Papa Leão XIV autoriza beatificação de oitenta mártires da Guerra Civil Espanhola e do Patriarca Maronita Hoyek
O Papa Leão XIV, em sua audiência de hoje, 22 de maio, com o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, autorizou a promulgação dos decretos de beatificação.
Foto: Vatican News
Redação (22/05/2026 08:52, Gaudium Press) O Papa Leão XIV autorizou, nesta quinta-feira, 22 de maio, a promulgação de decretos que avançam importantes causas de santidade. Entre elas está a beatificação dos 80 mártires de Santander, na Espanha, e do patriarca maronita libanês Elias Hoyek. Além disso, foram declarados veneráveis outros cinco servos de Deus de diferentes partes do mundo.
Testemunho de fé na perseguição religiosa espanhola
Durante a Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930, a Igreja enfrentou uma dura perseguição. É nesse contexto que se destaca o martírio de Francisco González de Córdova e seus 79 companheiros. Dentre os 80, 67 eram sacerdotes, 3 religiosos carmelitas, 3 seminaristas e 7 leigos.
Muitos foram mortos de formas brutais: atirados ao mar com pedras amarradas ao corpo, assassinados e queimados, ou mortos em prisões improvisadas, como o navio-prisão “Alfonso Pérez”. Alguns pereceram em autênticos campos de concentração.
Francisco González de Córdova, pároco de Santa María del Puerto, em Santoña, é um dos grandes exemplos. Mesmo com a proibição de celebrar missa e administrar Sacramentos, ele se recusou a fugir. Preso e levado ao navio-prisão, continuou atendendo os detentos no porão, confessando e rezando o terço diariamente. Ao ser chamado para a execução, pediu para ser o último, a fim de absolver e abençoar seus companheiros. Tinha 48 anos.
Elias Hoyek, o “Pai do Grande Líbano”
O patriarca maronita Elias Hoyek será beatificado graças a um milagre ocorrido em 1965: a cura inexplicável de Nayef Abou Assi, um oficial muçulmano druso que sofria de espondilólise bilateral crônica. Após sonhar com o patriarca, acordou completamente curado.
Nascido em 1843 no Líbano, Hoyek estudou em Roma, foi ordenado sacerdote em 1870 e fundou, junto com Madre Rosalie Nasr, a Congregação das Irmãs Maronitas da Sagrada Família — o primeiro instituto religioso feminino da Igreja Maronita. Eleito Patriarca de Antioquia dos Maronitas em 1899, dedicou-se à formação do clero, à catequese e à defesa de seu povo durante o domínio otomano.
Durante a Primeira Guerra Mundial, abriu conventos e mosteiros para alimentar àqueles que estavam exaustos pelo conflito, independentemente da religião. Foi condenado à deportação, mas escapou graças à intervenção do Papa e da diplomacia austro-húngara. Participou ativamente da criação do Estado do Grande Líbano em 1920. Faleceu em 1931, sendo lembrado como homem de diálogo, caridade e pobreza evangélica.
Jovem carmelita que ofereceu a vida pelas vocações
O camaronês Jean-Thierry do Menino Jesus e da Paixão, frade carmelita descalço, faleceu aos 23 anos, em 2006, vítima de um tumor ósseo. Suas últimas palavras foram: “Quanta luz, quanta luz… Como Jesus é bonito!”.
Nascido em 1982, sentiu o chamado vocacional ainda criança, após encontrar um missionário. Entrou no Carmelo em 2003. Doente, amputaram-lhe uma perna. Transferido para a Itália, fez a profissão religiosa solene in articulo mortis no dia 8 de dezembro de 2005. Pediu que não se rezasse mais por sua cura, mas pelas vocações, oferecendo sua vida por elas.
Uma vida de caridade
Madre María Ana Alberdi Echezarreta, religiosa concepcionista franciscana espanhola, nasceu no País Basco em 1912. Órfã aos 7 anos, começou a trabalhar cedo e descobriu sua vocação graças a um sacerdote. Em 1932, vestiu o hábito em Madri.
Durante a Guerra Civil, teve de abandonar o convento, ao qual voltou após a guerra, sendo mestra de noviças e, em 1953, eleita abadessa, cargo que ocupou por vários mandatos. Enfrentou os desafios do pós-guerra e do Concílio Vaticano II, guiando sua comunidade com sabedoria e mansidão. Faleceu em 1998, após longa enfermidade.
Pobre entre os pobres na Índia
Costantino Vendrame, salesiano italiano, nasceu em 1893 na província de Treviso. Ordenado sacerdote em 1924, partiu como missionário para a Índia, onde trabalhou primeiro em Assam e depois em Tamil Nadu. Conhecido por percorrer longas distâncias a pé, viveu pobremente entre os mais necessitados, levando muitos a Cristo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi preso, mas continuou sendo fonte de consolo espiritual para os companheiros de cativeiro. Sofreu de grave artrose e faleceu em Dibrugarh, na Índia, em 1957.
O “santo das balas”
Frei Nazareno de Pula, capuchinho sardo, nasceu em 1911. Lutou na Segunda Guerra Mundial na África, foi prisioneiro dos ingleses por cerca de quatro anos na Etiópia. Ao voltar, encontrou Padre Pio, que o orientou a seguir sua vocação na Sardenha, sua terra natal.
Em 1951, aos 39 anos, ingressou como irmão leigo na Ordem dos Capuchinhos de Sardenha. Humilde, homem de oração, disposto a realizar as tarefas mais diversas como mendicante, cozinheiro e jardineiro. Ficou conhecido como “o santo das balas”: distribuía balas de laranja e limão pedindo que cada uma fosse acompanhada de uma Ave-Maria. Construiu o Santuário de Nossa Senhora da Consolação, em Pula, onde seu corpo repousa desde sua morte, em 1992, vítima de um tumor.
Esses novos veneráveis e futuros beatos mostram a riqueza da santidade na Igreja: desde o martírio corajoso até a entrega silenciosa no dia a dia, passando pela caridade heroica em tempos de guerra e pobreza. Seus exemplos continuam inspirando cristãos ao redor do mundo.
Com informações Vatican News




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