Polônia: beatificação de nove salesianos mártires
Nove religiosos mortos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial foram beatificados no último dia 6 de junho, no Santuário de São João Paulo II, na Cracóvia.

Foto: Salezjanie Oświęcim/ Facebook
Redação (07/06/2026 11:24, Gaudium Press) Os nove sacerdotes salesianos beatificados são: Jan Świerc, Ignacy Antonowicz, Karol Golda, Włodzimierz Szembek, Franciszek Harazim, Ludwik Mroczek, Ignacy Dobiasz, Kazimierz Wojciechowski e Franciszek Miśka. Eles foram mortos nos campos de concentração nazistas de Auschwitz e Dachau entre 1941 e 1942. Após o papa Leão XIV aprovar o decreto de martírio em 24 de outubro de 2025, chegou o momento da sua beatificação.

Foto: Salezjanie Oświęcim/ Facebook
O Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, presidiu a missa de beatificação, e a homilia foi proferida pelo próprio Cardeal Marcello Semeraro. A cerimônia contou com a presença do Presidente da Polônia, Karol Nawrocki, bem como de numerosos cardeais, bispos, sacerdotes, consagrados e jovens de toda a Polônia, para quem os beatos foram exemplos de educadores e pastores.
Na celebração, foi destacado o testemunho de fidelidade do Pe. Jan Świerc e seus companheiros salesianos, que permaneceram fiéis a Cristo e ao seu sacerdócio até a morte durante a perseguição nazista.
“Estamos reunidos aqui hoje com alegria e emoção para participar da beatificação de um grupo de sacerdotes salesianos, Jan Świerc e oito de seus companheiros. Todos conhecemos as trágicas circunstâncias de sua prisão e morte, e este dramático capítulo da história polonesa é amplamente conhecido”, declarou o cardeal.
Não celebramos a morte, mas a vitória de Cristo
Em sua homilia, o Cardeal Semeraro ressaltou: “a beatificação não é uma recordação triste dos horrores da guerra, mas uma celebração da vitória de Jesus Cristo que brilha no testemunho desses sacerdotes, filhos de São João Bosco”.
“Não celebramos hoje a tristeza daqueles acontecimentos, mas a glória de Jesus Cristo, que resplandece no testemunho destes padres, filhos de São João Bosco, que, como Cristo e com Cristo, entregaram a sua vida”, afirmou.
Os novos beatos, segundo o cardeal, transformaram o tempo de ódio e violência em “semente de paz e fraternidade” para as gerações futuras.
“Eles deram a vida como mártires de Cristo e da Igreja: quando o ódio antirreligioso, a violência e a injustiça, que grassaram no século passado, tentaram dispersar o rebanho, eles não fugiram. Permaneceram fiéis à sua vocação de sacerdotes salesianos até o momento da prisão e da subsequente morte. O sangue deles, derramado no espírito da fidelidade evangélica a Cristo, tornou-se semente de paz e fraternidade em tempos tão sombrios e repletos de violência” – disse o cardeal Marcello Semeraro.
Mensagem especial aos jovens
Uma grande parte da homilia foi dirigida aos jovens, que o cardeal lembrou serem o presente vivo da Igreja, e não apenas o seu futuro.
“Frequentemente o mundo vos oferece liberdade sem verdade, felicidade sem responsabilidade e sucesso sem renúncia. O Evangelho mostra o caminho contrário”, destacou.
Dom Semeraro encorajou os jovens a não terem medo de escutar a voz de Cristo, que conhece os desejos mais profundos do coração humano. “O Senhor não vos pede para desistir dos vossos sonhos, mas para purificá-los e iluminá-los pela luz da fé”, reforçou.
Ligação com São João Paulo II
O cardeal também lembrou o forte vínculo entre os novos beatos e a história de São João Paulo II. Os salesianos atuavam na paróquia de Santo Estanislau Kostka, no bairro de Dębniki, em Cracóvia, exatamente onde o jovem Karol Wojtyła amadureceu seu chamado sacerdotal.
De fato, a beatificação no Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia, possui um profundo significado histórico e espiritual. O jovem Karol Wojtyła, que vivia no bairro de Dębniki, durante a guerra, testemunhou a prisão de seis dos nove salesianos. Os alemães os deportaram para o campo de concentração de Dachau, e essa experiência afetou profundamente o futuro Papa, tornando-se um dos eventos que influenciaram sua decisão de se tornar sacerdote. “Acredito firmemente que a vocação sacerdotal de São João Paulo II também nasceu do martírio deles”, declarou o Metropolita Cardeal Grzegorz Ryś de Cracóvia. Segundo o Cardeal, o jovem Wojtyła compreendeu naquele momento o significado da escassez de sacerdotes e a imensa perda que a privação dos fiéis de seus pastores representava para a comunidade da Igreja.
Citando o livro Dom e Mistério, o Cardeal Semeraro recordou as palavras do próprio João Paulo II sobre a importância do ambiente salesiano na formação de sua vocação, especialmente após a deportação de vários salesianos para o campo de concentração de Dachau.
Alerta contra a “solidão digital”
Olhando para os desafios atuais, o cardeal alertou para a “solidão digital”, que cria a ilusão de proximidade e relacionamentos, mas muitas vezes deixa as pessoas mais isoladas.
“Santo se torna, acima de tudo, escutando a voz de Deus e entrando em diálogo com Ele”, afirmou. Ele pediu que as comunidades não se deixem abater pelo cansaço e pela falta de motivação, mas que voltem a reconhecer a voz do Bom Pastor.
Oração pela paz
Ao final, o Cardeal Marcello Semeraro convocou todos à oração pela paz no mundo e pediu a intercessão dos novos beatos salesianos para que não faltem, mesmo em tempos de guerra e sofrimento, homens e mulheres capazes de levar luz, esperança, amor e fraternidade. Durante a cerimônia, foi lembrada também a memória de todo o clero perseguido por sua fé durante a Segunda Guerra Mundial.
A beatificação desses mártires salesianos renova o convite a todos, especialmente aos jovens, a viverem com coragem e fidelidade o sonho que Deus colocou em seus corações.





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