Vaticano rejeita pedido da Igreja na Alemanha para permitir homilias de leigos durante a Missa
A intervenção do Dicastério ocorre em meio às tensões recorrentes entre Roma e setores da Igreja na Alemanha ligados ao chamado Caminho Sinodal.

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Redação (23/06/2026 10:45, Gaudium Press) O Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos rejeitou um pedido da Conferência Episcopal Alemã para permitir que leigos pregassem a homilia durante a celebração da Missa em circunstâncias excepcionais. A decisão foi comunicada em carta enviada em 17 de junho ao presidente do episcopado alemão, Dom Heiner Wilmer, SCJ, e tornada pública por meio de uma nota divulgada nesta segunda-feira, 23 de junho, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
Segundo o comunicado, os bispos alemães haviam solicitado em março um indulto que autorizasse membros leigos dos fiéis, devidamente designados, a realizar a homilia em lugar do sacerdote ou diácono durante a celebração eucarística. O Dicastério, porém, concluiu que tal autorização não pode ser concedida.
Embora reconheça as preocupações pastorais que motivaram o pedido, o organismo vaticano afirma que a atual disciplina da Igreja não se trata de uma norma meramente administrativa passível de dispensa. De acordo com a nota, a reserva da homilia aos ministros ordenados decorre da própria natureza da liturgia e está intimamente ligada à missão recebida por meio do Sacramento da Ordem.
O texto recorda que a homilia integra a Liturgia da Palavra, está intrinsecamente vinculada à proclamação do Evangelho e constitui um exercício do munus docendi — o ofício de ensinar — confiado aos bispos, presbíteros e diáconos. Por essa razão, a proclamação da Palavra no contexto da celebração litúrgica não pode ser separada da missão sacramental recebida pelos ministros ordenados nem da unidade entre Palavra e Sacramento que caracteriza a celebração eucarística.
A nota também destaca a importância da formação permanente do clero para que a homilia alcance plenamente sua eficácia pastoral e espiritual. Ao mesmo tempo, recorda que a legislação da Igreja já prevê diversas formas de pregação e anúncio da Palavra de Deus que podem ser confiadas aos leigos, desde que ocorram fora da homilia e fora da celebração da Eucaristia.
A intervenção do Dicastério ocorre em meio às tensões recorrentes entre Roma e setores da Igreja na Alemanha ligados ao chamado Caminho Sinodal. Iniciado após a crise dos abusos sexuais, o processo propôs uma série de mudanças que suscitaram críticas da Santa Sé. Entre elas estão as bênçãos litúrgicas para casais do mesmo sexo, a ampliação do acesso de protestantes à comunhão eucarística em determinados contextos, a revisão da doutrina moral sobre a sexualidade, a ordenação de mulheres e a criação de novos modelos de governo eclesial com maior participação deliberativa dos leigos. Diversos organismos vaticanos já advertiram que algumas dessas propostas são incompatíveis com a doutrina e a disciplina universais da Igreja.
Nesse contexto, a negativa ao pedido dos bispos alemães é vista como mais uma demonstração da disposição de Roma em preservar a compreensão tradicional do ministério ordenado e de seus vínculos com a celebração litúrgica.
Chama a atenção, contudo, a ausência da assinatura do prefeito do Dicastério, Cardeal Arthur Roche, ou de seu secretário. Trata-se de uma breve nota institucional divulgada em nome do organismo, sem a subscrição das autoridades que normalmente figuram em documentos de maior relevância jurídica ou doutrinal. Ainda assim, se a intenção era deixar claro para a opinião pública que o Vaticano não concorda com a proposta apresentada pela Conferência Episcopal Alemã, o comunicado atingiu plenamente seu objetivo.



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