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Outros “bem-sucedidos” no mundo que se tornaram sacerdotes

O que os move é frequentemente um vazio interior que o mundo não preenche, apesar da “felicidade” que o sucesso oferece (dinheiro, poder, prazer).

Foto: Pope St. John XXIII National Seminary/ Facebook

Padre Rooney Foto: Pope St. John XXIII National Seminary/ Facebook

Redação (30/05/2026 08:17, Gaudium Press) De tempos em tempos, especialmente vindas dos Estados Unidos, chegam notícias que desafiam a lógica do mundo atual: pessoas com vidas extremamente bem-sucedidas, cheias de dinheiro, status, fama e conquistas profissionais, decidem abandonar tudo para se tornar sacerdotes da Igreja Católica. Esses testemunhos revelam que, por trás do brilho do sucesso material, muitas vezes existe um vazio interior que só pode ser preenchido por uma entrega total a Cristo.

Scott-Vincent Borba: do império da beleza bilionário ao sacerdócio

Foto: OSV News

Foto: OSV News

Um dos casos mais recentes e impactantes é o de Scott-Vincent Borba, cofundador da marca de cosméticos e.l.f. Cosmetics, uma empresa avaliada em bilhões de dólares, vendida em grandes redes como Target, Walmart e Walgreens. Borba construiu uma carreira de sucesso como esteticista, modelo, cantor, ator e empresário. Ele fundou outras marcas, escreveu livros sobre cuidados com a pele e viveu o glamour de Hollywood, com festas luxuosas, riqueza e visibilidade.

“Fui para Los Angeles e me deixei levar pelo estilo de vida de Hollywood. Cheguei quase ao ponto de tentar vender minha alma”, confessou.

O empresário afirmou que, durante anos, viveu focado exclusivamente em si mesmo e no luxo que o cercava. “Eu vivia para mim mesmo. Eu me idolatrava. Idolatrava tudo o que representava o luxo. Eu era o protótipo do luxo”, explicou.

No entanto, algo maior o chamava. Após um longo processo de discernimento, ele renunciou à fortuna, doou seus bens (incluindo dinheiro, carros e casa na praia) e entrou no seminário em 2021, aos 42 anos, no Saint Patrick’s Seminary.

Em 23 de maio passado, foi ordenado sacerdote para a Diocese de Fresno, na Califórnia, e atualmente serve como vigário paroquial na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Clovis.

Borba declara que nunca foi tão feliz. “Nunca fui tão feliz. Nunca me senti tão cheio de alegria. Por tudo o que o mundo pudesse me oferecer, eu o trocaria um milhão de vezes só para estar unido a Jesus.” Ele trocou a “inquietação” do sucesso material pelo serviço a Deus. Sua história mostra que mesmo quem viveu o “sonho americano” pode sentir que falta algo essencial — e encontrar plenitude na vocação sacerdotal.

Foto: Diocese of Fresno

Foto: Diocese of Fresno

Robert Rooney: do direito por 30 anos à Arquidiocese de Kansas City

Outro exemplo marcante é o do Padre Robert Rooney (ou Bob Rooney), também ordenado sacerdote em 23 de maio passado para a Arquidiocese de Kansas City, no Kansas. Antes de entrar no seminário, ele atuou por mais de 30 anos como advogado civil, com foco especial, nos últimos 15 anos, em casos de direito ambiental e litígios de responsabilidade civil médica.

Padre Rooney – Foto: psjs.edu

Padre Rooney – Foto: psjs.edu

Sua vocação começou cedo. Em 1986, no segundo ano da universidade, estudando em Roma, ele teve a oportunidade de conhecer e conversar com São João Paulo II. A presença do Papa o marcou profundamente. Ele tentou o seminário duas vezes antes, mas não concluiu. Em 2021, aos cerca de 60 anos, solicitou de admissão no Seminário São João XXIII (Pope St. John XXIII National Seminary) voltado para vocações tardias, e foi aceito.

“Minha primeira vocação verdadeira, aquela que me levou a considerar o sacerdócio, surgiu em 1986, quando cursava o segundo ano da faculdade. Naquela época, eu estudava em Roma e tive a sorte de conhecer e conversar com o Papa João Paulo II. Sua presença me marcou profundamente. Ao longo dos anos, ingressei no seminário em duas ocasiões anteriores, mas não concluí a formação. Quando voltei a solicitar admissão na Arquidiocese de Kansas City em 2021, fui convidado a me candidatar ao sacerdócio no Seminário São João XXIII”.

Hoje, o Padre Rooney vive seu ministério com a serenidade de quem respondeu ao chamado no “tempo de Deus”. Sua trajetória reforça que a vocação não tem idade e pode persistir por décadas.

Por que eles deixam tudo?

Esses testemunhos não são isolados. Existem diversos casos de profissionais bem-sucedidos — empresários, advogados, atletas, médicos e até artistas — que trocam carreiras lucrativas pelo sacerdócio. O que os move é frequentemente um vazio interior que o mundo não preenche: apesar da “felicidade” que o sucesso oferece (dinheiro, poder, prazer), surge uma inquietação da alma, um chamado para algo maior, eterno e de total doação ao serviço de Deus e aos demais.

“Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi” (Jo 15,16).

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