Ângelus: o amor requer desapego, perda e acolhimento para dar fruto
Neste domingo, 28 de junho, o Papa Leão XIV comentou a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 10, 37-42), na qual Jesus relembra a primazia do vínculo com Deus sobre todos os outros vínculos e bens.
Foto: Vatican Media/ Vatican News
Redação (28/06/2026 12:22, Gaudium Press) Neste domingo, 28 de junho, o calor intenso não impediu que cerca de 20 mil peregrinos se reunissem na Praça São Pedro, no Vaticano, para a tradicional Oração do Angelus.
Antes de recitar a oração mariana, o Papa Leão XIV refletiu sobre o Evangelho de São Mateus (Mt 10, 37-42), no qual Jesus apresenta as exigências do discipulado. O Pontífice transmitiu a exortação de Jesus para que sigamos seus passos e sejamos testemunhas do Reino de Deus. No entanto, ele alertou: “Não se trata de um simples gesto exterior, mas de nos dedicarmos totalmente a uma relação de amor com Ele”. Segundo o Papa, esse amor só se torna fecundo quando reúne três elementos fundamentais: o desapego, a perda e o acolhimento.
O desapego
Leão XIV retomou as palavras fortes de Jesus: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10,37). O Pontífice explicou que o Senhor deseja que seus discípulos estejam livres de todo apego excessivo aos bens terrenos — inclusive os laços familiares — para se dedicarem à missão e à difusão da fé.
“Mas isso vale para todos”, completou o Papa. “Mesmo os vínculos afetivos mais importantes encontram sua plenitude graças ao amor que Cristo nos oferece”. Ele citou o exemplo do casamento, no qual o homem e a mulher deixam a casa dos pais para formar uma nova família.
Recorrendo a São Agostinho, fundador da ordem agostiniana à qual pertence, o Pontífice usou a imagem do agricultor: “Só ‘perdendo’ aquela semente, lançada à terra, é que poderá vê-la florescer”.
A perda
Aceitar a perda por amor não é fácil, especialmente numa sociedade que vê a perda como fraqueza e cultua o ter e o possuir. O Papa reconheceu essa dificuldade, mas afirmou que o amor verdadeiro inclui necessariamente o “doar-se”.
“Quando estamos dispostos a perder um pouco do nosso ‘eu’ para dar lugar ao outro, a perder um pouco de tempo para escutar um amigo, a perder um pouco de conforto para compartilhar uma situação de complicada …”, exemplificou.
Citando o Evangelho, Leão XIV lembrou: “Quem quiser guardar a sua vida para si mesmo, na verdade a perderá” (cf. Mt 10,39), pois uma vida fechada no egoísmo torna-se estéril e não experimenta a alegria do amor.
Jesus, prosseguiu o Papa, abriu o caminho: “Ele ofereceu-se, perdeu-se a si mesmo” para que pudéssemos receber a sua vida em abundância. Quem vive na lógica do dom também será capaz de gerar vida nova em suas relações”.
O acolhimento
A terceira condição para um amor fecundo é o acolhimento, manifestado em pequenos gestos cotidianos, na disponibilidade e no serviço ao próximo. O Santo Padre recordou que Jesus enviava os discípulos à frente “sem provisões”, ou seja, em situação de necessidade, para que provocasse o acolhimento nas pessoas que encontrassem.
“Ao acolher quem vem em nome de Jesus, acolhe-se a Ele e ao Pai Celeste que O enviou. O amor ao Senhor passa sempre pelo acolhimento dos irmãos”, concluiu.





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