Sacerdote católico é assassinado no Sudão
O Padre Youhanna Al-Amin e outros dois colaboradores foram mortos após o sacerdote denunciar o roubo de medicamentos destinados à população local.
Foto: Pixabay/Mirosław i Joanna Bucholc.
Sudão (22/06/2026 10:00, Gaudium Press) Um sacerdote católico foi assassinado no Sudão na última sexta-feira, 19 de junho. Além do Padre Youhanna Al-Amin, outras duas pessoas foram mortas, dentre elas o zelador da Paróquia de Kauda e o responsável pelo depósito. Este triplo homicídio está sendo tratado como um ato de retaliação contra o sacerdote, após ele ter denunciado o roubo de medicamentos destinados à população local, que estavam armazenados na Paróquia.
Retaliação por denúncia de desvio
De acordo com o jornal ‘Sudan Now’ o crime foi cometido por membros de uma facção do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-Norte). O caso acontece em um contexto de alta tensão. Desde o mês de março, diversas áreas das Montanhas Nuba têm sido palco de confrontos internos entre facções ligadas ao SPLM-N, resultando no deslocamento de centenas de civis e em uma deterioração ainda maior das condições humanitárias para a população local.
Disputas territoriais e violência em Kauda
Há anos existe uma disputa de terras na região assim como disputas sobre limites administrativos na área de Otoro, que tem gerado um clima de violência local. Líderes do SPLM-N acusam parte da população de se rebelar contra a autoridade do movimento, que controla a região. Já os representantes da comunidade local garantem que o movimento está tentando tomar suas terras à força. A cidade de Kauda se tornou um epicentro das tensões por ser o principal centro das Montanhas Nuba.
Divisões internas do movimento rebelde
Fundado no ano de 2011, após a independência do Sudão do Sul, o SPLM-N se dividiu em duas facções em 2017: uma liderada por Abdelaziz al-Hilu, ativo principalmente nas Montanhas Nuba, e outra liderada por Malik Agar, mais presente na região do Nilo Azul. Muitos combatentes Nuba pertencentes ao Movimento/Exército Popular de Libertação do Sudão permaneceram no norte do país e continuaram a lutar contra o governo sudanês por questões relacionadas à marginalização das populações não árabes, direitos à terra e exclusão política das regiões periféricas. (EPC)






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