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Papa denuncia políticas que discriminam a maternidade e exaltam o aborto

“Os problemas decorrentes de uma demografia de crescimento zero são muitos e complexos, e incluem, em especial, a pandemia da solidão”, ressaltou o Papa Leão XIV.  

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (27/05/2026 09:35, Gaudium Press) O Papa Leão XIV fez um alerta firme e direto nesta segunda-feira: a Europa que rejeita suas raízes cristãs condena-se a uma “drástica esterilidade”, não apenas demográfica, mas também cultural e espiritual. A declaração foi feita durante audiência no Vaticano com membros do Intergrupo de Demografia do Parlamento Europeu, acompanhados pela comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, pela ministra italiana da Família, Natalidade e Igualdade de Oportunidades, Eugenia Roccella, e pela representante especial para a Mudança Demográfica e Segurança da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Gudrun Kugler.

O encontro ocorreu no contexto da conferência “Demografia e Europa: um momento decisivo”, realizada na sede do Parlamento Europeu em Roma.

Um continente que envelhece rapidamente

O Pontífice reconheceu que a questão demográfica é um “desafio urgente” com consequências concretas para milhões de pessoas e famílias. A Europa, outrora berço de civilizações, está se tornando literalmente o “velho continente”. O crescimento zero da população gera problemas complexos, entre eles a “pandemia da solidão”.

Para Leão XIV, “os dados demográficos não são apenas estatísticas, mas falam de paternidade, maternidade e filhos. E os filhos constituem o futuro!”, enfatizou. Sem solidariedade entre as gerações, o desenvolvimento integral e sustentável fica gravemente comprometido — e é exatamente esse equilíbrio intergeracional que falta atualmente na Europa.

Rejeição das raízes cristãs

O ponto mais forte do discurso papal foi a ligação direta entre a crise demográfica e a rejeição da herança cristã. “Nas últimas décadas, podemos observar que a rejeição da inspiração cristã dos pais fundadores das instituições da União Europeia conduziu a um período de drástica esterilidade”, afirmou. Essa esterilidade se manifesta não só pela privação do direito de nascer de milhões de crianças (por meio do aborto), mas também pela falta de “transmissão dos instrumentos materiais e culturais de que os jovens têm necessidade para enfrentar o futuro”.

O Papa apontou ainda as contradições das políticas europeias: “Não é raro deparar-nos com afirmações contraditórias de presumíveis políticas a favor das famílias que, ao mesmo tempo, promovem a discriminação contra a maternidade e exaltam o aborto como direito, minando os próprios alicerces do desejo de dar vida a uma família”. Com bom humor, completou: “Felizmente, hoje estão aqui presentes algumas”.

A família como escola de vida social

Diante desse cenário, Leão XIV pediu “ideias inovadoras” que a Europa necessita desesperadamente. O diálogo, segundo ele, deve ir além de governos e instituições e incluir toda a sociedade civil, da qual os cristãos são parte integrante.

Citando a exortação apostólica Familiaris Consortio, de São João Paulo II, o Papa lembrou que a família é “a primeira e insubstituível escola de socialidade”, fundada no casamento entre um homem e uma mulher. Ele conclamou os parlamentares a promoverem o papel ativo das famílias na vida social, política e cultural, aplicando o princípio da subsidiariedade — evitando “os dois extremos da intervenção estatal excessiva e do individualismo”.

Uma primavera diante do inverno demográfico

O Pontífice deixou claro que não se trata de retornar a modelos sociais do passado, mas de proporcionar aos homens e mulheres do nosso tempo os “princípios imutáveis” que respondem às perguntas fundamentais: “qual é o sentido e o valor da vida humana? O que é uma sociedade humana autêntica e que tipo de mundo queremos deixar às gerações vindouras?”

Ele elogiou a colaboração entre o Intergrupo, a Federação de Associações Familiares Católicas na Europa (FAFCE) e a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) como exemplo positivo de trabalho conjunto.

Na conclusão, Leão XIV usou uma imagem que resume seu discurso: “Só um novo sopro de primavera poderá transformar o frio invernal das nossas populações que envelhecem!”

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