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Colômbia: candidato a presidência Abelardo de la Espriella reza terço em família

Vídeo de Abelardo de la Espriella rezando o terço em família viraliza na Colômbia e destaca o papel da fé na campanha presidencial.

Foto: screenshot/ X

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Redação (01/06/2026 11:19, Gaudium Press) A poucas semanas do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, marcado para o próximo dia 21 de junho, uma imagem do candidato Abelardo de la Espriella rezando o terço com a família ganhou repercussão nas redes sociais. O momento, gravado em casa, gerou debates acalorados e reforça como a dimensão religiosa tem se tornado um elemento central nessa disputa polarizada.

Abelardo de la Espriella, advogado, empresário e figura de destaque da direita colombiana — conhecido como “El Tigre” —, liderou o primeiro turno com cerca de 43,7% dos votos, superando o candidato de esquerda Iván Cepeda, do Pacto Histórico, que obteve aproximadamente 40,9%. Sem atingir a maioria absoluta, os dois vão disputar o secundo turno em um pleito que promete ser um dos mais acirrados da história recente do país.

Fé assumida publicamente

Diferentemente de muitos políticos que preferem manter a religião no âmbito privado, Espriella tem feito questão de expor sua convicção católica de forma aberta. Advogado criminalista de sucesso, ele promete mais rigor contra o crime, defesa da família tradicional, da liberdade religiosa e dos valores que ele considera tradicionais. Em várias ocasiões, o candidato afirmou que sua entrada na política veio de uma “convicção profunda” e que “Deus mostrou que o momento havia chegado”.

A equipe de campanha já havia convocado os colombianos a se unirem em oração pelo país dias antes da votação. O vídeo do terço em família surge como continuidade natural dessa estratégia. Sua esposa, Ana Lucía Pineda, também atua publicamente na promoção da família e da proteção à infância. O casal, pais de quatro filhos, apresenta o lar como base moral e inspiração para o engajamento político.

Ex-ateu confesso, Espriella relatou uma conversão ao catolicismo há cerca de seis anos, após uma experiência pessoal marcante. Ele tem descrito a disputa eleitoral não apenas como uma batalha política, mas como uma “guerra espiritual”, chegando a participar de rosários públicos e lives com influenciadores católicos.

Raízes católicas na sociedade colombiana

Essa abordagem ressoa fortemente na Colômbia, um país onde o catolicismo ainda ocupa lugar central na cultura e na identidade nacional, mesmo com o crescimento das igrejas evangélicas e mudanças sociais aceleradas nas últimas décadas. A oração do terço (rosário) continua sendo uma devoção diária para milhões de famílias, especialmente em momentos importantes de suas vidas.

Para apoiadores do candidato, o vídeo demonstra coerência entre o discurso conservador e a vida privada. Para críticos, representa uma estratégia calculada para mobilizar o eleitorado cristão conservador, sensível a temas como valores tradicionais, liberdade religiosa e oposição a pautas progressistas. A polarização entre direita e esquerda fica ainda mais evidente: Espriella promete “autoridade” e ruptura com o governo de Gustavo Petro, enquanto Cepeda defende a continuidade de políticas sociais e de “paz total”.

Contexto mais amplo

Além da religião, a campanha de Espriella tem atraído atenção internacional por seu estilo de direita, com admiração declarada por figuras como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Suas propostas incluem endurecimento contra o narcotráfico, construção de mega prisões e ênfase na ordem pública. O candidato, que nunca ocupou cargo eletivo antes, construiu uma base através do movimento Defensores da Pátria, coletando assinaturas e usando forte presença nas redes.

Do outro lado, Iván Cepeda, senador, filósofo e defensor de direitos humanos com histórico no processo de paz, representa a esquerda que busca consolidar avanços sociais, mas enfrenta rejeição de setores que associam o atual governo a aumento da violência e instabilidade econômica.

A viralização do vídeo do terço ilustra como ainda hoje questões de fé, família e identidade cultural continuam influenciando o voto. Seja visto como gesto de devoção autêntica ou ferramenta política, o momento revela uma Colômbia ainda profundamente marcada por suas raízes católicas — um país onde a oração em família pode, sim, mobilizar eleitores às urnas.

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