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Cuidado com as afirmações de certos meios de comunicação contra a Igreja

The Globe and Mail admite falha jornalística no caso Kamloops: o que realmente aconteceu com as supostas “fossas comuns” de 215 crianças indígenas no Canadá.

Foto: Wikipedia

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Redação (05/06/2026 08:46, Gaudium Press) O tradicional jornal canadense The Globe and Mail publicou, no final de maio, um editorial que reconhece uma “falha de jornalismo” em sua cobertura de 2021 sobre as supostas “fossas comuns” na antiga Escola Residencial Indígena de Kamloops, na Colúmbia Britânica. O caso havia gerado uma forte onda de indignação contra a Igreja Católica no país, resultando em dezenas de igrejas incendiadas.

Em maio de 2021, a Primeira Nação Tk’emlúps te Secwépemc[1] divulgou um comunicado afirmando ter “confirmado” os restos mortais de 215 crianças indígenas por meio de radar de penetração terrestre (GPR), que detectou anomalias subterrâneas no terreno da escola — administrada por uma congregação católica até meados do século XX. Muitos veículos de imprensa, incluindo o próprio The Globe and Mail, noticiaram a informação como fato consumado, usando termos como “fossas comuns” ou “restos de crianças encontrados”.

Cinco anos depois, o editorial do The Globe and Mail reconhece que o ponto de partida correto deveria ter sido a busca por provas, e não a aceitação imediata da afirmação. Até o momento, nenhum resto humano foi exumado ou confirmado publicamente no local. O que existe são apenas anomalias detectadas pelo radar — tecnologia que não comprova, por si só, a presença de corpos.

“Os meios de comunicação, incluindo The Globe and Mail, não examinaram inicialmente, e muito menos questionaram, essa afirmação”, admitiu o editorial.

O jornal ressaltou ainda que os crimes históricos cometidos contra crianças indígenas nas escolas residenciais não validam automaticamente as alegações específicas sobre Kamloops nem o uso da expressão “fossas comuns”.

Reações políticas e violência anticatólica

A notícia de 2021 provocou forte comoção nacional. O então primeiro-ministro Justin Trudeau e o premier da Colúmbia Britânica, John Horgan, fizeram declarações dramáticas. Bandeiras foram colocadas a meio mastro em prédios federais. A repercussão levou a dezenas de ataques contra igrejas católicas em todo o Canadá, incluindo incêndios criminosos.

O editorial do The Globe and Mail critica indiretamente essas reações, destacando que as afirmações mais graves não tinham fundamento comprovado na época. Até o momento, não há registros públicos de retratações ou pedidos de desculpas claros por parte dessas autoridades.

O caso também provocou autocrítica interna na Igreja Católica canadense. Alguns setores eclesiais, em meio à forte pressão midiática, aceitaram rapidamente a versão inicial como verdadeira, o que contribuiu, ainda que indiretamente, para a onda de animosidade contra a instituição.

O Catholic Register, tradicional veículo católico canadense, destacou o editorial do The Globe and Mail como um importante reconhecimento de responsabilidade jornalística.

Cinco anos após o anúncio que chocou o Canadá, o que se tem são anomalias não confirmadas, muitas perguntas ainda sem resposta e uma lição clara: afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. Até que a escavação e a verificação forense sejam feitas (se e quando ocorrerem), o que prevalece é a cautela e o compromisso com os fatos.


[1] A Primeira Nação Tk’emlúps te Secwépemc é uma comunidade indígena do povo Secwépemc, localizada em Kamloops, na Colúmbia Britânica (Canadá). O grupo é internacionalmente conhecido por liderar investigações sobre sepulturas e desaparecimentos de estudantes na antiga Escola Residencial Indígena de Kamloops.

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