Leão XIV na celebração de Corpus Christi: fé na presença do Senhor Ressuscitado vivo no meio de nós
Neste domingo, 7 de junho, segundo dia de sua quarta Viagem Apostólica, o Papa Leão XIV presidiu a celebração de Corpus Christi na Plaza de Cibeles, em Madri.

Foto: Vatican Media
Redação (07/06/2026 11:24, Gaudium Press) Durante sua visita a Madri, o Papa Leão XIV participou da solenidade de Corpus Christi (em alguns países, como a Espanha, a solenidade foi transferida da tradicional quinta-feira para o domingo seguinte), uma das celebrações mais tradicionais e belas da Espanha. Antes da missa, o Pontífice foi recebido com grande entusiasmo pela população espanhola. Ele cumprimentou brevemente a família real e recebeu as chaves de ouro da cidade, símbolo de honra e amizade.
Com o coração “transbordante de alegria”, o Papa iniciou sua homilia destacando o profundo significado da festa. Corpus Christi não é “apenas mais uma festa no calendário litúrgico”, mas um verdadeiro retorno às raízes da fé para renovar o amor e a fidelidade a Deus.
Foto: Vatican Media
Cristo que caminha no meio do povo
O Papa lembrou que as solenes procissões espanholas — com tapetes de flores, altares nas ruas, o cuidado com as custódias e os ostensórios, os cânticos e os ornamentos — não representam uma simples tradição folclórica ou adorno estético. Elas expressam a fé viva na presença real do Senhor Ressuscitado, “que continua a passar no meio de nós, que se faz pão para a nossa fome de vida e visita os recantos do nosso coração e da nossa história, também os mais escuros”.
Nas procissões, Jesus não permanece fechado no templo: Ele sai ao encontro do povo, percorre as ruas e praças, habita os lugares da nossa vida quotidiana. “Ele é o Deus próximo, que caminha com seu povo, o Senhor da história, consolo dos fracos, luz para as famílias, esperança para os doentes e paz para quem sofre”, afirmou o Papa.
Leão XIV lembrou ainda que, na tradição espanhola, a solenidade do Corpus Christi esteve por muitos anos ligada ao Dia da Caridade, reforçando que a Eucaristia deve nos levar a sair do “egoísmo e da indiferença, de uma fé confortável e privada, para responder ao seu convite à conversão, a mudar o olhar, a acolher a sua presença que nos transforma e nos torna construtores de um mundo novo”.
Uma escola de fé para o presente
O Pontífice fez um alerta importante: a rica memória histórica das procissões não pode se transformar em mera nostalgia do passado, mas é “um convite para o hoje, para a nossa vida pessoal, para as nossas relações, para a sociedade, para a construção do futuro”. E acrescentou: “Trata-se de ‘recordar’ precisamente para não esquecer quem é o Senhor, para não cair na tentação de confiar noutros ídolos e alimentar-se de um pão que não sacia”.
A religiosidade na Espanha deve ser uma escola de fé viva, onde se aprende a se ajoelhar diante de Deus e diante do próximo. “Ninguém pode se ajoelhar diante do Senhor e desprezar seu irmão”, enfatizou. Segundo o Papa, essa escola ensina a gratuidade do amor, quebra as correntes do egoísmo e forma cristãos dispostos a construir o bem comum, em vez de fugir dos desafios do mundo. Enfim, uma escola de fé na qual aprendemos que Deus é presença real.
Exemplos de santidade espanhola
Durante a homilia, Leão XIV destacou duas grandes figuras da espiritualidade espanhola:
– Santo Manuel González, conhecido como “o bispo dos sacrários abandonados”, exemplo de fidelidade silenciosa e amor à Eucaristia no dia a dia.
– São João da Cruz, que, mesmo “na prisão conventual de Toledo, onde se encontrava encarcerado em condições extremamente duras, precisamente por volta do Corpus Christi de 1578, reconhece, desde a noite daquela prisão, a presença oculta do Senhor, da qual brota uma luz que não conhece ocaso e mana uma vida que não se esgota”.
O Papa convidou os fiéis a beberem dessa “fonte eucarística” para hidratar as aridezes do nosso coração e, depois, levarem água fresca de amor, justiça, paz e alegria para os que mais sofrem.
Uma celebração histórica
A missa e a procissão reuniram mais de 1,2 milhão de fiéis na Praça de Cibeles e arredores. A celebração contou com a participação de cerca de 400 cantores, mais de 2 mil padres e diáconos distribuindo a comunhão, 22 mil voluntários e um forte esquema de segurança com 23 mil policiais.
Após a missa, o Santíssimo Sacramento percorreu as ruas de Madri em uma imponente procissão, demonstrando a vitalidade da fé do povo espanhol.





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