Ordenados seis novos sacerdotes em Angola
O sacerdócio é uma vocação sublime, e o testemunho pessoal do sacerdote deve ser alimento espiritual e fonte de alegria para os fiéis, afirmou o bispo ordenante.

Foto: Governo da Província do Bié/ Facebook
Redação (19/05/2026 08:54, Gaudium Press) No último domingo, 17 de maio, a Diocese de Kwito-Bié, no planalto central de Angola, viveu um momento de grande alegria e esperança para a Igreja Católica local. Seis diáconos foram ordenados sacerdotes pelo bispo Dom Vicente Sanombo, em uma celebração marcada pela profundidade espiritual e pela presença de fiéis reunidos no Santuário de Nossa Senhora do Monte Chimbango.
Durante a homilia, o bispo, de 61 anos, que assumiu a diocese em 2024, dirigiu palavras diretas e paternais aos recém-ordenados. Ele os exortou a viverem a vocação sacerdotal com perseverança, humildade e total fidelidade à Igreja, destacando que o sacerdócio não é uma carreira, mas um serviço radical a Cristo e ao seu povo.
“Sejam homens que promovam a unidade, o fermento da unidade na comunidade”, afirmou Dom Vicente Sanombo. Ele alertou contra os perigos do individualismo e do interesse pessoal no ministério: “Vocês devem exercer o sacerdócio não buscando os próprios interesses, mas os de Cristo”. O bispo enfatizou a necessidade de uma entrega generosa, com “simplicidade de coração” e espírito de serviço aos irmãos e irmãs.

Foto: Governo da Província do Bié/ Facebook
Uma vocação sublime que exige formação contínua
Dom Sanombo descreveu o sacerdócio como uma “vocação sublime”, que requer maturidade espiritual e um compromisso firme com Jesus. Muitos dos ordenados dedicaram mais de 15 anos à formação inicial — um caminho longo e exigente comum em contextos africanos, onde as vocações enfrentam desafios como distância geográfica e recursos limitados.
O bispo fez um alerta claro sobre a importância da formação contínua: “Um sacerdote que não continua estudando, que não lê, não se cultiva nem se atualiza, torna-se obsoleto”. Essa mensagem ganha ainda mais relevância na África, continente que registra o maior crescimento de vocações sacerdotais no mundo, segundo dados recentes do Vaticano. Enquanto o número de seminaristas diminui em outras regiões, na África ele continua em alta, refletindo a vitalidade da Igreja no continente.
Viver o que se prega
Outro ponto forte da homilia foi a necessidade de coerência entre palavra e vida. “Quem não vive o que ensina não consegue nada”, disse o bispo, lembrando que o testemunho autêntico do padre é o que alimenta espiritualmente os fiéis e gera alegria nas comunidades. O Evangelho só dá frutos quando os sacerdotes vivem o que pregam.
Ele incentivou os novos sacerdotes a cultivarem uma vida de oração constante, a celebrarem a Eucaristia com devoção e a recorrerem frequentemente ao sacramento da Reconciliação. Para Dom Sanombo, a força do ministro vem da intimidade com Deus.
Citando a Primeira Carta de São Pedro, o bispo alertou sobre as tentações e perigos espirituais que ameaçam a vida sacerdotal: “O vosso adversário, o diabo, anda em volta como um leão que ruge, procurando a quem devorar”. Por isso, a recomendação é permanecer firme na fé, sustentado pela oração e pela confiança no Bom Pastor.
Os sacerdotes são chamados a serem “verdadeiros pais espirituais, mestres e conselheiros das comunidades cristãs”, acolhendo especialmente os mais vulneráveis, promovendo o amor ao povo e a unidade nas comunidades.
A ordenação aconteceu durante a peregrinação mariana ao Santuário de Nossa Senhora do Monte Chimbango, no mês de maio dedicado a Maria. O ambiente foi descrito como de “silêncio regenerador” e “paz celestial”, favorecendo a comunhão e a renovação da esperança.
Dom Vicente Sanombo conectou o momento à espiritualidade mariana, lembrando as mensagens de Fátima: um convite permanente ao arrependimento, à penitência, à oração e à caridade. Ele fez ainda um apelo à oração pela paz — no mundo, nas famílias e nas comunidades —, especialmente em um tempo marcado por egoísmo e divisões. Os cristãos devem ser “promotores da reconciliação e da fraternidade”.
Angola, com cerca de 12 milhões de católicos, tem na Igreja Católica um importante pilar social e espiritual, especialmente após décadas de guerra civil. A ordenação desses seis sacerdotes representa um sinal de vitalidade vocacional na Diocese de Kwito-Bié e contribui para o fortalecimento da presença pastoral no interior do país, onde as necessidades são grandes.





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