Gaudium news > Poderia variar um pouquinho?

Poderia variar um pouquinho?

Não se trata de realizar ordinariamente coisas extraordinárias. Devemos concretizar coisas ordinárias de modo extraordinário.

Foto: Vitaly Gariev/ Unsplash

Foto: Vitaly Gariev/ Unsplash

Redação (07/06/2026 16:41, Gaudium Press) Não existe sábado sem sol, domingo sem Missa e segunda-feira sem…

Bem, o fim do ditado todos já conhecem. Tudo se repete uma e outra vez… e depois novamente… sem contar que posteriormente tudo reincide na reiteração…

É o monótono da vida.

Os dias sucedem-se uns aos outros, sem novidades, numa espécie de martírio a fogo lento.

Nunca muda? É sempre a mesma coisa?

A cruz de todos os dias

Esta pergunta se mostra ridícula e a resposta parece mais que óbvia.

De fato, não é complicado demonstrar que um sábado pode amanhecer chuvoso. Que num domingo não haja Missa, de fato, é difícil refutar. No entanto, que em toda a segunda-feira haja preguiça? Isso não é assim… Nos outros dias também há, não é?

É evidente que a preguiça não é lícita nem bonita. Mas não é verdade que há certos dias em que o tédio ameaça dominar-nos? Hoje repete-se o que se fez ontem, e amanhã, certamente, se fará o mesmo que depois de amanhã.

A vida não é um vale de rosas, mas de cruzes. Enfim, apesar das monotonias da existência, não parece impossível que alguns fenômenos cheguem a superar o comum de todos os dias.

* * *

Narremos um minúsculo fato.

Dentro do silêncio de uma igreja, iluminada apenas pela tênue luz de uma lamparina, um religioso rezava após o cântico do Ofício. Submerso no recolhimento, teve o monge a visão do Divino Redentor pregado à Cruz.

Ora, para surpresa do agraciado, percebeu que Nosso Senhor não estava sozinho, mas acompanhado por alguns dos seus irmãos de hábito, crucificados também eles. Não entendendo o significado de tal revelação, foi esclarecido por Jesus Cristo: “Estes são os que estão crucificados comigo, conformando sua vida com minha Paixão”.

Após as divinas palavras, a visão cessou.

* * *

Monges que conformavam sua vida à Paixão de Cristo. Como? Certamente com cilícios, açoites, jejuns e prolongadas vigílias? Mortificavam-se, sim, mas em matérias mais meritórias. Eles renunciavam à sua própria vontade, carregando a mesma cruz todos os dias.

O extraordinário do ordinário

Muitas vezes o heroísmo não está em realizar façanhas e desempenhar papéis brilhantes ao estilo de Hollywood. Para aqueles que buscam a perfeição, a santidade, não se trata de concretizar coisas extraordinárias.

Devemos é fazer coisas ordinárias de modo extraordinário. Convém mais fazer o ordinário extraordinariamente que o extraordinário ordinariamente.

Ser herói no cotidiano, isto sim é uma das maiores proezas que só os idealistas conseguem realizar!

É o sacrifício incruento, mas tão doloroso: nas miudezas quotidianas, discernir a vontade da Providência e amá-la.

É o sacrifício de, ao olhar o céu, não ver o esmaecido azul de sempre, mas o rutilante azul que Deus estendeu sobre nossas cabeças para espelhar aquele outro Céu, tão mais imenso, ao qual Ele nos convida.

É o sacrifício de desempenhar bem, a cada hora, o meu trabalho.

É o sacrifício de educar eximiamente os filhos durante toda a vida.

É o sacrifício de não perder a paciência com o cônjuge, apesar dos anos, das décadas e dos minutos.

É o sacrifício, enfim, de ação atrás de ação, cumprir minhas tarefas e obrigações com constância e alegria.

Depois da cruz de todos os dias, virá o feliz Dia da eternidade.

Por Diác. Bernardo Morales, EP.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas