Vaticano estabelece quatro fases para a implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade até 2028
Afinal, o que é a sinodalidade? É algo novo? A Igreja, em seus 2000 anos de história, não tinha sido sinodal?
Foto: Vatican Media
Redação (21/05/2026 09:28, Gaudium Press) O processo sinodal mundial enfrenta, em diversos ambientes católicos, um claro desgaste. Muitos fiéis e até pastores questionam: afinal, o que é exatamente a sinodalidade? Trata-se de algo realmente novo ou a Igreja, em seus 2 mil anos de história, a Igreja nunca foi sinodal? Apesar dessas dúvidas, o Vaticano segue firme no processo.
Nesta quarta-feira, a Secretaria Geral do Sínodo divulgou um documento de 18 páginas que define o calendário e os passos concretos para as Igrejas locais até a Assembleia Eclesial de outubro de 2028, que ocorrerá no Vaticano com a presença do Papa Leão XIV. O texto, intitulado Rumo às Assembleias 2027-2028: etapas, critérios e a metodologia, estabelece um itinerário dividido em quatro fases progressivas, com um cronograma preciso, uma metodologia comum e critérios de participação para as dioceses, as conferências episcopais e as instâncias continentais.
Quatro fases que guiam o percurso
O itinerário está organizado em torno de quatro fases que marcam as etapas espirituais e práticas do processo:
– Fazer memória (primeiro semestre de 2027): As assembleias diocesanas e eparquiais farão um balanço da implementação do Documento Final do Sínodo 2021-2024. O resultado será um relato narrativo e uma carta enviada às outras Igrejas.
– Interpretar (segundo semestre de 2027): As conferências episcopais (nacionais ou regionais) prepararão um informe teológico-pastoral e outra carta dirigida às comunidades locais.
– Orientar (primeiro quadrimestre de 2028): As assembleias continentais identificarão prioridades e diretrizes comuns, produzindo um documento que servirá de base para o Instrumentum laboris da Assembleia final.
– Celebrar (outubro de 2028): A grande Assembleia Eclesial reunirá toda a Igreja no Vaticano, junto ao Santo Padre.
Cada fase termina com uma assembleia e a produção de documentos que alimentam o discernimento eclesial. Os prazos são rigorosos: materiais das dioceses devem chegar até 30 de junho de 2027; das conferências episcopais, até 31 de dezembro de 2027; e dos continentes, até 30 de abril de 2028.
Uma pergunta comum como eixo central
Para garantir a unidade em todo o processo, o documento propõe uma única pergunta norteadora, que deve permear os trabalhos em todos os níveis: “À luz do percurso empreendido desde o encerramento do Sínodo 2021-2024, e com vista a oferecer os seus frutos como dom às outras Igrejas e ao Santo Padre: que face concreta de uma Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão a surgir na sua comunidade?”
O objetivo não é realizar novas consultas amplas nem sobrecarregar as comunidades; pelo contrário, trata-se de reler o que já foi vivido, reconhecer frutos, dificuldades e, sobretudo, colocar a experiência adquirida à disposição das demais Igrejas, num espírito de troca de dons.
“Não é uma tarefa a mais”
O Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, reforçou essa proposta ao comentar o documento. “Não propomos às Igrejas locais uma tarefa adicional, mas um tempo de discernimento e de ação de graças compartilhados, no qual releiamos juntos o que o Espírito está fazendo crescer na Igreja e reconheçamos os passos que somos chamados a dar”, afirmou.
Grech destacou ainda que as assembleias não são pesquisas sociológicas, processos deliberativos ou avaliações técnicas, mas sim uma experiência eclesial e espiritual profunda de discernimento comunitário; “um momento de síntese e de relançamento do caminho, para que a troca de dons entre as Igrejas se torne uma experiência concreta e a sinodalidade se traduza cada vez mais em um estilo ordinário da vida eclesial a serviço da missão”
Composição inclusiva
O texto enfatiza a necessidade de composições inclusivas nas assembleias, que reflitam a diversidade da Igreja: equilíbrio entre homens e mulheres, diferentes gerações, pluralidade cultural, presença de sacerdotes, diáconos, consagrados, leigos de movimentos e associações, e especialmente pessoas em situações de vulnerabilidade ou marginalidade. Há atenção especial aos párocos e, quando for oportuno, poderão participar também representantes de outras Igrejas e Comunhões cristãs ou de outras religiões”.
A Secretaria do Sínodo pede que as Igrejas locais reativem as equipes sinodais diocesanos, nacionais e continentais, informando sua composição ao Vaticano. Importante: as pessoas escolhidas devem estar dispostas a acompanhar o processo também depois de 2028, contribuindo para garantir sua continuidade.
A metodologia preferencial continua sendo a “conversa no Espírito”, já testada e aprovada nas etapas anteriores. O documento se insere na fase de implementação prevista na constituição apostólica Episcopalis Communio e concretiza orientações publicadas em junho de 2025.





Deixe seu comentário