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Papa aos lefebvristas sobre as ordenações episcopais: “é uma escolha deles, nós devemos seguir em frente”

Papa Leão XIV faz novo apelo à Fraternidade São Pio X e alerta para risco de nova divisão na Igreja.

Foto: Vatican news/ X

Foto: Vatican news/ X

Redação (18/06/2026 17:08, Gaudium Press) Ao sair de sua residência de verão em Castelgandolfo, no dia 16 de junho, o Papa Leão XIV dirigiu um novo apelo aos membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), os chamados lefebvristas. O pontífice manifestou preocupação com as ordenações episcopais anunciadas pela entidade para o próximo dia 1º de julho, em Écône, na Suíça, que ocorreriam sem o mandato pontifício.

Em conversa com jornalistas, Leão XIV afirmou que o Vaticano ainda considera fazer outro apelo à Fraternidade. “Estamos considerando a possibilidade de fazer outro apelo, para dizer-lhes: ‘Não façam isto. Procuremos viver a comunhão na Igreja’”, declarou o Papa.

Apesar do tom conciliador, o pontífice reconheceu que a decisão final cabe à própria Fraternidade. “Mas é escolha deles. É preciso ter consciência do que isso significa para eles e para a Igreja”, acrescentou.

Divisão eclesial dolorosa

Para Leão XIV, a realização das ordenações representaria uma nova fratura na unidade da Igreja Católica. “Certamente, a divisão entre os cristãos é sempre um ponto doloroso”, ressaltou.

O principal ponto de desacordo doutrinal entre Roma e a FSSPX, segundo o Papa, continua sendo a rejeição de “alguns elementos fundamentais da Igreja, começando por diversos pontos do Concílio Vaticano II”.

Mesmo assim, o Papa deixou claro que a Igreja prosseguirá seu caminho independentemente da escolha da Fraternidade. “Se fizerem essa escolha, lamento, mas nós devemos seguir em frente”, afirmou.

Semanas decisivas

As próximas semanas serão consideradas cruciais para as relações entre o Vaticano e a Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Marcel Lefebvre em 1970. A entidade nunca aceitou plenamente as reformas do Vaticano II e, em 1988, sofreu uma excomunhão após ordenações episcopais realizadas sem autorização de Roma – excomunhão que foi posteriormente revogada por Bento XVI em 2009.

Desde então, houve várias tentativas de diálogo e aproximação, especialmente durante os pontificados de Bento XVI e Francisco, mas sem que se chegasse a uma plena reconciliação. A FSSPX mantém seminários, paróquias e fiéis em vários países, defendendo a Missa Tridentina e uma interpretação mais conservadora.

O gesto de Leão XIV reforça o desejo de unidade, mas também demonstra a firmeza de Roma em relação à necessidade de comunhão e obediência ao Magistério

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