovações governamentais para novas construções ligadas a yeshivas (local onde judeus se reúnem para estudar Torá e as tradições rabínicas) em Hebron, que separariam ainda mais o planejamento para colonos israelenses do destinado a residentes palestinos. O Conselho Mundial de Igrejas manifestou alarme com projetos perto de Beit Sahour, próximo a Belém, e com a confiscação de terras do Patriarcado Grego Ortodoxo próximo ao Mosteiro de Santo Onofre, em Jerusalém Oriental — um local de grande valor histórico e religioso.

Esses desenvolvimentos se somam a relatos de ataques de colonos a mesquitas na Cisjordânia, condenados por nações de maioria muçulmana, e ao deslocamento forçado de comunidades beduínas e pastoris palestinas. A presença cristã palestina, outrora significativa em Belém (de cerca de 80% para cerca de 10% em décadas recentes) e Jerusalém Oriental (menos de 2% hoje), continua em declínio devido à emigração motivada por dificuldades econômicas, restrições e insegurança.

Impacto na imagem internacional de Israel

De acordo com pesquisas, o tratamento dispensado a católicos por radicais judeus e a postura do governo em relação aos palestinos têm prejudicado significativamente a imagem de Israel no exterior. Uma pesquisa do Pew Research Center, realizada entre fevereiro e maio de 2026 em 36 países, mostrou que visões desfavoráveis sobre Israel aumentaram na maioria das nações. Opiniões positivas superam as negativas em apenas quatro países (Índia, Quênia, Nigéria e Gana), enquanto na Europa, Ásia e América Latina predominam as críticas. A confiança no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também é baixa na maioria dos lugares.

Para as igrejas da Terra Santa, o cerne da questão vai além da política imediata. O apelo é para que o berço do Cristianismo não se transforme apenas em destino de peregrinos, mas permaneça uma pátria viva, onde comunidades cristãs possam rezar, educar filhos e enriquecer a diversidade religiosa que marcou a região por milênios. A preservação dessa presença dependerá não só de acordos militares ou diplomáticos, mas da rejeição coletiva ao ódio religioso, da proteção aos locais de culto e do respeito à dignidade de todas as comunidades que chamam a Terra Santa de lar. Em um contexto de polarização global, o diálogo inter-religioso e o compromisso com a coexistência pacífica surgem como caminhos essenciais para evitar que a luz milenar do Cristianismo se apague em sua própria origem.

Com informações Zenit

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