O maior segredo de Deus revelado aos homens
É próprio do amor confiar segredos a um amigo e, por isso, Deus nos revelou os mistérios de sua vida íntima.

Santíssima Trindade – Igreja Colegiada de Santa Maria, Gandía (Espanha) – Foto: Francisco Lecaros
Redação (30/05/2026 13:57, Gaudium Press) No início da Santa Missa, o sacerdote proclama: “a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” (Cf. 2Cor 13,13). Ao começarmos qualquer ato piedoso, costumamos dizer: “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A cada momento, somos convidados a contemplar o mistério de um Deus que é, ao mesmo tempo, uno e trino.
Qual é, porém, a importância deste inefável mistério em nossa vida diária? E por que a Igreja o apresenta como o principal mistério da nossa fé? É o que a Liturgia deste Domingo nos propõe considerar.
A revelação do Mistério Trinitário
Jamais poderíamos conhecer a existência da Trindade se Ela não nos tivesse sido revelada por Deus. De fato, no Antigo Testamento, encontram-se certas insinuações a ela, como a aparição dos três anjos a Abraão (Cf. Gn 18,1-2), ou então o plural majestático empregado pelo Autor Sagrado no início do Gênesis: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26). Sem embargo, estes trechos não são senão insinuações, a partir dos quais nunca poderíamos deduzir o dogma Trinitário. Somente com o advento de Cristo em nossa carne mortal lograríamos conhecê-lo.
Por que razão quis o Altíssimo revelar-nos este mistério? Ora, todos sabemos que é próprio do amor confiar segredos aos amigos. E Deus não se exclui deste princípio. Com efeito, almejando o Todo-Poderoso reatar aquela terna amizade que fora rompida no Paraíso pelo pecado de Adão, optou Ele por desvelar-nos algo de sua vida íntima, realidade que a razão humana, por si só, jamais poderia alcançar. Estaria, pois, vinculada à revelação deste sublime segredo a restituição da graça santificante e da inabitação trinitária, bem como da esperança de sua eterna companhia no Céu.
Sem o conhecimento do Mistério Trinitário, como compreender a Redenção e a Encarnação? Nem sequer nos daríamos conta dos inefáveis dons que estavam sendo outorgados ali pela Pai à humanidade através de seu Filho e do Espírito Consolador, pois é impossível amar aquilo que não se conhece.
Esta revelação, todavia, não foi transmitida por um anjo ou por um profeta; antes, foi a própria Segunda Pessoa da Trindade que no-la deu a conhecer. E por isso o Evangelho assevera:
“Quem n’Ele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito” (Jo 3,18).
Os homens, portanto, são julgados bons ou maus conforme a adesão que prestam às palavras do Divino Salvador, pois Ele é a própria Verdade: “Eu sou o caminho, a verdade, a vida” (Jo 14,6). Pela Encarnação do Verbo, o Pai não apenas desvelou à humanidade a Verdade mais sublime, mas também a convidou a participar, um dia no Céu, dos insondáveis abismos de amor que permeiam o eterno convívio das Três Pessoas, segundo o que está dito no Evangelho:
“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
Pela Revelação do Filho, já participamos nesta terra de algo da própria ciência dos Bem-aventurados. Entretanto, cabe perguntar: é possível, de alguma forma, gozar também aqui daquele eterno convívio com Deus, que teremos apenas no Céu?
A missão do Espírito Santo
É verdade que Deus enviou o seu Filho ao mundo para que fôssemos salvos através d’Ele. Todavia, o Pai e o Filho não agem sozinhos. Há também o Espírito Santo, sem o qual a missão do Filho permaneceria incompleta.
É pelo Espírito Paráclito que somos impelidos a amar as verdades que nos foram reveladas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Além do mais, movendo-nos através de seus dons, Ele nos concede a capacidade de agir de maneira propriamente divina, o que equivale a dizer que as nossas ações ficam tanto mais purificadas das imperfeições oriundas da debilidade da natureza humana, quanto mais nos deixarmos conduzir pela ação d’Ele. Em uma palavra, somos deificados pelo dom de sua inabitação, tornando-nos templos vivos do próprio Deus.
Há, porém, alguma condição para que tudo isso nos seja concedido? Certamente! Conservar o estado de graça.
Pelo Batismo, recebemos o organismo sobrenatural no qual estão contidos todos os dons do Espírito Santo. Mas enquanto tais, eles precisam necessariamente ser desenvolvidos, pois tratam-se de hábitos que estão apenas em germe. Ora, a forma mais eficaz de desenvolvê-los é através dos sacramentos e da vida interior, que fortalece o estreitíssimo vínculo de amizade existente entre a alma e o Espírito Santificador.
Assim sendo, procuremos nesta Solenidade fazer um autêntico propósito de nunca pecar mortalmente, pois o pecado mortal expulsa de nossas almas o Espírito Santo, interrompendo o desenvolvimento dos seus dons. Se, por fragilidade, cairmos, não deixemos de recorrer imediatamente ao Sacramento da Penitência, que logo nos restituirá a amizade divina. Com efeito, se Nosso Senhor nos concedeu o título de “amigos” ao nos revelar tudo quanto ouviu do Pai (cf. Jo 15,15), poderíamos trair esta terna amizade, desprezando o altíssimo dom de ter, pelo estado de graça, o próprio Deus morando em nossa alma? Busquemos, então, iniciar já nessa terra aquilo que, no Céu, constituirá a nossa eternidade: o convívio com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Por Valter Gonçalves





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