Papa Leão XIV na inauguração da torre Jesus Cristo da Igreja da Sagrada Família
A presença do Papa na Basílica de Gaudí foi um dos eventos mais assistidos em todo o mundo durante a visita do Pontífice à Espanha.

Foto: Vatican Media
Redação (11/06/2026 10:29, Gaudium Press) Nesta última quarta-feira, o Papa Leão XIV presidiu um momento histórico em Barcelona: a bênção da Torre de Jesus Cristo, que eleva a Sagrada Família à condição de templo cristão mais alto do mundo. Com 172,5 metros de altura, a torre foi inaugurada simbolicamente ao entardecer, saindo o Santo Padre à fachada do Nascimento — a única que Antoni Gaudí viu em construção — para abençoá-la quando a última luz do dia se apagava.
Longe de tratar a basílica apenas como uma grande obra arquitetônica, o Papa ofereceu uma leitura profundamente teológica. Para Leão XIV, a Sagrada Família não é apenas um monumento, mas uma obra em construção, “que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus”.
Essa realidade se torna imagem viva da condição cristã: “Nós não habitamos uma obra inacabada, mas um templo ainda em construção”, afirmou. “Sua imperfeição não é um defeito, pois testemunha um desejo; não significa uma falta, mas expressa uma promessa que queremos honrar com coerência”. E depois acrescentou: “nossa vida, que Deus concebe como uma obra-prima que devemos realizar juntos e para a qual nos chama a colaborar com Ele”.

Foto: Vatican Media
Uma lição voltada a Deus
O cristão não é um “produto acabado”, mas uma obra que Deus continua a moldar ao longo da vida. Essa visão dialoga diretamente com a espiritualidade de Gaudí, que não projetou a basílica como monumento à glória humana, e sim como uma imensa catequese de pedra voltada para Deus.
Leão XIV lembrou que Sagrada Família não é apenas arquitetura, mas também “uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz. Na sua sabedoria, a Igreja renova assim a Biblia pauperum das antigas catedrais, que são, em si mesmas, mensagens de evangelização de grande riqueza. Nesta era da imagem, é ainda mais evidente como a arte e a beleza são canais eminentes de evangelização”.
Referindo-se à nova Torre de Jesus Cristo, que agora domina o horizonte de Barcelona, declarou: “A Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo”.
“Ao admirar a torre de Jesus Cristo, elevamos o olhar para Ele, para Aquele que nos revela apenas a verdade de Deus e a verdade de nós mesmos. Olhando para Cristo, podemos ver o mundo com olhos renovados: a torre da cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança. […] Esta cruz brilha de dia, refletindo a luz do sol, e brilha de noite, iluminando a cidade como um farol aberto para o Mediterrâneo”.
Detalhes que carregam significado
Gaudí planejou a Igreja com simbolismos: ela tem meio metro a menos que o monte Montjuïc (com 184,8 m, é uma famosa colina histórica e um enorme parque situado no sudoeste de Barcelona), para que a obra do homem não superasse a criação de Deus. São 18 torres no total — 12 dedicadas aos apóstolos (quatro ainda por construir), quatro aos Evangelistas, uma a Maria e a central a Cristo. A cruz é visitável, mas só abrirá ao público em 2028, quando o elevador interno estiver concluído. O último trecho terá de ser subido a pé: “para que quem chegue à luz faça um esforço final”.
A cerimônia terminou já noite adentro com um espetáculo de luz e música inspirado no universo gaudiniano, além de um desenho do rosto de Gaudí formado por drones no céu de Barcelona.





Deixe seu comentário