O que é mal?
A pergunta é inquietante, máxime quando nos lembramos que Deus criou tudo. Terá Ele criado também o mal? Deixemos a resposta com Santo Agostinho.

Foto: Wikipedia
Redação (25/05/2026 15:23, Gaudium Press) Neste Universo, também aquilo que é chamado mal, devidamente ordenado e colocado em seu lugar, leva a apreciar de forma ainda mais excelsa as coisas boas, porque estas, quando comparadas às coisas más, causam maior agrado e merecem maior admiração.
De resto, Deus, na sua onipotência, “Ele, a quem cabe o sumo poder sobre as coisas”, como, aliás, também os infiéis reconhecem por ser sumamente bom, não permitiria de modo algum a subsistência de qualquer mal em suas obras, se não fosse onipotente e bom a ponto de extrair o bem até do mal.
Então, que outra coisa será o que se costuma chamar de mal, a não ser a ausência de bem? Para os corpos dos seres vivos, de fato, estar doente ou ferido não significa nada diferente de perder a saúde. De resto, quando se ministram remédios, não é para que os males existentes, quer dizer, as doenças e os ferimentos, saiam de seus lugares e surjam em outra parte, mas para que desapareçam totalmente.
Com efeito, um ferimento ou uma doença não são, em si, uma substância, mas um defeito numa substância carnal, já que a carne, esta sim, é uma substância em si e, sem dúvida, um bem determinado que pode ser afetado por aqueles males, quer dizer, um bem que pode sofrer as privações do bem que é chamado saúde.
Assim, do mesmo modo, todos os defeitos das almas são privações de bens naturais: curá-los não significa transferi-los para outro lugar, pois aqueles que lá estavam não estarão mais, já que não existirão com o bem da saúde.
SANTO AGOSTINHO DE HIPONA. O Sermão da Montanha e Escritos sobre a fé. São Paulo: Paulus, 2017, p.269.





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