Estou cansado?
Todos nós precisamos descansar e oferecer descanso, mas o verdadeiro repouso só está em Deus.

Foto: Wikipedia
Redação (13/06/2026 12:28, Gaudium Press) Sofrer fome, sede ou cansaço são mazelas próprias à condição mortal. No entanto, tais sujeições da natureza são símbolos de uma realidade superior e sobrenatural: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6).
Já no Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum, deparamo-nos com uma outra contingência que não provém de fadigas físicas.
Aquilo que atrai muito, cansa pouco
É comum encontrar uma criança tão entretida com um brinquedo que nada a faz parar. Ela não quer dormir, não se cansa, pois de tal modo aquilo a atrai e lhe é agradável que capta por inteiro a sua atenção.
Este fenômeno não se restringe ao âmbito infantil ou adolescente… Quantas pessoas passam horas a fio diante de um celular ou computador, quase hipnotizadas pelo mundo cibernético? Quantos, porém, tão inebriados pela técnica e ciência hodierna, são incapazes de assistir à Santa Missa no domingo ou de reservar sequer dez minutos para a recitação o terço?
Qual a razão? Porque se cansam rapidamente…
Aquilo que me atrai, não me cansa. Se sinto motivação pelas coisas mundanas e cansaço pelas coisas de Deus, que solução haverá?
A ausência de pastor
“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36).
No momento da tentação, o maior receio do demônio consiste em que sua vítima procure ajuda ou peça orientação.
As multidões que foram objeto da compaixão de Jesus estavam cansadas de errar em vias tortuosas pelo fato de não terem um guia idôneo que as orientasse retamente nos caminhos de Deus, pois os responsáveis pela condução do povo de Israel não eram lobos com pele de ovelha, mas com cajado de pastor.
Por isso, o Divino Mestre comparou o povo eleito a um rebanho que, na ausência do pastor, se extravia, cai nas valas e, desgarrado, sucumbe às garras do predador. E acrescentou: “Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem a mim” (Jo 10,14).
Se pertencemos a este santo redil, Ele nos concederá graças para reconhecermos a sua voz nos verdadeiros pastores – que nunca faltarão – de seu rebanho.
Somos pastores
Se, por um lado, é verdade que todos somos ovelhas, é igualmente verdade que todos temos a vocação de fazer certo pastoreio. Continuamente estamos influenciando uns aos outros, seja para o bem ou para o mal.
Não é verdade que o santo que vai ao Céu leva consigo uma multidão de almas? A família espiritual de São Bento, por exemplo, alegra-se com mais de três mil beneditinos canonizados. Santa Teresinha, recolhida no Carmelo de Lisieux, fez tanto bem ao mundo que há mais de três mil igrejas erigidas em sua honra.
Se são inumeráveis os testemunhos de que ninguém entra no Céu sozinho, o oposto também é verdade, pois os maus exemplos chegam a arrastar consigo rebanhos inteiros para os abismos.
Qual é, pois, minha influência sobre o próximo? Meu exemplo constitui um estímulo à prática da virtude e dos mandamentos ou, de algum modo, favoreço vícios, sou conivente com paixões desenfreadas e cúmplice do pecado?
O pastoreio que todo católico é chamado a exercer se realiza pela palavra e pelo exemplo. A cada pessoa com quem tratamos, Deus reservou um lugar único e exclusivo no Céu. Cada alma é um tesouro que a nossa conduta pode contribuir em aperfeiçoar e sublimar, ou em sujar e destruir.
Longe de nós imitar Caim, autor do primeiro fratricídio, que escusou-se de seu pastoreio ao dizer: “Acaso sou eu o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9)
Descanso no Coração de Jesus e de Maria
Nos momentos em que o peso do cansaço nos oprime, seja pela falta de uma palavra edificante ou de um modelo que nos guie, dobremos os joelhos e recorramos Àquele que disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e abatidos sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso” (Lc 11,28).
Refugiemo-nos dentro dos Corações de Jesus e Maria; neles encontraremos as energias para levar a nossa Cruz com alegria até os prados e campinas verdejantes onde seremos conduzidos ao verdadeiro descanso.
Por Marcus Yip





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