“A liturgia deve se traduzir em vida”, afirma Papa Leão XIV
Em nova série de reflexões na Praça São Pedro, o Santo Padre exortou os fiéis a se deixarem moldar pelos ritos e a transformarem a existência em um “sacrifício vivo”.
Cidade do Vaticano (20/05/2026 15:08, Gaudium Press) Na manhã desta quarta-feira, 20, durante a Audiência Geral realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV, iniciou uma série de catequeses sobre o primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II: a Constituição sobre a Sagrada Liturgia ‘Sacrosanctum Concilium’.
De acordo com o Santo Padre, “ao elaborar esta Constituição, os Padres conciliares pretenderam não só empreender uma reforma dos ritos, mas também conduzir a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo. A liturgia, com efeito, toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe de Cristo a sua própria vida”.
O Mistério de Cristo como centro da Liturgia
O Papa recordou que o Mistério cristão (paixão, morte, ressurreição e glorificação de Cristo) é tornado sacramentalmente presente na liturgia e através da nossa participação nela, em assembleia, estamos imersos neste Mistério. “O próprio Cristo é o princípio interior do mistério da Igreja, povo santo de Deus, nascido do seu lado traspassado na Cruz”.
“Na santa liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir. Santifica e associa a Igreja, sua esposa, à sua oferta ao Pai. Exerce o seu sacerdócio absolutamente único, Ele que está presente na Palavra proclamada, nos sacramentos, nos ministros que celebram, na comunidade reunida e, em grau supremo, na Eucaristia”, ressaltou.
Em seguida, Leão XIV citou Santo Agostinho, que afirmou que ao celebrar a Eucaristia, a Igreja «recebe o Corpo do Senhor e torna-se aquilo que recebe»: torna-se o Corpo de Cristo, «morada de Deus, por meio do Espírito». Esta é «a obra da nossa Redenção», que nos configura a Cristo e nos edifica na comunhão.
Fonte e ápice da missão da Igreja
Citando o número 48 da ‘Sacrosanctum Concilium’, o Papa disse que “na Sagrada Liturgia, essa comunhão realiza-se «por meio duma boa compreensão dos ritos e orações». A ritualidade da Igreja expressa a sua Fé e ao mesmo tempo, molda a identidade eclesial. Se a liturgia está ao serviço do mistério de Cristo, compreende-se por que razão foi definida como «simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força»”.
Apesar da ação da Igreja não se limitar à liturgia, Leão XIV ressaltou que todas as suas atividades, a pregação, o serviço aos pobres, o acompanhamento das realidades humanas, convergem para este «culminar». Além disso, “a liturgia sustenta os fiéis, mergulhando-os sempre e de novo na Páscoa do Senhor e, por isso, através da proclamação da Palavra, da celebração dos sacramentos e da oração comum, eles são revigorados, encorajados e renovados no seu empenho de Fé e na sua missão”.
A liturgia deve se traduzir em vida
Segundo o Santo Padre, a participação dos fiéis na ação litúrgica é simultaneamente «interior» e «exterior», o que significa que “ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida quotidiana, numa dinâmica ética e espiritual, de modo que a liturgia celebrada se traduza em vida e exija uma existência fiel, capaz de concretizar o que foi vivido na celebração: é assim que a nossa vida se torna «sacrifício vivo, santo, agradável a Deus», realizando o nosso «culto espiritual».”
Leão XIV explicou ainda que a liturgia «edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor» e forma uma comunidade aberta e acolhedora para com todos. Ela é, de fato, habitada pelo Espírito Santo, introduz-nos na vida de Cristo, torna-nos o seu Corpo e, em todas as suas dimensões, representa um sinal da unidade de toda a humanidade em Cristo”. Por fim, ele exortou os fiéis a se deixarem “moldar interiormente pelos ritos, pelos símbolos, pelos gestos e, sobretudo, pela presença viva de Cristo na liturgia”. (EPC)









Deixe seu comentário