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Papa Leão XIV destaca Jérôme Lejeune como exemplo de defesa da vida frente à eugenia

Em um contexto em que debates sobre eutanásia e práticas eugenistas voltam à tona em vários países, a voz de Leão XIV e o testemunho de Jérôme Lejeune ressoam como um chamado urgente à defesa da vida humana, desde sua concepção até o fim natural.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (23/06/2026 08:20, Gaudium Press) No dia 22 de junho, o Papa Leão XIV recebeu em audiência, no Salão do Consistório do Vaticano, os membros da Fundação Jérôme Lejeune, por ocasião do centenário de nascimento do venerável geneticista francês. Em seu discurso, o Pontífice destacou a figura de Lejeune como um cientista de excelência e um incansável defensor da dignidade humana, especialmente das pessoas com síndrome de Down.

O pioneiro da genética que se tornou advogado dos mais frágeis

Foto: Fundação Jérôme Lejeune

Foto: Fundação Jérôme Lejeune

Jérôme Lejeune (1926-1994), considerado um dos pais da genética moderna, descobriu a anomalia cromossômica responsável pela trissomia 21 (síndrome de Down). Em vez de usar esse conhecimento para fins seletivos, dedicou sua vida à pesquisa de tratamentos e ao acompanhamento carinhoso das pessoas afetadas, a quem chamava de “os pobres entre os pobres”.

O Papa recordou uma frase marcante do professor: “A medicina é o ódio à doença e o amor ao doente”. Essa convicção guiou toda a sua trajetória, combinando rigor científico com profunda humanidade. São Paulo VI o nomeou membro da Academia Pontifícia de Ciências. Leão XIV ressaltou que “a profunda amizade forjada com São João Paulo II e sua visão compartilhada em favor da defesa da vida estiveram na origem da criação da Pontifícia Academia para a Vida”, instituição que Lejeune considerava essencial diante das crescentes ameaças à vida humana.

A denúncia do “racismo cromossômico”

Leão XIV enfatizou que Lejeune logo percebeu que sua descoberta científica seria usada para eliminar, antes do nascimento, as crianças com trissomia 21. Não hesitou em se tornar “seu advogado”, denunciando a violação do Juramento Hipocrático e o que chamava de novo eugenismo, qualificando-o de “racismo cromossômico”.

“Suas intervenções proféticas o levaram a defender a vida de toda pessoa humana, fazendo referência à dignidade inviolável que tem sua origem no ato criador de Deus”, afirmou o Papa. Essa luta corajosa lhe rendeu críticas e ataques em certos meios científicos, mas ele permaneceu firme na defesa da ética médica verdadeira.

A técnica não pode suplantar a ética

O Santo Padre alertou para os riscos de uma medicina submetida à lógica utilitarista:

“A técnica pode ajudar a medicina, mas não pode substituí-la. […] Jamais um médico deveria permitir-se, com base em algoritmos de laboratório, decidir sobre a vida de tal embrião ou de tal pessoa idosa! Jamais a medicina poderá se tornar serva da morte programada!”

Leão XIV reforçou que o valor de uma pessoa não depende de sua produtividade, autonomia ou utilidade social, mas da dignidade inerente conferida por Deus.

O legado vivo da Fundação Jérôme Lejeune

A Fundação continua a missão do professor em três frentes: pesquisa científica, atendimento médico e defesa incondicional da pessoa humana. O Instituto Jérôme Lejeune atende milhares de pacientes com deficiências intelectuais de origem genética todos os anos, e apoia inúmeros programas científicos internacionais. Além disso, a Cátedra Internacional de Bioética forma profissionais de saúde, juristas e filósofos.

O Papa dirigiu-se especialmente às famílias e pessoas com síndrome de Down presentes, vindas de vários países (Espanha, Argentina, Estados Unidos, Portugal, Itália, Tunísia, Costa do Marfim e Coreia do Sul, entre outros), encorajando-as a serem testemunhas corajosas na sociedade:

“Sejam, como ele, testemunhas engajadas na sociedade, ao serviço da busca constante do bem comum.”

Leão XIV lembrou que o bem comum, “primeiro grande princípio da doutrina social da Igreja”, não pode excluir ninguém criado à imagem e semelhança de Deus, especialmente os que vivem em situação de vulnerabilidade.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Ao concluir, o Papa expressou o desejo de que o exemplo de Jérôme Lejeune inspire “o valor da verdade entre os inúmeros jovens e profissionais que buscam coerência” e “ajude a unir, sem rigidez, a razão e a fé, a palavra e os atos, a ausência de julgamento sobre as pessoas e a rejeição da mentira”.

O Papa confiou todos à intercessão de Nossa Senhora, pedindo que Ela “guie os vossos passos, apoie os vossos esforços e estenda a sua ternura a todos os necessitados”.

Essa declaração de Leão XIV ocorreu no mesmo dia em que o debate sobre a eutanásia voltou à Assembleia Nacional francesa.

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