Cortesia
Eis uma pequena virtude, “sem a qual as grandes muitas vezes são falsas e enganosas”.

Foto de Vitaly Gariev na Unsplash
Redação (01/06/2026 18:52, Gaudium Press) É agradabilíssimo o lar em que todos se esforçam por ser corteses e acolhedores; os nossos ancestrais diziam “polidos”.
Ser polido, como a própria palavra o indica, significa suavizarmos as asperezas do nosso caráter. Um objeto que não foi polido é qualificado como tosco, e este adjetivo, aplicado aos homens, nada tem de lisonjeiro. Mas acontece que a polidez é muitas vezes considerada como artigo de exportação. Somos corteses e afáveis com as pessoas de fora, mas, quando entramos em casa, não nos importamos com nada. Afinal de contas, não voltamos para casa para nos distendermos e descansar?
De acordo, desde que a mola, ao distender-se, não salte bruscamente e acabe por ferir alguém. Para descansar, será indispensável levantarmos excessivamente a voz ou assumirmos ares carrancudos? Franzir as sobrancelhas ou “fechar a cara” não são sinais de uma verdadeira descontração, ao passo que o sorriso, as pequenas delicadezas e o antecipar-se aos desejos dos outros criam no lar uma atmosfera de repouso e de serenidade.
A cortesia não obriga somente os subordinados em relação aos superiores. “Cuidai de não desprezar nenhum destes pequeninos”, dizia o Senhor (Mt 18,10-11). Cristo quer que respeitemos em qualquer homem a sua dupla dignidade de ser racional e de filho de Deus. Todo o homem, seja qual for a sua condição, tem direito à nossa consideração. E não é possível definir melhor a cortesia.
O lar de cada um será um lar cristão se nele todos rivalizarem em delicadezas uns para com os outros. Respeitemos os anciãos, cujos cabelos embranqueceram; tenhamos presente a fraqueza daqueles a quem devemos aconselhar ou repreender; levemos em conta a fadiga daqueles que se fecham demasiado em si mesmos. Extirpemos do nosso vocabulário e das nossas atitudes as rudezas que bloqueiam os profundos sentimentos de afeto que nutrimos habitualmente uns pelos outros. Quereis esforçar-vos nisso ao longo desta semana? Eu vos prometo oito dias de felicidade.
Extraído de: CHEVROT, Pe. Georges. As pequenas virtudes do lar. Trad. Henrique Elfes. 4.ed. São Paulo: Quadrante, 1990,9-10.





Deixe seu comentário